A história do farol que mais causou acidentes do que ajudou marinheiros
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A história do farol que mais causou acidentes do que ajudou marinheiros

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Quem mora em — ou já visitou — cidades costeiras certamente já teve a chance de ver um farol de perto. Para quem nunca esteve perto do mar, vale a pena ressaltar: não estamos falando do instrumento de iluminação veicular, mas sim daquelas gigantescas torres erguidas para auxiliar os marinheiros durante a navegação.

Durante o dia, o formato e as cores ajudam as embarcações a evitar zonas perigosas e encontrar o caminho até o porto mais próximo — durante a noite, essa comunicação é feita por um forte facho de luz. Acontece que, entre os anos 1860 e 1886, a Austrália teve um farol que serviu exatamente para o contrário: em vez de ajudar os navegantes, ele acabou culminando em nada menos do que 23 naufrágios.

Tudo começou quando o arquiteto colonial Alexander Dawson e seu assistente E.F. Millington foram contratados para erguer uma construção no Cabo de St. George, uma região particularmente perigosa localizada perto da Baía Jervis, na Austrália. Suas falésias já estavam famosas por causar acidentes marítimos, e, sendo assim, foi decidido que o local precisava de um farol para evitar mais mortes desnecessárias, guiando as embarcações pelo caminho correto.

Infelizmente, Dawson não era lá um profissional muito ético e estava mais preocupado em bolar um projeto de fácil execução do que construir algo que fosse realmente seguro. O Conselho de Pilotos, entidade máxima do transporte marítimo na época, analisou o projeto, e as autoridades perceberam que a localização escolhida pelo engenheiro não permitia a visualização do farol em determinados ângulos — tudo indica que Dawson queria construí-lo ali só pela proximidade de uma fonte de rochas que seriam usadas para erguê-lo.

O trabalho do arquiteto foi tão malfeito que um membro do Conselho chegou a afirmar que seu mapa tinha “discrepâncias de caráter tão grave que é impossível decidir se realmente existe alguma posição marcada no mapa”. Mesmo com todos esses problemas, a diretoria da assembleia resolveu aprovar o projeto, e o infame farol acabou sendo construído. Era uma tragédia anunciada.

Um desastre total

A edificação não era visível nem do sul e nem do norte da Baía Jarvis, e, com isso, mais de duas dezenas de navios acabaram se acidentando. Percebendo que havia algo de errado, o governo de Nova Gales do Sul chegou a montar uma comissão especial para apurar os erros do farol. Os especialistas disseram que o Conselho foi altamente negligente ao aprovar um projeto que continha tanto problemas — “erros muito graves, altamente censuráveis, que foram cometidos durante a construção do farol”.

Foi só em 1899 que um novo farol (projetado com mais carinho e cuidado) foi erguido. Trata-se do Point Perpendicular Light, que, embora desativado, existe até hoje. Já o farol do Cabo de St. George foi destruído — principalmente pelo fato de que, mesmo fora de funcionamento, sua estrutura feita de arenito dourado brilhava em noites de luar, o que também causava confusões entre os marinheiros. As ruínas da “obra arquitetônica” ainda são preservadas como patrimônio histórico, mas não podem ser visitadas.

A maldição de St. George?

Um detalhe bizarro nessa história toda é que, durante sua operação, o farol não fez vítimas apenas no oceano, mas também no solo. Vários de seus operários e seus familiares acabaram falecendo em circunstâncias bizarras. Um faroleiro se afogou enquanto pescava; outro levou um coice de um cavalo na cabeça (morrendo na hora por traumatismo craniano); uma adolescente foi encontrada com um corte no pescoço em um aparente suicídio; e outra foi morta pelo disparo acidental de uma arma de fogo.

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