Heaven’s Union: a empresa que mandava telegramas para gente morta
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Heaven’s Union: a empresa que mandava telegramas para gente morta

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O luto é, sem dúvida, uma das experiências mais tristes e complexas pelas quais todos nós vamos passar uma hora ou outra. Nesse sentido, é sempre uma espécie de alívio crer na existência de um mundo além, que possibilite uma vida eterna de paz à pessoa que morreu, independente da crença religiosa de cada indivíduo.

Você provavelmente nunca ouviu falar do húngaro Gabe Gabor. Em 1978, ele passou pela tristeza de ver sua mãe morrendo. Depois do acontecido, ao se encontrar com um amigo que estava prestes a morrer, Gabor fez um pedido ao colega: “quando você encontrar minha mãe, diga a ela o quanto eu a amo”. O amigo concordou em atender ao pedido de Gabor, que ficou imensamente aliviado.

Essa experiência toda fez com que Gabor abrisse uma empresa três anos depois da morte de sua mãe. A Heaven’s Union, fundada em dezembro de 1981, tinha como missão o envio de “telegramas” a pessoas que já não estão mais entre nós.

Serviço

Assim que foi criada, a companhia divulgou diversas campanhas publicitárias nos EUA para noticiar o serviço inusitado. Funcionava assim: para mensagens de até 50 palavras, o preço do telegrama ficava em US$ 40; já para mensagens mais elaboradas, de até 100 palavras, o preço era de US$ 60. Em caso de urgência de entrega, o cliente poderia pagar US$ 125 para que três mensageiros entregassem o mesmo recado.

Depois de alguns dias da contratação do serviço, a empresa enviava aos clientes uma espécie de recibo, com o conteúdo da mensagem impresso e também com o nome do mensageiro que concordou em entregar o recadinho. Além disso, o cliente seria informado do dia e da hora de partida do mensageiro – os mensageiros, como quando a mãe de Gabor morreu, eram pessoas à beira da morte.

Quadro de funcionários

Em abril de 1982, Gabor disse ter quatro funcionários à beira da morte trabalhando para ele. Esses empregados foram indicados ao empresário por psicólogos especializados em tratar pessoas à beira da morte. “Os psicólogos acham muito útil que os pacientes se vejam em uma missão”, disse Gabor em uma entrevista na época.

O pagamento recebido pelos mensageiros era de US$ 10 para entregar recadinhos eternamente. Questionado a respeito do pagamento baixo, Gabor disse que o trabalho não era assim tão difícil, afinal os mensageiros não teriam que decorar os textos, mas apenas entregar bilhetinhos às pessoas em questão. Além disso, de acordo com ele, o valor do pagamento não interessaria a alguém que estaria em um universo espiritual, onde o dinheiro não tem serventia. Para ficar claro: US$ 10 era o pagamento pela entrega de quantas mensagens fossem necessárias.

 Conteúdo

Só para você ter ideia do quanto estamos falando: durante a existência da empresa, seus quatro funcionários ficaram encarregados de espalhar 4 mil recadinhos no paraíso! De acordo com o empresário, a maioria dos recados era destinada a parentes e amigos. “As pessoas mandam mensagens desejando feliz aniversário ou dizendo o quanto sentem a falta dessas pessoas”, disse o húngaro. Questionado se alguém já tinha tentado mandar mensagens para animais ou para o inferno, Gabor respondeu: “isso faria de meu trabalho uma farsa”. Pois é.

Todas as mensagens eram de amor, exceto por uma, enviada de uma viúva a seu marido morto. Depois da morte do amado, a mulher descobriu que havia sido traída por ele e escolheu os serviços da Heaven’s Union para desmascarar o ex. Além disso, muitas pessoas mandaram mensagens a famosos como John Lennon e Marilyn Monroe.

Na época, a empresa de Gabor foi atacada por diversas críticas de que ele estaria abusando da fé das pessoas e se aproveitando de doentes terminais. A vida profissional do empresário nunca foi publicamente conhecida além da Heaven’s Union. E aí, você já tinha ouvido falar desse tipo de serviço? O que acha dele?

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