Cemitério descoberto no meio de deserto estava cheio de múmias naturais
67
Compartilhamentos

Cemitério descoberto no meio de deserto estava cheio de múmias naturais

Último Vídeo

Cemitérios geram as mais variadas reações, dependendo da crença de cada um. Ao mesmo tempo que podem ser considerados macabros, com espíritos aprisionados e almas em agonia, também possuem uma aura de libertação e tranquilidade, com seu costumeiro silêncio sendo um refúgio no meio de uma vida de stress e agitação.

Independente da visão, o local é palco de práticas religiosas, que demonstram o respeito e a consideração dos familiares pelo ente querido que faleceu. Durante os milhares de anos da civilização humana, cada cultura desenvolveu formas de lidar com a questão, refletindo na forma como os mortos são tratados. Não se sabe qual é o povo responsável pelas tumbas de Xiahoe, mas seus procedimentos acabaram mumificando os cadáveres de modo que até as sobrancelhas foram conservadas, mesmo 4 mil anos após a morte.

Tumbas de Xiahoe

No topo de uma duna de areia, no deserto de Taklamakan, dentro do território chinês, existe um cemitério demarcado por postes de madeira que sobreviveu a séculos de condições climáticas extremas.

Essa mesma adversidade, sempre com uma baixa umidade do ar, fez com que a preservação dos corpos ocorresse de modo extremamente eficiente, a ponto de ser possível identificar os contornos da face de algumas pessoas. Por conta disso, um desses cadáveres foi apelidado de “Bela do Xiahoe”, pois uma das múmias era a de uma bela mulher, da qual até mesmo os cílios sobreviveram ao tempo.

O local foi descoberto no início do século 20, por um morador local chamado Ördek. O Uigur se deparou com a infinidade de postes de madeira, junto de ossos humanos e objetos religiosos, o que o fez acreditar que o local era mal-assombrado, então se manteve afastado da região. Décadas após a descoberta, um arqueólogo sueco estava em expedição pela área, procurando ruínas relacionadas à Rota da Seda, quando foi orientado a falar com Ördek.

O morador local foi receptivo e o orientou sobre como chegar ao cemitério, mas se recusou a acompanhar o explorador, que acabou se deparando com os postes de madeira e nomeandos-o como Necrópole de Ördek. Bergman escavou a região e encontrou uma quantidade enorme de material, chegando ao ponto de escrever um livro sobre seu achado.

O que mais chamou a atenção do arqueólogo foi a maneira como os corpos eram enterrados, sempre abaixo de objetos de madeira que se assemelhavam a barcos virados. Após esse posicionamento, o casco era coberto com couro e enterrado na areia, junto com cestos de palha contendo trigo e outros grãos de alimentos. Toda a área possuía monumentos em forma de remo e figuras humanas em madeira.

Retomada chinesa

Até o início do século 21, o cemitério ficou esquecido; a situação mudou quando arqueólogos chineses resolveram conduzir uma expedição ao local, sem se limitarem às camadas superficiais. Eles procuraram novas múmias em níveis inferiores, e lá encontraram mais corpos e objetos, como animais esculpidos, pequenas máscaras e entalhes de órgãos genitais masculinos e femininos, tudo feito em madeira.

Após essa nova descoberta, o sítio arqueológico foi rebatizado como Tumbas de Xiaohe, homenageando um rio que atravessava a região, mas os arqueólogos ainda preferem chamar o local de Cemitério do Pequeno Rio Nº 5.

Além de todos os objetos encontrados, um dos pontos mais interessantes é que as múmias possuem fortes traços europeus, como cabelo castanho e narizes longos, apesar de as tumbas se localizarem em território chinês. Análises genéticas constataram que as pessoas enterradas ali realmente possuíam origens europeias, provavelmente frutos de um casamento entre europeus e siberianos há 4 mil anos, antes de desbravar o deserto.

A região já era muito árida na época em que os imigrantes chegaram, contudo sua sobrevivência foi possível somente durante o período em que os lagos e rios próximos existiram, situação que teve seu fim no ano 400 d.C.

***

Você conhece a newsletter do Mega Curioso? Semanalmente, produzimos um conteúdo exclusivo para os amantes das maiores curiosidades e bizarrices deste mundão afora! Cadastre seu email e não perca mais essa forma de mantermos contato!

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.