Desafiando a reencarnação: a curiosa vida de Dorothy Eady

Desafiando a reencarnação: a curiosa vida de Dorothy Eady

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Você acredita em reencarnação? Essa é a questão que envolve a curiosa história de vida de Dorothy Eady, que não só intriga até hoje quem a conhece, como também desafiou todos os cientistas e estudiosos que, ao longo dos anos, entraram em contato com essa mulher ao tentar solucionar a máxima: como ela poderia saber tanto?

O acidente

(Fonte: James's Articles/Reprodução)

Nascida no dia 16 de janeiro de 1904, no subúrbio de Londres, numa cidadezinha chamada Blackheath, Dorothy Louise Eady teve a vida virada de cabeça para baixo pouco tempo depois de ser concebida por sua mãe, Caroline Mary Eady. Quando tinha apenas 3 anos de idade, o seu pai, o alfaiate Reuben Ernest Eady, testemunhou o momento em que Dorothy saiu correndo de seu quarto, tropeçou e rolou um lance inteiro de escadas.

A garotinha foi declarada morta ainda no local do acidente, sem que os pais sequer tivessem tempo de chamar uma ambulância. O socorro veio minutos depois e um médico pediu o auxílio de uma enfermeira para preparar a remoção do corpo de Dorothy, que foi colocado em sua cama. Cerca de 15 minutos depois, para alegria e também espanto dos pais e profissionais no local, a menina despertou como se só estivesse dormindo por todo aquele tempo e passou a brincar com os ursos de pelúcia de sua cama e a interagir com os pais, como se nada tivesse acontecido.

Ainda que aparentemente um milagre tivesse acontecido naquela casa, os médicos levaram Dorothy para realizar todos os tipos de exames possíveis, que foram se repetindo ao longo dos anos. No entanto, nenhum sinal de lesão foi detectado, nem o menor que fosse.

Mas Dorothy Eady já não era mais a mesma. Ela havia voltado diferente da morte.

Lembranças de uma infância passada

(Fonte: British Museum/Reprodução)

Logo após o acidente, a garotinha não só desenvolveu uma síndrome do sotaque estrangeiro, falando o inglês britânico num tom árabe egípcio, quanto passou a ter sonhos repetidos em que via uma construção imensa repleta de colunatas e com um jardim de frutas e flores. Na maioria das vezes que Caroline ia socorrer a filha aos prantos depois do que ela considerava ser um pesadelo, essa reclamava: “Eu quero ir para a casa. Me leve de volta”, recusando a aceitar que já estava em casa. A mãe, desesperada, custou para entender os pedidos da filha.

Criada num lar altamente cristão, o comportamento de Dorothy apenas piorou à medida que foi crescendo, fazendo com que os pais procurassem todo o tipo de tratamento médico e psicológico para a menina. Ela possuía uma obsessão por tudo relacionado ao Egito Antigo, lançando fatos, dizendo datas e nomeando momentos históricos que era impossível uma criança do jardim de infância saber, uma vez que não possuía acesso a nenhum tipo de material e mal havia aprendido a ler.

Em uma visita às galerias egípcias do Museu Britânico, Dorothy beijou todas as telas, os pés das estátuas e as reverenciou, sempre exclamando: “Este é o meu povo”. Aos 6 anos de idade, o pai pegou a garota desenhando hieróglifos na parede de sua boutique e, ao mandar para um especialista, descobriu que a filha tinha escrito: “Estou de volta”. Aos 7 anos, ela se deparou com fotos do templo do deus Seti I, um faraó do século XIII a.C, em Abydos, no Egito, e alegou que aquela era a construção com a qual sonhara desde pequena, a verdadeira casa dela.

(Fontes: Fiveprime/Reprodução)

Por volta dos 10 anos de idade, ela já exigia a sua mãe que o capítulo sobre o Egito fosse lido para ela quantas vezes desejasse. A sua estranha fascinação e conhecimento despertou a curiosidade da egiptólogo E.A Wallis Budge, do Museu Britânico, que decidiu dar aulas sobre o Egito para a garota. Dorothy acabou sendo expulsa de sua escola quando se recusou a cantar um hino que falava sobre amaldiçoar os egípcios. Foi banida da escola dominical após comparar o Cristianismo ao Heathenismo, uma antiga religião germânica, e também interrompeu a sua ida às missas na igreja.

Em meio a tudo isso, o comportamento da menina se tornou arredio e acuado e ela se assustava com facilidade, quase sempre se escondendo sob os móveis. O nervosismo e a irritação também foram características que pontuaram a sua conduta, principalmente quando os pais ou qualquer um a censurava. A maneira como ela se deixava levar por horas de admiração folhando páginas de livros sobre o antigo povo, era algo que preocupava Caroline e Reuben.

Voltando para o seu povo

(Fonte: Daily Mail/Reprodução)

Aos 15 anos, durante a Primeira Guerra Mundial, Dorothy Eady se mudou para a casa de sua avó, em Sussex, após Londres ser bombardeada, e continuou a sua jornada à biblioteca local para estudar sobre o Egito Antigo. Nessa época, ela foi visitada em sonhos por um espírito chamado Hor-Ra, que lhe disse que ela era a reencarnação de uma mulher de nome Bentreshyt, uma antiga sacerdotisa do templo de Seti I que cometera suicídio ao invés de morrer pelas mãos do Sumo Sacerdote. Segundo ela, a confissão que acabou com as suas dúvidas foi como se “alguém no inferno de repente encontrasse a saída”.

Em egípcio antigo, Dorothy escreveu todos os sonhos que contavam a sua história em cerca de 70 diários. Ao decorrer disso, a jovem teve ataques de sonambulismo, pesadelos e convulsões. Um sono constante a forçava a dormir quase 15 horas diárias para que ela pudesse continuar redigindo tudo depois.

Aos 16 anos, após visitar diversos locais históricos e ruínas, ela largou a escola e se mudou para Plymouth, onde virou uma estudante da Plymouth Art School. Dorothy se tornou uma colecionadora compulsiva de artefatos egípcios, desempenhava papeis em peças de teatro vivendo a deusa Isís, envolveu-se em aspectos políticos que visavam a independência do Egito, conseguiu um emprego numa revista especializada sobre o assunto e lá conheceu Eman Abdel Meguid, um estudante egípcio, com quem acabou se casando.

Alguns anos mais tarde, Dorothy finalmente realizou o seu sonho de visitar o Egito. Uma vez lá, ela caiu de joelhos aos prantos e declarou que estava em casa. Em 1933, ela se mudou de Londres para o Egito para nunca mais voltar.

Finalmente

(Fonte: Unariun Wisdom/Reprodução)

A mulher nomeou o seu primogênito de Sety e aderiu o apelido de 'Omm Sety', que seginifica “Mãe de Sety”. Depois de se separar do marido, em 1935, ela conheceu o arqueólogo egípcio Selim Hassan, que trabalhava no Departamento de Antiguidades. Foi através dele que Dorothy se tornou a primeira mulher a conseguir um emprego na área e de fato começou a consolidar o seu nome como ilustradora, consultora, ensaísta e técnica em mapeamento de locais antigos. O seu conhecimento a levou longe o suficiente para se tornar assistente de pesquisa do renomado arqueólogo Ahmed Fakry, quem ajudou no projeto de pesquisa na pirâmide de Dashur.

Quando não era considerada fascinante por seu trabalho, Dorothy era tida como uma lunática que passava noites na pirâmide de Gizé realizando rituais esquisitos, lançando orações ao vento e entregando oferendas a Hórus e a Esfinge.

Após 19 anos vivendo no Cairo, a mulher se mudou para Abydos (onde afirmava ser o seu berço) e foi morar numa vila humilde perto da Montanha Pega-the-Gap, onde ficou ainda mais conhecida por 'Omm Sety'.

Por meio de seu conhecimento e intuição de uma vida que ela afirmava já ter vivido, Dorothy focou os seus esforços para descobrir locais nas ruínas do templo de Abydos que nenhum arqueólogo jamais foi capaz e que não existia coordenadas em livro algum. De traduções, obras de arte, práticas religiosas a obscuridade da medicina popular egípcia, ela dominava tudo de uma maneira nunca antes vista e que fugia à capacidade de um pesquisador comum.

No dia 21 de abril de 1981, aos 77 anos, Dorothy Eady morreu e teve o corpo descansado perto de um cemitério copta em Abydos.

Apesar de um legado histórico imenso, as marcas de sua existência criaram debates religiosos e científicos ainda mais profundos a respeito de reencarnação. Enquanto, por outro lado, Dorothy sempre teve interesse apenas em reentrar em contato com aquela absurda conexão que sentia, e não se tornar uma espécie de arauto para provar alguma coisa.

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