Transplante de Cabeça: será que isso é possível?
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Transplante de Cabeça: será que isso é possível?

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Esse papo de troca de cabeças surgiu há uns três anos mais ou menos, quando um cirurgião italiano chamado Sergio “Frankenstein” Canavero anunciou que estava se preparando para fazer a operação — e o cara inclusive chegou a marcar uma data: dezembro de 2017.

Muita gente chegou a pensar que essa história toda de cientista italiano era fake e fazia parte de uma ação pra promover o game Metal Gear Solid. Só que, de lá pra cá, o italiano publicou diversos estudos em periódicos científicos de renome e até o protocolo que ele vai seguir na cirurgia. E tantos cirurgiões e cientistas de instituições superprestigiosas se manifestaram sobre o assunto que, ao que tudo indica, o tal do Canavero pretende fazer a cirurgia acontecer sim.

Testes em animais

Além disso, agora tem um médico chinês — o Ren Xiaoping — dizendo que também vai fazer a operação. Ele já fez por volta de mil experimentos com ratinhos de laboratório e disse que começou a praticar com cadáveres humanos. 

Esse cara é colega de Canavero e participou de uma cirurgia-teste com o italiano onde os dois dizem que conseguiram fazer o transplante de cabeça em um macaco. A operação aconteceu na China e, segundo os médicos, o bicho sobreviveu sem sofrer lesões neurológicas, mas teve que ser sacrificado 20 horas depois por questões éticas.

Não é de hoje que os transplantes de cabeça são testados em animais. Entre as décadas de 30 e 50, por exemplo, o soviético Vladimir Demikhov fez vários experimentos, e chegou a chocar o mundo quando apresentou um pastor alemão adulto com metade do corpo de um filhote preso no pescoço. Detalhe: os dois bichinhos conseguiam se alimentar ao mesmo tempo

Mais tarde, na década de 70, um médico norte-americano chamado Robert White fez um transplante de cabeça em um macaco, e o pobrezinho sobreviveu um dia e meio. O bicho não recuperou os movimentos do corpo, mas preservou funções como a audição, o olfato, a visão e o paladar.

Como vai funcionar a operação

Mas, voltando ao transplante em humanos, resumidamente, a cirurgia envolve resfriar o corpo do doador e do paciente que vai receber o transplante a uns 12 ou 15 graus e, depois, dissecar os tecidos dos pescoços dos dois, cortar as cabeças e posicionar a do paciente no corpo do doador.

Então, as artérias, veias, vasos sanguíneos, músculos, nervos e todas as outras estruturas serão interligadas. Mas a parte mais complexa da operação é a fusão das medulas, para que o cara que passar pelo transplante possa se mexer do pescoço para baixo.

Pense nas medulas como uma porção de espaguete. Para unir a medula do paciente com a do doador, os médicos vão usar um polímero que vai ser aplicado repetidamente depois da operação sobre o “macarrão” para que as medulas “grudem”.

Por último, o paciente vai ser mantido em coma por umas três ou quatro semanas para evitar que ele se mexa, e vão implantar uns eletrodos no cara para estimular a medula e fortalecer as novas conexões nervosas com choquinhos.

Os maiores desafios

Parece complicado? Então deixa eu te contar quais vão ser alguns dos maiores desafios dos médicos! Pra começar, em qualquer transplante, o tecido doado precisa ser mantido vivo até a cirurgia. Só que, assim que um órgão é removido do organismo, ele começa a morrer. Para frear esse processo, os médicos colocam os tecidos em uma solução salina gelada e, no caso do rim, esse método mantém o órgão viável por até 48 horas, o fígado por até 24 e o coração, entre 5 e 10 horas, por exemplo.

Acontece que a cabeça guarda vários órgãos — é nariz, boca, pele, olhos —, dois sistemas de glândulas (o salivar e o pituitário, que controla a circulação de hormônios no organismo) e o cérebro, gente, que é o nosso centro de comando.

o procedimento vá durar por volta de 36 horas e envolver uma equipe de cerca de 150 cirurgiões e enfermeiros, a conexão da cabeça tem que ser feita em menos de uma hora! 

Além disso, apesar de os médicos estimarem que todo o procedimento vá durar por volta de 36 horas e envolver uma equipe de cerca de 150 cirurgiões e enfermeiros, a conexão da cabeça tem que ser feita em menos de uma hora! Pense no trabalhão de dissecar os pescoços do doador e paciente, separar veias, vasos, artérias, nervos, músculos, medula e todo o resto e interligar tudo isso. Em menos de sessenta minutos.

Ainda tem a questão da fusão da medula. Os médicos estão apostando que vai dar certo, mas se ela não acontecer, o cérebro do paciente e o corpo do doador não vão “conversar”. E ficar em coma por um período muito longo é arriscado, já que o risco de infecções e tromboses é muito alto nesse estado, e a atividade cerebral cai.

ficar em coma por um período muito longo é arriscado, já que o risco de infecções e tromboses é muito alto nesse estado, e a atividade cerebral cai.

Ah! Tem ainda o problema da rejeição! Se uma pessoa que recebe o rim de um doador sofre esse risco, imagine alguém que vai receber um corpo inteirinho! Os desafios são muitos, e isso que a gente nem mencionou as implicações éticas que um procedimento desses envolve.

Mas você pode contar aí nos comentários o que é que você acha sobre o transplante de cabeça — ou de corpo, sei lá! 

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