Façam as suas apostas! Quem é o melhor jogador: Pelé, Messi ou Maradona?
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Façam as suas apostas! Quem é o melhor jogador: Pelé, Messi ou Maradona?

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Parece impossível fazer uma comparação objetiva entre Messi, Maradona e Pelé, três das maiores estrelas do futebol de todos os tempos, não é mesmo? Afinal, estamos falando de craques que brilharam — ou continuam brilhando — em eras diferentes, durante as quais o estilo, as estratégias, a rotina de treinamento, as regras e o próprio espírito do jogo mudaram dramaticamente.

Além disso, Maradona e Pelé trilharam carreiras muito diferentes, e Messi, como você sabe, continua marcando gols ativamente e maravilhando os fãs do futebol. No entanto, Benjamin Morris do portal Five Thirty Eight resolveu lançar mão da matemática para estabelecer qual dos três atletas merece levar o título de “melhor do mundo”, e abaixo você poderá conferir a qual conclusão ele chegou. Mas, antes de começar... você já fez a sua aposta?

Análise estatística

Para realizar os cálculos, Benjamin utilizou informações da Opta, uma companhia especializada em análises esportivas. Essa empresa compilou dados detalhados de partidas em copas do mundo a partir de 1966, o que significa que todas as aparições de Maradona — 21 no total — foram incluídas, assim como oito de Pelé. Aliás, apesar de o brasileiro ter participado e feito gols nas copas de 58 e 62, não havia informações suficientes para que elas fossem incluídas.

Já para o Messi, Benjamin considerou os dados — também fornecidos pela Opta — referentes às aparições do argentino em jogos da copa a partir de 2006, bem como em partidas classificatórias, identificando essas participações como “Messi-A”.

Além disso, Benjamin também contemplou as aparições de Messi em jogos do Barcelona na UEFA a partir da temporada 2010-2011 que, em sua análise, foram chamadas de “Messi-B”. Outra informação importante: Benjamin não contabilizou nenhum jogo no qual Messi participou durante a Copa do Mundo de 2014,pois a análise foi feita antes do mundial no Brasil!

Números

Levando em conta os números absolutos de cada jogador, ou seja, as suas carreiras em seus respectivos clubes, Benjamin descobriu, por exemplo, que Maradona marcou um total de 346 gols em 679 aparições, enquanto Messi marcou 407 gols em 548 jogos.

Com respeito ao escore de Pelé, apesar de os registros anteriores a 1966 serem menos meticulosos, sabe-se que o brasileiro — famoso por ter feito mais de mil gols segundo alguns historiadores — marcou pelo menos 757 gols em 812 partidas oficiais, o que significa que o Rei do Futebol marcou mais gols por jogo do que Messi e Maradona.

Pois bem, voltando aos números “internacionais” abordados pelo estudo em questão, “Messi-B” dispara na artilharia, mostrando um faro goleador invejável. Pelé, em contrapartida, é mais efetivo quando somamos gols e assistências de acordo com o número de aparições em campo. Veja:

Ou seja, de acordo com a tabela acima, enquanto o Messi lidera na marcação de gols — de longe! — estatisticamente, o brasileiro teve melhor desempenho por jogo do que os dois argentinos. Mas, seria muito chato parar com os cálculos por aqui, não é mesmo?

Mais números

Benjamin também avaliou o desempenho dos jogadores com respeito aos chutes a gol, contando arremates de dentro e de fora da área, além das cobranças de pênalti. Veja os resultados:

Messi

Na imagem abaixo, vemos todos os gols marcados (indicados pelos círculos azuis), os perdidos (em vermelho) e os que foram salvos pelas defesas adversárias (as bolinhas vazadas) em jogos de Messi com a seleção argentina (“Messi-A”), além do chute mais distante, feito a 32,9 metros do gol.

Já a imagem a seguir mostra o desempenho de Messi vestindo a camisa do Barcelona a partir da temporada 2010-2011 da UEFA, e seu chute mais distante bateu os 30,2 metros. Confira os dados do “Messi-B”:

Maradona

O diagrama acima apresenta desempenho de Maradona durante o período em que ele jogou para a seleção da Argentina, ou seja, entre as copas de 1982 e 1994. Seu chute mais distante foi disparado a 30 metros do gol e, se você olhar com atenção, vai notar que ele não era muito bom com arremates de fora da área não!

Pelé

Acima, o desempenho de Pelé entre as copas de 1966 e 1970, e seu chute mais distante — lançado a impressionantes 70,4 metros de distância do gol. Você se lembra do famoso ditado “o gol que Pelé não fez”? Pois é...

Apesar disso, ao contrário de Maradona, Pelé arriscava muito bem de longe! Por outro lado, embora o brasileiro ousasse mais com seus chutes de fora, ele, assim como Maradona, não marcava gols à distância com muita frequência, algo no qual Messi é especialista. Veja tudo isso transformado em números:

Como você viu, Messi (o “B”) apresenta o melhor desempenho geral, mas provavelmente porque Pelé não se acanhava na hora de enfiar o pé na bola mesmo de longe. Agora vamos aos dribles durante jogadas mano-a-mano!

Segundo Benjamin, a tabela acima revela que Maradona curtia driblar os adversários ainda mais do que Messi, e se saia um pouco melhor nas jogadas. Pelé, por sua vez, tinha um desempenho quase tão bom quanto o dos argentinos, embora ele fizesse bem menos tentativas por jogo do que os outros dois craques.

Contudo, conforme explicou Benjamin, nas épocas de Pelé e Maradona, as jogadas com zagueiros não só eram mais comuns como tinham mais probabilidade de dar certo, e isso pode refletir nos resultados da tabela. Segundo disse, nos jogos da UEFA desde 2010, ocorreram cerca de 18 tentativas por partida, com um índice de sucesso de 44,8%. Na época de Pelé e Maradona, esse número era de 21, com 49,4% de sucesso.

De qualquer forma, vale destacar que a zaga atual provavelmente é muito mais “robusta” do que a de antigamente. E se avaliarmos o desempenho de Messi na Liga, onde seu índice de sucesso em jogadas mano-a-mano é de 55,3% — contra 35,6% da média —, isso deve ser considerado quando interpretamos os números da tabela. Bem, se você já o viu em campo, então sabe do que estamos falando! Agora, vamos aos dados que falam dos passes de cada jogador.

Passando a bola

De maneira geral, Messi (“A” e “B”) não só faz mais passes do que Pelé e Maradona faziam, como apresenta um maior índice de sucesso nas jogadas. Além disso, no quesito “toques de bola com passes bem feitos”, vemos qual dos três jogadores criaram situações que permitiram que seus times mantivessem a posse de bola por mais tempo, e aqui, também, Messi sai na frente. E falando em posse de bola...

É minha!

Para determinar o desempenho individual —não do time — dos três craques com respeito à posse, cada vez que um deles perdeu a bola, Benjamin considerou três cenários: perda de bola, seja “roubada” por outro jogador, durante um drible, passe errado ou que tenha resultado em uma jogada perdida; chutes ou chances perdidas, seja pelo próprio jogador ou pelo companheiro de equipe para quem ele passou a bola; e gols e passes bem sucedidos.

Como você viu, Pelé foi o que teve melhor desempenho, produzindo o maior número de gols por posse de bola, seguido por Messi e Maradona. Além disso, o brasileiro também era mais eficiente na hora de dominar e criar as jogadas do que perder a posse — o que provavelmente também resultava em benefícios secundários para o time, já que passes errados podem levar a cobranças de escanteio e contra-ataques dos adversários, por exemplo.

Trocando em miúdos

Estatisticamente falando, Pelé sai na frente quando o assunto é o índice de gols e assistências, tanto por jogo como por posse de bola. Além disso, os números mostram que, apesar de ele desperdiçar mais chutes ou oportunidades, ele perdia a bola para os adversários com menos frequência. Pelé também encarou menos zagueiros do que os argentinos, mas foi igualmente bem sucedido nessas jogadas.

Sobre os passes de bola (passes “comuns”, não assistências), Pelé fica um pouco atrás de Messi — mas não muito! —, e com respeito aos chutes a gol, apesar de o índice de acertos ser parecido ao de “Messi-A” e um pouco inferior ao de “Messi-B”, o desempenho mais baixo se deve ao fato de o brasileiro arriscar chutes de fora da área o dobro de vezes que o argentino.

E mais: considerando os dados usados por Benjamin nesta análise, Pelé era tão bom quanto Messi em chutes de longa distância, e consideravelmente melhor em “disparos” feitos de dentro da área.

Comparando diferentes eras

Benjamin fez questão de esclarecer uma série de questões referentes aos seus cálculos, como o fato de ele não ser fã da ideia de fazer comparações entre atletas de eras diferentes. Segundo disse — e conforme mencionamos no início da matéria — muita coisa mudou no mundo dos esportes ao longo das décadas, e é bem provável que estrelas atuais massacrassem os heróis do passado na maioria das modalidades.

Assim, para fazer esta comparação possível, Benjamin considerou que (1) quando o desempenho de um atleta moderno é muito mais dominante do que o do passado, isso significa que o jogador atual quase certamente é o melhor. Entretanto, (2) se a performance do craque moderno é apenas um pouco mais dominante do que a do antigo, podemos assumir que o esportista atual provavelmente é o melhor.

Por outro lado, (3) se o jogador histórico teve um desempenho muito mais dominante do que o do atleta atual, então existe alguma chance de ele fosse melhor. E (4) se a performance do craque antigo é apenas um melhor do que a do futebolista atual, não podemos tirar nenhuma conclusão disso! Com essas questões explicadas, Benjamin concluiu que Messi x Maradona se encaixam mais nas duas primeiras opções, enquanto Messi x Pelé condiz mais com as duas últimas.

Conclusões

Antes de você sair comemorando a “vitória estatística” de Pelé sobre os argentinos, Benjamin explica que a análise não prova que nenhum dos três jogadores era melhor do que os outros dois. Isso porque, além das questões históricas envolvidas na comparação, a amostra considerada — especialmente a de Pelé, com 8 jogos apenas — é muito pequena.

No entanto, se deixarmos um pouco de lado essas colocações e considerarmos os dados que temos em mãos, podemos concluir que Messi é melhor do que Maradona, já que ele consistentemente sai na frente — e com uma margem considerável — em praticamente todos os quesitos analisados. E isso que Messi joga em uma era mais técnica e estrategicamente forte do que Dieguito.

Por outro lado, quando colocamos Messi e Pelé lado a lado, por mais incríveis que sejam os números do argentino, os dados do brasileiro se igualam ou se sobressaem em todos os índices — principalmente no que diz respeito à efetividade em colaborar com a criação de jogadas que acabaram em gols ou que, pelo menos, levaram perigo à meta adversária.

Com isso em mente, se Messi é mais jogador do que Maradona, o mesmo não pode ser dito nas comparações com Pelé. Resumindo: seja de acordo com os depoimentos de quem teve o prazer de ver os três em campo ou seja seguindo os números citados na análise, se trouxermos tudo isso para a ponta do lápis, Pelé, o Rei do Futebol, continua sendo o dono do trono!

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