Médico promete salvar pacientes de câncer usando veneno de escorpião
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Médico promete salvar pacientes de câncer usando veneno de escorpião

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A ciência avança cada dia mais e uma das principais preocupações da área da medicina é a descoberta da cura para o câncer. Muita coisa está sendo feita para que pessoas que sofrem dessa terrível doença possam ter uma expectativa maior de cura. Não é fácil, mas os pesquisadores continuam correndo atrás de todas as formas.

É o caso do médico e cientista Jim Olson, que afirma ter descoberto uma maneira de isolar as células cancerígenas daquelas que são boas, permitindo a retirada somente das células doentes. Sabendo exatamente em que local está a linha limite, os médicos podem arrancar o câncer sem prejudicar o material necessário para a total recuperação do paciente.

O material usado para que se faça essa discriminação é o Tumor Paint (pintura de tumor, em tradução livre), um produto que dá um brilho fluorescente às células malignas, permitindo identificá-las e removê-las imediatamente. Esse composto tem como principal ingrediente uma molécula encontrada no ferrão do mortal escorpião Deathstalker.

Esse é o motivo de toda a polêmica. A comunidade científica acha que o Tumor Paint é uma mistura estranha demais para ser verdade. Sabe-se que o veneno desse tipo de escorpião tem os seus benefícios, mas também causa sérios danos, como parada cardíaca e até a morte, principalmente em pessoas com imunidade baixa como os pacientes de câncer.

O início de tudo

O doutor Olson resolveu dar início a esse experimento depois de receber em seu consultório, em 1995, o garoto Hayden Strum, de apenas 6 anos de idade, que sofria de um perigoso tumor no cérebro. O médico estava apenas começando sua carreira como oncologista e o tratamento do menino realmente o marcou.

Foram feitas diversas sessões de quimioterapia, além de cirurgias de grande porte, mas infelizmente nada pôde salvar a vida de Hayden. “Eu decidi que eu nunca iria criar uma experiência apenas para obter promoção. (...) Toda experiência que eu já fiz ia ser com a certeza de que outros meninos e meninas não passariam pelo que Hayden passou”.

Jim Olson demorou uma década apenas em sua pesquisa para resolver um dos problemas mais preocupantes da oncologia: o limite preciso de um tumor. A ressonância magnética pré-operatória proporciona apenas um guia para as bordas irregulares, mas lascas do câncer acabam se misturando aos tecidos bons, o que pode ocasionar a morte do paciente.

Utilizar veneno de escorpião para desenvolver o Tumor Paint foi uma tática ousada e as organizações doadoras descartaram o financiamento porque consideraram a ideia bizarra. Então o doutor Olson começou a aceitar doações de pessoas físicas, grande parte famílias de atuais e ex-pacientes, para desenvolver sua pesquisa.

Prós e contras

Por causa do Tumor Paint, Jim Olson tem se destacado no campo da pesquisa sobre o câncer. Consequentemente, o médico ganhou alguma fama, fazendo com que pessoas de vários lugares do mundo o procurem para saber mais sobre seus experimentos e, talvez, ter maior expectativa de cura. É o que eles acreditam.

Alguns cientistas criticam a conduta do doutor Olson, dizendo que ele está oferecendo mais esperança para essas famílias e pacientes do que ele pode oferecer. O médico rebate, dizendo que é por causa deles (familiares) que tudo isso é possível. “Sem eles, o Tumor Paint não existiria. Simples assim”.

Chlorotoxin

Jim contou com a ajuda de Patrik Gabikian, um jovem médico, para encontrar uma molécula capaz de se trancar em células tumorais, ignorando as células saudáveis ao redor. Durante muito tempo, Gabikian entregou uma lista para Olson, que ignorava todas elas. O interesse do cientista foi despertado quando ele teve conhecimento do chlorotoxin, a substância encontrada no veneno do escorpião Deathstalker.

Na China imperial, esse veneno já era utilizado para o tratamento de doenças diversas, como papeira e o tétano. Já em algumas localidades rurais da Índia, o próprio escorpião inteiro era mergulhado em óleo de mostarda e esfregado nas articulações para tratamento de doenças reumáticas. Ultimamente, ele tem sido estudado por desenvolvedores de pesticidas, pois o veneno possui neurotoxinas contra gafanhotos e besouros.

Porém, essa substância precisa ser manuseada com toda a atenção e uma boa dose de coragem por parte dos técnicos que lidam com esse tipo de trabalho. O veneno do escorpião Deathstalker está entre os mais perigosos do mundo. Ele possui inúmeras toxinas individuais que atacam alvos diferentes dentro do corpo da vítima.

Os pesquisadores afirmam que o chlorotoxin (a molécula retirada do veneno e utilizada no Tumor Paint) é inofensivo para as células boas dos seres humanos. Ele reage somente em contato com as células cancerígenas. Esse fato foi descoberto por acaso, em 1994, durante pesquisa contra o glioma, um tumor cerebral perigoso, e utilizado por Gabikian e Olson.

Toda a fé no Tumor Paint

O laboratório Fred Hutchinson, de propriedade do doutor Olson, trabalha arduamente na pesquisa do Tumor Paint, sempre com o apoio das famílias dos pacientes do médico, que expressam sua gratidão fazendo doações para que os estudos continuem. Eventos e torneios também são feitos para arrecadar dinheiro para os salários dos funcionários.

As pessoas depositam toda a fé no Tumor Paint, até mesmo por aqueles que já se foram. É o caso de Kris Forth, cujo filho, Brandon, teve várias cirurgias para remover um tumor do cérebro. “Havia sempre um pedaço do câncer do lado esquerdo. Se o Tumor Paint estivesse disponível, então, provavelmente, o resultado seria outro”.

O Tumor Paint é um exemplo perfeito de uma inovação que tem recebido atenção por causa da paixão de um médico. O composto ainda está na primeira fase de testes e ainda tem mais duas fases até poder provar sua segurança e eficácia para os reguladores federais.

Hoje, Patrik Gabikian, o ex-residente que ajudou Jim Olson trazendo chlorotoxin até o médico, teme que o talento de Olson para contar histórias dê uma esperança indevida para as pessoas que sofrem de câncer. Jim descarta tais críticas e diz que essa esperança é o que impulsiona cada vez mais a pesquisa biomédica.

Olson está disposto a suportar tudo o que a crítica diz da sua maneira e de seu experimento. Tudo o que ele quer é que os críticos mudem seu pensamento visitando uma ala de oncologia pediátrica para que, assim, pudessem apoiar o projeto que visa somente o bem-estar de crianças (e adultos) que sofrem dessa terrível doença.

Se você quer saber mais sobre o Tumor Paint, visite o Wired e leia a matéria completa.  

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