5 formas mitológicas de se tornar imortal
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5 formas mitológicas de se tornar imortal

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Não é de hoje que tentamos driblar a mortalidade de nossos corpos e viver eternamente. Na literatura, em obras de ficção ou de caráter mitológico, há vários registros desse desejo do homem de prolongar a vida.

O pensamento sobre a imortalidade tem, em geral, duas variações: aquela em que a eternidade é vista como uma exacerbação do gosto de viver, e outra em que a imortalidade é como uma maldição – dos deuses, das trevas, ou de criaturas vampirescas – que prendem os humanos em um tempo que nunca passa.

Ao longo da história da humanidade, a luta para vencer a mortalidade sempre conduziu narrativas heroicas, feitos grandiosos e aventuras épicas. Nos dias atuais, podemos ver esse desejo representado em pesquisas médicas e científicas que tentam driblar o tempo da natureza.

Além dos avanços da medicina, que aumentam cada vez mais o tempo e qualidade de vida, podemos notar também pesquisas na área de tecnologia que tentam traduzir essências de vida em projetos robóticos e cibernéticos, superando a limitação imposta pelo corpo.

Apesar de todas essas especulações e ideais sobre a busca da imortalidade, a realidade que temos é, invariavelmente, outra – e não há magia ou pílula capaz de mudar isso. Como meros mortais, o que nos resta é conferir 10 maneiras descritas em mitologias de enganar a morte e viver para sempre.

1. A Lenda de Sísifo

Na mitologia grega, é comum encontrarmos narrativas de mortais que desafiavam os deuses do Olimpo e eram castigados, por eles, às vezes por toda eternidade.

Uma dessas histórias acompanha a lenda de Sísifo, um mortal que tinha muita sede de viver uma esperteza de enganar os deuses que era quase arrogante. Suas atitudes provocaram a ira de Zeus, e Sísifo teve sua morte sentenciada.

Porém, quando Tânato, o deus da Morte, chegou ao seu encontro, Sísifo conseguiu aprisioná-lo com um colar, impedindo que ele e outras pessoas morressem. Hades, o deus dos mortos, e Ares, o deus da guerra, que precisavam muito dos serviços de Tânato se irritaram com a brincadeira de Sísifo.

Tânato foi solto, e Sísifo condenado. Mesmo depois de ter sido levado ao submundo, Sísifo conseguiu enganar novamente os deuses, pedindo o prazo de um dia de vida para se vingar da mulher que não enterrou seu corpo. Tudo era na verdade mais um plano para Sísifo escapar e fugir com a esposa em vida.

Após morrer de velhice, Sísifo foi considerado um rebelde por Zeus e recebeu uma punição para toda a eternidade. Ele era obrigado a rolar uma grande pedra de mármore até o cume de uma montanha todos os dias, sendo que à noite ela descia novamente a montanha e voltava ao mesmo ponto inicial.

Fonte da imagem: Reprodução/Portal dos Mitos

É por isso que usamos a expressão “trabalho de sísifo” para referir a tarefas que exigem esforços inúteis e que não chegam a lugar nenhum.

2. O Santo Graal

Uma das peças da mitologia cristã mais polêmicas e cercada de mistério, o Santo Graal é considerado por muitos como a taça que Jesus utilizou na última ceia, e se tornou uma das relíquias procuradas no mundo todo.

Acredita-se também que o Santo Graal tenha sido usado por José de Arimateia para coletar o sangue de Cristo enquanto ele estava na cruz. Há ainda outra interpretação que designa o Santo Graal como Sangue Real, mesmo que sem fundamento histórico, para sugerir a descendência de Jesus com Maria Madalena.

É, porém, na lenda arturiana que o Cálice Sagrado assume uma representação de imortalidade através de Galahad. Os Cavaleiros da Távola Redonda tinham a missão de encontrar o Santo Graal, e Galahad, por sua pureza e piedade, é considerado o único a realmente alcançar a taça mitológica.

Fonte da imagem: Reprodução/Art Chive

Sir Galahad é levado aos céus ao encontrar o Cálice Sagrado, e a lenda conta que ele conquistou a imortalidade pelo seu feito.

3. A Sereia de Ningyo

Na mitologia japonesa, existe uma criatura semelhante a uma sereia chamada de “ningyo”. Uma mistura de carpa com macaco, esse animal é associado a maus presságios e azar se capturado do mar.

Tal como as histórias de sereias que conhecemos, seu conto é trágico e romântico. Apesar da aparência um tanto grotesca, a ningyo poderia assumir uma forma humana se chorasse de emoção.

Fonte da imagem: Reprodução/Lucky Gala

Na lenda japonesa, a ningyo é também conhecida por ter uma carne deliciosa e muito apetitosa, e quem a comesse poderia ter a desejada imortalidade.

Uma das histórias desse mito conta a o caso de uma garota que comeu, desavisada, a carne de uma ningyo e foi amaldiçoada com a imortalidade. Depois de anos de tristeza pela perda de tantos maridos e filhos, ela se dedicou ao budismo e, pela sua santidade, foi-lhe concedido o direito de morrer aos 800 anos de idade.

4. A Fonte da Juventude

Em diversas culturas e mitologias, há sempre o relato de águas milagrosas com poderes de rejuvenescer ou conceder a imortalidade a quem tivesse a chance de beber ou se banhar nesses mares e rios.

Um dos contos mais conhecidos a esse respeito é do explorador espanhol Ponce de León, que supostamente buscou a tal fonte da juventude em suas viagens pela América na época do Renascimento e das Grandes Navegações.

Fonte da imagem: Reprodução/Wiki Commons

A história de Ponce de León ajudou a disseminar o mito contemporâneo da fonte da juventude, que seria capaz de deixar os mais velhos mais jovens novamente. Não há documentos oficiais sobre a expedição desse explorador, muito menos provas de que ele tenha encontrado qualquer coisa semelhante a um rejuvenescedor natural feito de águas cristalinas.

5. Frutas místicas e milagrosas

De maneira similar ao fruto proibido de origem bíblica, outros frutos estão associados a condenações ou purificações dependendo da interpretação de suas lendas.

Na mitologia grega, a ambrosia era considerada o manjar dos deuses e poderia conceder a imortalidade aos humanos que a experimentassem. Mas a bebida deveria ser consumida com o consentimento dos deuses, caso contrário poderia levar a uma severa punição a quem a bebesse.

Fonte da imagem: Reprodução/Wiki Commons

Na mitologia nórdica, são as maçãs douradas que garantem a vida eterna e a juventude aos deuses. Em uma de suas narrativas, Loki é persuadido a roubar os pomos de ouro, fazendo os deuses envelhecer e enfraquecer. Ao ser descoberto, Loki é obrigado a reaver as frutas e restabelecer os poderes de seus superiores.

Já no romance chinês Jornada ao Oeste, o ser mitológico Sun Wukong, o Rei Macaco, rouba uma plantação de pêssegos da imortalidade da Rainha Mãe do Ocidente, Xi Wangmu, e acaba consumindo uma dessas frutas que concede a ele mil anos de vida. Nessa lenda, o pessegueiro da imortalidade rende frutos apenas a cada 3.000 anos, e a Rainha oferece sua colheita aos deuses, para mantê-los sempre vivos.

*Publicado em 19/9/2013

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