Períodos de estiagem tornavam mais fácil o assassinato de líderes romanos
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Períodos de estiagem tornavam mais fácil o assassinato de líderes romanos

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A partir do momento que uma pessoa assume uma posição de poder, suas decisões passam a ter consequências ainda maiores. A questão pode gerar problemas, mas hoje em dia dificilmente será a causa da sua morte. Por outro lado, na Roma Antiga, se você chegasse ao posto de Imperador, deveria calcular bem seus movimentos. Durante toda a existência dessa civilização, um quinto de seus líderes morreu de forma violenta pelas mãos de seus subordinados.

Como o assassinato de um líder não é algo simples nem acontece do dia para a noite, uma pesquisa divulgada pela Economics Letters oferece uma explicação para o alto índice de regicídios na história romana.

A ideia é que uma época de estiagem prolongada faz com que as colheitas não sejam tão fartas, deixando os soldados mal nutridos e mais propensos a revoltas. Ao compararem a quantidade de chuvas na época — informação obtida através da análise dos anéis de velhos carvalhos que são sensíveis à umidade local  e as informações disponíveis sobre revoltas militares e assassinatos de imperadores de 27 a.C. a 476 d.C., os pesquisadores conseguiram traçar uma correlação entre os dados.

Não cai água, mas cai o Imperador

Cornelius Christian, economista na Universidade Brock, e Liam Elbourne, da Universidade St. Francis Xavier, ambas no Canadá, são os autores do estudo e chegaram à conclusão de que um decréscimo de 20% na média de chuvas aumentava a probabilidade de o Imperador ser assassinado no ano seguinte. Quem mais sofreu com isso foram os líderes que viveram no período da Dinastia Gordiana, entre 235 d.C. e 285 d.C.: 14 dos 26 imperadores da época morreram de maneiras violentas. Além da questão do clima, esses anos foram marcados por pragas, invasões e depressões econômicas.

Um caso emblemático em que, provavelmente, as chuvas tiveram uma influência considerável foi durante os anos em que Vitellius esteve no poder. Seu primeiro cargo relevante foi como governador-geral de uma região na Germânia, sendo conhecido pelo vício em jogo e pela fome insaciável. Sua benevolência suprimia os defeitos e ele era muito querido por seus subordinados, chegando ao posto de Imperador no ano 15 d.C.

Mas, assim que assumiu o cargo de comandante principal romano, mudou seu comportamento e passou a tratar todos de forma rude, aumentando sua rejeição pela população. Coincidentemente, ele foi substituído por Vespasiano em 69 d.C., um ano após uma grande seca. Vitellius foi arrastado vivo pelas ruas de Roma e, após a sessão de tortura, morto e jogado no rio Tibre.

Em uma entrevista ao Live Science, o historiador da Universidade Brown, Jonathan Conant, considerou a hipótese da falta de chuva plausível, apesar de deixar claro que diversos fatores tinham influência sobre o assassinato de um imperador. A maioria dos crimes contra políticos aconteceu no século 3, época em que havia inflação crescente, surtos de doenças e guerras em andamento, fatos que desestabilizaram o Império.

Apesar de todos esse motivos, “geralmente há uma seca que precede o assassinato do imperador”, reafirmou Christian, que complementa: “Não estamos tentando afirmar que a chuva é a única explicação para todas essas coisas, mas é apenas uma das muitas variáveis que podem causar isso".

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