Você sabe quem inventou e como funciona a lavagem a seco?
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Você sabe quem inventou e como funciona a lavagem a seco?

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Você já levou uma roupa para ser lavada a seco? Muita gente recorre a esse processo — feito em lavanderias especializadas — para a limpeza de peças mais finas como vestidos de festa ou conjuntos de ternos.

Mas, você sabe como é feita a lavagem a seco e quem começou essa história toda de conseguir limpar uma roupa sem utilizar água? Confira abaixo:

Desde os tempos antigos

Segundo o pessoal do Today I Found Out, os primeiros registros de limpeza a seco profissional vêm lá do tempo dos antigos romanos. Esse fato foi concluído quando “lojas” de limpeza a seco foram descobertas nas ruínas de Pompeia, a cidade romana que foi drasticamente soterrada pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 depois de Cristo.

De acordo com as descobertas, as pessoas que faziam o serviço de limpeza a seco utilizavam um tipo de argila misturada com soda cáustica e amônia (oriundo de urina humana e animal), a fim de remover as manchas, como terra e suor, das roupas.

O processo seria bastante eficaz, desde tecidos normais a delicados, para remover manchas que não saíam em lavagem comum com água. Para fazer a mistura, eles coletavam urina de animais e de pessoas em grandes jarros em banheiros públicos da cidade.

A modernização

Muitos séculos depois, mais precisamente no século 19, uma revolução na lavagem a seco aconteceu quando um incidente aconteceu na casa de Jean Baptiste Jolly da França. A história conta que em 1825, uma empregada descuidada derrubou uma lamparina e derramou terebintina (um solvente e diluente) sobre uma toalha de mesa suja.

O observador Jolly notou que, quando a terebintina secou, as manchas existiam na toalha sumiram do tecido. Para verificar se aquilo realmente funcionava, ele realizou um experimento onde banhou toda a toalha da mesa em uma banheira cheia de terebintina e descobriu que ela ficou limpinha assim que secou.

Jolly aproveitou a descoberta e abriu a primeira loja de limpeza de roupas que usava o serviço como seco, em Paris. No entanto, a patente para o processo chamado de "lavagem a seco" já havia sido feito nos Estados Unidos em 1821, quatro anos antes da descoberta de Jolly.

Essa patente havia sido registrada por Thomas Jennings, que era alfaiate e tinha uma loja de roupas em Nova York. Ele era um afro-americano e foi o primeiro deles a ter uma patente concedida nos Estados Unidos. Antes disso, era decretado que apenas os donos dos escravos tinham o direito de propriedade de quaisquer invenções deles.

Experiências e solventes

Thomas Jennings ouvia muito de seus clientes que não conseguiam tirar manchas e limpar adequadamente as roupas mais delicadas. Pensando nisso, ele passou a experimentar diferentes soluções e processos de limpeza antes de descobrir aquele que ele chamou de "lavagem a seco".

Seu método era um sucesso e não o deixou muito rico, mas permitiu-lhe tirar a sua esposa e seus filhos da escravidão, além de ajudar fundos de inúmeros esforços abolicionistas.

O problema é que o método que ele usava se perdeu na história com o registro de sua patente, que foi destruído em um incêndio em 1836. O que se sabe é que, depois dele, o mercado de lavagem a seco passou a usar produtos como aguarrás, benzina, querosene e até gasolina como solventes no processo de limpeza.

Outro ponto problemático é que todos esses produtos tornavam o trabalho perigoso, pois eram altamente inflamáveis e tóxicos para quem lidava com o serviço ou até para os proprietários das roupas se as substâncias impregnassem em certas quantidades.

Cuidados com os materiais

Devido a esses perigos, muitos acidentes ocorreram e a maioria das cidades proibiu que as lavanderias fossem instaladas na parte central dos municípios, exigindo que elas ficassem em áreas bem mais afastadas.

Com isso, em muitos lugares, o serviço passou a ser da seguinte forma: as roupas dos clientes eram recolhidas em suas casas e transportadas para as lojas fora dos limites da cidade, onde passavam pelo processo de limpeza a seco. Mas só isso não foi o suficiente para evitar alguns incidentes com produtos inflamáveis.

Por essas razões, passou-se a pesquisar por uma alternativa mais segura e os solventes clorados ganharam popularidade no início do século 20, deixando rapidamente os solventes inflamáveis para trás.

Esses produtos removiam manchas tão bem quanto os produtos de limpeza à base de petróleo, sem o risco de que as roupas ou tecidos pegassem fogo. Para os donos de lavanderia, isso também foi um alívio, pois eles puderam instalar novamente as suas lojas no centro das cidades, eliminando ainda a necessidade de transporte das roupas em longas distâncias.

Outras substâncias

Aconteceu então que o “queridinho” dos solventes à base de cloro, o tetracloroetileno (também conhecido como percloroetileno), surgiu e tornou-se o produto favorito para limpeza a seco na década de 1930.

A sua eficácia era a melhor entre todos os outros, apesar de não poder ser utilizado em algumas máquinas. Até hoje, ele é o produto escolhido na maioria das lavanderias a seco.

Porém, atualmente se enfrenta outro problema com o produto. Apesar de ele ser muito mais seguro do que a maioria dos solventes usados no passado, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos está trabalhando para eliminá-lo da indústria.

A agência afirma que, enquanto vestir roupas tratadas com o percloroetileno parece não ser perigoso, a substância pode ser perigosa se liberada acidentalmente para o meio ambiente, pois é tóxico para plantas e animais, podendo ser ainda muito prejudicial ao homem em exposição prolongada.

Processo de limpeza

Mas como realmente funciona o processo de limpeza a seco de tecidos? Basicamente, antes de colocar a peça de vestuário nas máquinas, as manchas recebem um pré-tratamento a mão, além de serem removidos possíveis materiais que não são adequados para a limpeza a seco (como botões).

A máquina funciona de forma semelhante às máquinas de lavar roupas comuns, agitando as peças com o solvente. A temperatura também é controlada a cerca de 30 graus Celsius. Em seguida, as peças são secas na mesma máquina ou os funcionários a colocam em uma separada.

Durante o ciclo de secagem, a temperatura é elevada para cerca de 60 graus Celsius, o que ajuda os produtos químicos a evaporarem mais rapidamente dos tecidos, enquanto continua a ser baixa o suficiente para não danificar a roupa. Assim que elas secam, são então passadas e, possíveis acessórios que foram retirados são colocados novamente para a entrega perfeita ao proprietário.

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