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Mary Ashford e Barbara Forrest: o perturbador caso de coincidência

"É um mundo pequeno, não é mesmo?"

Para o biólogo austríaco Paul Kammerer, as coincidências são fruto de uma força física básica chamada de “serialidade”, assim como o filósofo Sartre propõe, mas, por outro lado, o psicanalista Carl Jung trabalha com a ideia de que a coincidência faz parte de uma espécie de “princípio de conexão acausal místico" que não apenas explica as coincidências físicas como também as premonições.

Seguindo a mesma linha de pensamento de Jung, estudos psicológicos identificaram que o ser humano possui uma capacidade inconsciente de percepção intensificada de uma palavra ou frase ouvida recentemente. Então o que podemos enxergar como coincidência, na verdade, foi algo condicionado e guardado no fundo de nossa mente, e que só é resgatado quando acontece. Já em acasos simples, pode ser uma coisa estranha e não muito intuitiva que gere coincidências, uma vez que eventos aleatórios tendem a se agrupar. Por exemplo, são necessárias apenas 23 pessoas em uma sala para tornar mais provável que duas pessoas façam aniversário no mesmo dia.

Outra explicação para as coincidências é a Lei dos Números Grandes, que revela que qualquer coisa remotamente possível acabará acontecendo, se esperarmos tempo o suficiente. Ou seja, eventos raros e considerados improváveis ocorrerão devido à quantidade de possibilidades.

A primeira coincidência

(Fonte: Birmigham Mail/Reprodução)(Fonte: Birmigham Mail/Reprodução)

Era 26 de maio de 1817, quando a empregada e governanta Mary Ashford, de apenas 20 anos, moradora de Birmingham, no Reino Unido, resolveu ir para uma festa no bar Tyburn House. Ela deixou suas roupas de trabalho na casa de sua amiga, Hannah Cox, em Erdington, e depois, juntas, elas foram direto para o bar, chegando por volta de 19h30.

À meia-noite, as jovens saíram do local acompanhadas de dois homens: Benhamin Carter e Abraham Thornton. O segundo deles era o filho de um construtor de Castle Bromwich, tinha cerca de 24 anos e era corpulento. As descrições dele variam entre “jovem de boa aparência” e “homem repulsivo”.

Mary ficou sozinha com Thornton depois que sua amiga foi para casa e o outro homem voltou para o bar. Às 4h, Hannah se deparou com a amiga entrando em sua casa para buscar as roupas que havia esquecido. Mary disse que havia passado um tempo com Thorton, e que ele já havia ido embora.

(Fonte: Art.com/Reprodução)(Fonte: Art.com/Reprodução)

Depois que deixou a casa da amiga, testemunhas afirmaram terem visto Mary às 4h andando pela rua. Quatro horas depois, um transeunte chamado George Jackson encontrou o cadáver dela de bruços dentro da vala de um terreno baldio, atualmente o parque Pype Hayes. Mary Ashford estava nua, com seus sapatos e roupas espalhados ao seu redor. Quando a polícia chegou, eles perceberam que a mulher havia sido violentada antes de morrer.

Thornton era o único suspeito do crime, por isso foi preso logo em seguida. Em seu julgamento, ele revelou que havia se relacionado sexualmente com a jovem, conversado com ela até às 3h e a acompanhado até a casa de Hannah Cox antes de ir embora.

O júri se convenceu da culpa do réu, porém o álibi fornecido por Thornton, estranhamente, sustentou a versão de algumas testemunhas a favor dele. Por falta de provas, o homem foi absolvido e o caso arquivado de modo suspeito. Logo em seguida, Thornton se mudou para os Estados Unidos.

A segunda coincidência

(Fonte: Anomalien/Reprodução)(Fonte: Anomalien/Reprodução)

Depois de 157 anos, exatamente em 27 de maio, só que de 1974, Barbata Forrest foi assassinada na mesma região que Mary e também descartada em uma vala, mas próximo à estrada principal de Erdington.

A enfermeira de 20 anos saiu com seu namorado, Simon Belcher, para dançar e curtir a noite. O jovem esperou o ônibus junto com ela até às 1h, depois nunca mais a viu. Assim como no caso de Mary, a polícia detectou sinais de estupro ao longo do corpo da jovem.

(Fonte: Birmigham Mail/Reprodução)(Fonte: Birmigham Mail/Reprodução)

O suspeito pelo assassinato, por incrível que pareça, era um homem chamado Michael Ian Thornton, colega de trabalho de Barbara. Apesar de mais de 100 detetives terem se envolvido para provar que o álibi fornecido pela mãe do criminoso era falso, ele acabou sendo absolvido por “falta de evidências físicas”. Dois Thornton, em épocas diferentes, foram absolvidos pelo mesmo crime e dentro das mesmas circunstâncias.

Ainda é impossível o que é mais perturbador em ambas as histórias: as coincidências absurdas ou a tendência de criminosos se safarem.

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