Sim, você também tem hemorroidas
128
Compartilhamentos

Sim, você também tem hemorroidas

Último Vídeo

Eis aqui o tipo de assunto que mesmo as pessoas menos recatadas pelo menos baixam o tom da voz para abordar. Ou isso ou a coisa se apresenta como piada — já que o bom humor ainda parece ser um dos melhores preservadores da honra. Entretanto, vamos lá, sem papas na língua: sim, todo mundo tem hemorroidas. Não, isso não exclui a santidade particular das suas partes pudendas.

Por quê? Simplesmente porque há um equívoco na forma como o termo “hemorroida” é normalmente utilizado. De fato, o termo se refere a uma estrutura perfeitamente normal do corpo humano, cujo objetivo é proteger os músculos do esfíncter anal (responsáveis pela abertura e fechamento do ânus), fechando o orifício em momentos de aumento da pressão abdominal — quando você tosse, por exemplo.

Dessa forma, quando a maior parte das pessoas se refere às “hemorroidas”, elas pretendem, antes, se referir à doença hemorroidária, configurada pela dilatação das veias locais, acompanhada ou não por inflamação, hemorragia ou trombose.

Bem, mas como exatamente isso se dá? Da coceira que faz algumas pessoas sonharem com lixas ao incômodo de outras que andam com pequenas boias/almofadas para cima e para baixo... Para tudo há uma explicação, é claro.

Controle de fluxos

Pesquisas mostram que, ali pelos 50 anos, aproximadamente metade das pessoas passa a experimentar alguma anormalidade no funcionamento das hemorroidas. Normalmente isso se reflete em protusões locais, inflamações acompanhadas de dor e/ou coceira. Bem, embora as ditas “hemorróidas” (na acepção popular) não sejam uma exclusividade de pessoas com mais anos nas costas, é daí que sai o índice de como a coisa funciona.

O ânus é controlado por um dos diversos esfíncteres distribuídos pelo corpo. Trata-se de músculos semelhantes a uma rosquinha, cuja função primordial é a de regular o trânsito de sólidos e líquidos pelo corpo humano. Por exemplo, o esfíncter inferior do esôfago e o esfíncter pilórico controlam, respectivamente, a entrada e a saída de alimentos do seu estômago.

Quando estão relaxados, esses músculos permitem o livre fluxo. Entretanto, o mais normal é que estejam contraídos, a fim de manter as coisas nos seus devidos lugares durante o tempo necessário, por assim dizer. Um mau funcionamento pode, por exemplo, trazer uma bela crise de azia, conforme o ácido estomacal ganha livre trânsito através da abertura superior do estômago — dando a impressão de “queimar”.

Uma almofada natural

Bem entendido o funcionamento das “rosquinhas” distribuídas pelo corpo humano, basta, então, imaginar as hemorróidas como uma “almofada” que reveste o esfíncter anal. Altamente vascularizadas, essas estruturas se encontram dispostas em três áreas principais — partes direita, traseira e posterior do canal.

Na verdade, esses acolchoamentos são formados por tecido conjuntivo elástico e músculos lisos. Entretanto, a maior parte deles não possui paredes musculares, tais como artérias e veias. Dessa forma, as hemorroidas são tecnicamente chamadas de sinusoides — pequenos vasos sanguíneos, como um capilar —, os quais acabam inchando caso o sangue não seja capaz de deixar suas estruturas.

“Alto! Quem vem lá?”

Nos momentos em que você está relaxado, entre 15% e 20% da pressão que mantém o canal anal fechado provêm das hemorroidas. Entretanto, quando há um aumento da pressão abdominal — quando você espirra, por exemplo —, esse quadro é alterado. Nesses momentos, o sangue que volta para o coração, proveniente da veia cava inferior, acaba reduzido.

Como resultado, as “almofadas” se incham, pressionando o esfíncter. Parece pouca coisa? Bem, é justamente isso que impede que um espirro invariavelmente termine na situação incrivelmente constrangedora de um vazamento dos conteúdos intestinais. Além disso, as hemorroidas também permitem saber, digamos, a “natureza” daquilo que se encontra na iminência de atravessar o ânus — gases, líquidos e sólidos.

Inchamento crônico (e a origem da maldita coceira)

Tendo em vista que o inchamento ocasional das hemorroidas é algo perfeitamente normal e saudável, convém, por fim, esclarecer quando há, de fato, um problema relacionado à estrutura. Basicamente, os inconvenientes comumente associados à doença hemorroidária ocorrem quando há o inchamento crônico das hemorroidas, em que há a permanência de quantia anormal de sangue por período continuado.

Vale lembrar, ainda, que há dois tipos de hemorroidas — classificadas de acordo com a formação interna ou externa de protuberâncias. Convencionalmente, o ponto diferencial entre ambas encontra-se na chamada linha pectínea. Abaixo dessa linha, há, portanto, as protuberâncias externas, em uma região coberta por uma pele profusamente enervada, com fibras conectadas ao nervo pudendo.

Eis aí, portanto, a razão para os temíveis caroços, que tanto podem doer como coçar muito. Há também outros sintomas possíveis, como uma vontade constante de defecar — que não passa mesmo quando se evacua — até a presença sangue e muco nas fezes

No caso das protuberâncias internas, convencionou-se cinco estágios sintomáticos para a doença hemorroidária:

  • No Grau I, há um aumento em número e tamanho das veias hemorroidárias, sem a existência de prolapso (sem que os chamados “mamilos hemorroidários” possam ser percebidos na porção externa do canal anal.
  • No Grau II, os mamilos hemorroidários se apresentam fora do canal anal no momento da evacuação, embora retornem espontaneamente para dentro.
  • No Grau III, o quadro é semelhante ao Grau II, embora, neste caso, o prolapso hemorroidário precise de ajuda manual para retornar ao interior do canal anal.
  • No Grau IV, há um prolapso hemorroidário permanente e irredutível, quadro em que, naturalmente, o desconforto é mais acentuado.

Possíveis causas para o inchamento crônico

Na verdade, qualquer coisa que provoque o aumento da pressão abdominal pode causar o inchamento crônico das hemorroidas. Entretanto, há os chamados fatores de risco, os quais normalmente aparecem associados à maior incidência da doença, entre os quais se incluem:

  • Gravidez;
  • Constipação crônica;
  • Levantamento de pesos excessivos;
  • Esforço para defecar;
  • Obesidade; e
  • Idade avançada.

Embora ainda careça de mais reforços científicos, alguns estudos indicam também que o aparecimento da doença hemorroidária pode ter ligação com herança genética — de forma que, caso alguém na sua família tenha problemas relacionados, a possibilidade de você também os ter seria aumentada.

Tratamentos dependem do estágio da doença

O tratamento para as doenças hemorroidárias depende, é claro, da severidade de cada caso. Em quadros mais brandos, é possível o tratamento apenas sintomático, com medicamentos administrados a fim de reduzir a inflamação, laxantes (em caso de constipação), analgésicos e também pomadas para diminuir a coceira no local.

Em casos mais graves, o médico normalmente opta por remover ou reduzir as protuberâncias, o que pode ser feito de várias formas possíveis. Por exemplo, é possível “matar” um mamilo hemorroidal prendendo um elástico na sua base — de maneira que, interrompido o fluxo sanguíneo, a estrutura acaba simplesmente caindo após alguns dias.

Também é possível injetar medicações na protuberância, a fim de fazê-la encolher, em um procedimento conhecido domo escleroterapia. Naturalmente, também a cirurgia é uma opção, tanto para remover a protuberância quanto para impedir o afluxo sanguíneo.

Na dúvida, procure um bom médico

Dessa forma, resta que, sim, todos têm hemorroidas. A diferença encontra-se em no funcionamento normal ou alterado da estrutura, o que, como se viu, pode ser alterado por inúmeros fatores e segundo vários graus de severidade — além da forma sussurrada ou escancarada com que cada um admite ter problemas com a doença, naturalmente.

Entretanto, tiradas bem-humoradas à parte, a doença hemorroidária pode mesmo causar sérios problemas se não tratadas — de forma que é sempre recomendável buscar assistência com um bom médico de confiança.

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.