Novo componente é capaz de 'explodir' células de câncer de cérebro

Novo componente é capaz de 'explodir' células de câncer de cérebro

Um estudo publicado hoje no site de estudos médicos Cell divulgou informações bastante interessantes sobre o tratamento de câncer de cérebro. Ao analisar mais de mil amostras de cérebros de ratos infectados, os cientistas conseguiram identificar um componente capaz de explodir as células com o tumor mais agressivo do câncer de cérebro, conhecido como gliobastoma multiforme (GBM).

As pesquisas foram realizadas somente com ratos de laboratório, então muitas melhorias ainda devem ser feitas antes que as aplicações aconteçam em seres humanos. Atualmente, somente 5% dos pacientes que possuem o GBM sobrevivem mais do que três anos depois de diagnosticados, sendo que uma média de vida após descobrir o tumor no cérebro é de mais ou menos 15 meses. “Mesmo quando tratamentos agressivos são realizados, o GBM é essencialmente incurável”, escreveram os pesquisadores no estudo – e é por isso que a descoberta é tão importante.

Devido a esses fatores, encontrar quaisquer tipos de vulnerabilidades nessas células é algo que deve ser investigado. E foi assim que os cientistas chegaram ao componente "Vacquinol-1", que felizmente apresentou um comportamento destrutivo somente nas células de câncer. Essa molécula é capaz de desativar a habilidade das células de câncer de controlar o que pode entrar e sair de suas paredes celulares. Desse modo, "pacotes" de água são acumulados nas células de câncer, chamados de vacúolos. Graças a esse efeito, as células eventualmente ficam estufadas com o líquido e explodem.

Tratamento direto nas células de câncer

O fator mais interessante do estudo é que as células que não estão infectadas pelo tumor são deixadas completamente ilesas, já que o "Vacquinol-1" não as atinge – o que faz desse um tratamento específico para o gliobastoma multiforme (GBM). Contudo, há muitos estudos que ainda devem ser feitos para comprovar a eficácia de tal componente em seres humanos.

O tratamento realizado com os ratos não ocasionou efeitos colaterais significativos nos animais, sendo que eles conseguiram eliminar 100% das células infectadas, além de viverem 50 dias a mais do que os ratos que não receberam qualquer tratamento. 

Entretanto, o pesquisador Ravi Bellamkonda, que não participou do estudo, afirmou que apesar de interessantes os resultados em humanos podem ser muito diferentes, já que doses bem maiores da droga "Vacquinol-1" deverão ser aplicadas, ocasionando efeitos colaterais até então desconhecidos. Seja como for, o resultado inicial já é bastante positivo e abre novas portas para o tratamento (e a cura!) do câncer de cérebro, especificamente. 

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