Luxúria e crime: Dolly Oesterreich e o homem no sótão

Luxúria e crime: Dolly Oesterreich e o homem no sótão

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Nascida Walburga Korchel em meados de 1880 no Império Alemão, a mulher ficou conhecida pelo nome de Dolly Oesterreich e principalmente pelo infame romance policial que a sua vida conjugal se tornou.

Aos 33 anos, Dolly era uma dona de casa casada com Fred Oesterreich, o proprietário de uma fábrica de aventais, e morava em uma bela casa em Milwaukee, na cidade do Wisconsin — Estados Unidos. Empresário de sucesso, o marido dela passava tempo demais no trabalho e por isso destinava poucas horas ao relacionamento com a esposa dele. Ela, então, acabou ficando com os hormônios "à flor da pele", pois era jovem, e frustrada por causa da solidão.

Na tarde abafada de outono de 1913, enquanto Dolly costurava, a sua máquina quebrou e ela ligou para Fred lamentando-se do ocorrido. Ele resolveu o problema enviando Otto Sanhuber, um garoto de 17 anos e funcionário da fábrica que trabalhava na parte técnica dos maquinários.

Acredita-se que a mulher teria quebrado a própria máquina porque sabia que o marido atenderia ao seu chamado enviando um de seus homens. Dolly recebeu o jovem praticamente nua, apenas usando um roupão de renda transparente. Os dois tiveram relações sexuais durante a tarde toda e selaram o início de um pacto: um pertenceria ao outro.

Alguns metros acima

(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

O casal começou se encontrando em hotéis afastados da cidade em uma aventura que, a princípio, era sinônimo de prazer, mas rapidamente acabou se tornando extenuante com as viagens e desculpas que Dolly dava ao marido. Então, ambos passaram a ter relações na casa do casal, criando uma jornada fetichista. Os vizinhos foram os responsáveis por levantar indagações sobre o vaivém daquele garoto, e Dolly argumentou que aquele era o seu meio-irmão. Porém, o cenário estava ficando perigoso demais.

Dolly sugeriu a Otto que morasse no sótão de sua casa, onde era espaçoso e arejado, assim ele não seria mais visto e eles não correriam mais riscos durante os encontros. Uma vez que não tinha família, Otto apenas largou o emprego na fábrica e se mudou para o esconderijo.

No decorrer de 5 anos, Otto nunca saiu de lá para nada. Durante o dia, ele tinha relações com Dolly, ajudava na casa e passava todo o tempo com a mulher. Durante a noite, à luz de velas, ele se refugiava para escrever suas luxuriosas histórias de ficção, com toques da própria realidade.

Tudo estava perfeito até o ano de 1918, quando Fred avisou que iriam se mudar para Los Angeles e vender a casa. Dolly ficou desnorteada com a ideia do fim de seu caso, mas ela encontrou a solução se voluntariando para escolher a casa. Ela encontrou uma mansão em Sunset Boulevard com um sótão enorme e cuidou de mandar Otto para lá um dia antes da mudança.

Foi assim que o caso continuou por mais 4 anos até o fatídico dia: 22 de agosto de 1922.

Você?!                       

Otto Sanhuber. (Fonte: Observador/Reprodução)Otto Sanhuber. (Fonte: Observador/Reprodução)

Na noite daquele dia, Otto ouviu Fred agredindo Dolly durante uma briga violenta. Enfurecido, ele desceu do sótão e foi parar na sala. Fred brandia uma arma quando o jovem entrou e foi reconhecido pelo ex-patrão. Ambos se envolveram em uma briga, e a arma acabou disparando, atingindo fatalmente Fred, que se esvaiu em sangue no carpete do cômodo.

O casal de amantes se desesperou. Otto então trancou Dolly em um armário, pegou alguns pertences, a chave, a arma e levou para o sótão. Ele sabia que os vizinhos ligariam para a polícia após terem ouvido os disparos, por isso ele fingiu uma situação de assalto. O plano deu certo.

Viúva, Dolly se mudou para uma casa nova e, quando Otto voltou a habitar o sótão por livre e espontânea vontade, ficou claro que era para a mulher dar continuidade ao que eles faziam. A mente deformada do jovem era resignada ao estilo de vida submisso de um escravo sexual voluntário. Ele vendeu as suas histórias para jornais locais e conseguiu dinheiro para comprar uma máquina de escrever para continuar produzindo. Ele não existia mais longe daquela realidade.

Então, Dolly conheceu o advogado Herman S. Shapiro e com ele se casou. Dessa forma, o ciclo se repetiu.

O "homem-morcego"                                       

(Fonte: Observador/Reprodução)(Fonte: Observador/Reprodução)

Igual ao falecido Fred, o advogado passava horas fora de casa, mas Dolly estava perdendo o interesse em Otto. Ela se envolveu com Roy Klumb, mas muitos acreditam que tenha sido apenas para que ele se livrasse da arma do crime por ela. Os amantes ficaram juntos o suficiente para que Dolly confiasse nele e, quando isso aconteceu, a mulher pediu a Klumb que jogasse nos poços de piche de La Brea, no centro de Los Angeles, o revólver que tinha causado a morte de Fred. E assim o homem o fez.

Algum tempo depois, ela terminou o relacionamento e Klumb se revoltou. Sentindo-se usado, ele contou tudo à polícia. A arma foi retirada dos poços, e Dolly levada sob custódia. A perícia não conseguiu extrair nada do revólver devido ao estado avançado de corrosão.

Sabendo que Otto poderia morrer de fome no sótão, Dolly foi forçada a contar tudo a Shapiro, omitindo o fato de que o homem de 26 anos era o seu amante e alegando que se tratava de seu meio-irmão. Quando Shapiro apareceu no esconderijo, Otto acabou contando a verdade. Surpreendentemente, o advogado apenas pediu ao jovem que sumisse e depois libertou Dolly sob fiança, retirando todas as acusações contra ela.

O relacionamento do casal durou por mais 7 anos. Quando Shapiro não aguentou mais o comportamento de Dolly, e o casamento desgastado, ele levou um dossiê à polícia sobre o crime de Fred Oesterreich. Intitulado "homem-morcego", o caso ganhou repercussão pelo seu teor sórdido e criminoso. Otto teria sido preso por homicídio culposo e Dolly por conspiração e cárcere privado, porém o crime já havia prescrito e eles foram libertos.

Dolly Oesterreich morreu em 8 de abril 1961 aos 80 anos e 3 filmes foram inspirados na sua trajetória, que parece ter sido escrita pelo roteirista de um filme noir no melhor estilo Sunset Boulevard.

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