Cresce o número de pessoas que se sujeitam a implantes ilegais no bumbum
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Cresce o número de pessoas que se sujeitam a implantes ilegais no bumbum

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A história que você vai conhecer a seguir é realmente triste e, embora citemos apenas alguns casos, ela tem muito mais envolvidos do que você imagina. Não é novidade para ninguém que o busca pelo “corpo perfeito” envolve sacrifícios cirúrgicos, financeiros, alimentares e por aí vai. Assim, os profissionais envolvidos com estética sempre terão clientes fazendo fila. Pelo menos aqueles que podem pagar por isso.

Cirurgias plásticas são procedimentos muito caros e, mesmo quando o tratamento não é cirúrgico, é preciso ter grana para bancar sessões de massagens, terapias, acupuntura, aulas na academia ou o que quer que seja. O importante é alcançar o tal objetivo de ter um visual padrão, “aceito” em sociedade, e sair por aí com cabelos impecáveis, cinturinha de pilão, silicone nos seios e bumbum arrebitado. Poucas pessoas nascem “prontas” nesse sentido. O tal “padrão” de beleza é, na verdade, uma aparência que a maioria das pessoas não tem. E isso gera, obviamente, frustração.

Como começa

Fonte da imagem: Reprodução/Vice

E é nessa brecha que alguns métodos ilegais encontram sua clientela. São principalmente mulheres e travestis que, na impossibilidade de arcar com os custos dos tratamentos estéticos “normais”, acabam caindo na conversa furada de pessoas sem a menor condição de realizar cirurgias, implantes e alguns procedimentos estéticos.

O resultado? Especialistas afirmam que os EUA estão prestes a entrar em uma epidemia de procedimentos estéticos ilegais, responsáveis pela morte e pela deformação física de muita gente. A Vice relatou a história de algumas pessoas que passam por esses tratamentos ilegais. O resultado é bastante preocupante.

Oscarina Busse, que mora na Flórida, nos EUA, passou por momentos horríveis depois de pagar por injeções de preenchimento no mercado negro. Ela começou a sentir coceiras nas nádegas e, em questão de dias, a pele começou a ficar irritada, passou da coloração roxa para a cinza e ficou deformada, a ponto de sua filha de cinco anos achar que a mãe estava usando fraldas.

Métodos arriscados

Oscarina ficou deformada e decidiu procurar ajuda médica. Fonte da imagem: Reprodução/Vice

Esses procedimentos consistem na injeção de substâncias como silicone, óleo mineral, concreto (!) e até mesmo silicone industrial no bumbum das vítimas. Só para você ter ideia, essas injeções não são permitidas de modo algum, nem mesmo com silicone cirúrgico.

Nesses casos, é natural que o corpo tente expulsar a substância estranha, e é por isso que pouco tempo depois do procedimento as vítimas passam por situações como a de Oscarina. Inflamações, febre, furúnculos, despigmentação da pele e até mesmo necrose são reações relatadas frequentemente. Se a substância injetada migrar e se instalar em algum órgão ou se, pior ainda, entrar na corrente sanguínea, o resultado é quase sempre fatal.

O caso de Oscarina ainda teve final feliz, afinal, mesmo tendo demorado para pedir ajuda, ela procurou um médico e conseguiu fazer uma cirurgia a tempo de retirar a substância de seu corpo e reconstituir o bumbum. Ela explicou ao jornalista da Vice que nasceu bonita, mas que na Flórida ninguém nunca é feliz com o próprio corpo. Oscarina ainda deu pistas de que é muito fácil encontrar pessoas que vendem esses serviços ilegais e completamente perigosos, principalmente em Miami, onde há a maior concentração desse tipo de serviço em toda a América.

Oferta

Fonte da imagem: Reprodução/Vice

Esses procedimentos ilegais chegam a custar US$ 10 mil a menos do que cirurgias com médicos qualificados, que são implantes (e não injeções) de silicone cirúrgico ou transferência de gordura, que é quando o médico lipoaspira gordura de outra região do corpo do paciente e reaplica no bumbum.

O problema está mesmo é no uso das substâncias ilegais, que não são nada seguras. De acordo com Peter Hutt, professor de Direito de Harvard, 555 ml de silicone podem se transformar em até 30 bilhões de microestruturas dentro do corpo, sendo que cada uma delas é capaz de causar infeções e complicações mais sérias. Não precisa ser um gênio da matemática para entender por que é tão difícil retirar esse tipo de implante: essas micropartículas se espalham facilmente e é muito difícil detectá-las.

Oscarina só foi salva porque teve a sorte de contar com a boa vontade do cirurgião plástico Dr. Constantino Mendieta, uma espécie de mago quando o assunto é o bumbum sonhado por muitas mulheres. E ele tem uma explicação bem peculiar para o fenômeno: “Quando olha para os seios, você tem que olhar para o rosto. Não há espaço para fantasiar. Mas quando você se vira, não há mais rosto. Você está livre para colocar a cara que quiser naquela bunda”.

Procura

Dr. Mendieta, o milagroso. Fonte da imagem: Reprodução/Vice

Talvez ele esteja certo, afinal, só nos EUA, os procedimentos estéticos para turbinar as nádegas tiveram um aumento de 176% entre 2000 e 2012. Para você entender melhor o que isso representa, fica a comparação: há dez anos 20% das cirurgias que Dr. Mendieta fazia eram em bumbuns; hoje esses procedimentos representam 90% do trabalho do médico.

No caso de Oscarina, o barato saiu caro, em todos os sentidos. Aquele valor que ela quis economizar a levou para um local de cirurgia inapropriado, e a reconstituição dos glúteos, feita por Dr. Mendieta em duas cirurgias, custou US$ 70 mil.

Não é de hoje que essa obsessão por um corpo atraente ocupa o lugar da lógica e da racionalidade. Sabe-se que prostitutas japonesas começaram a auto injetar silicone durante a Segunda Guerra Mundial, quando o produto era usado como isolante para transformadores elétricos. Antes disso, as garotas aplicavam injeções de parafina e vaselina nos próprios seios.

Tudo isso por quê?

Essa é Vanity Wonder, que fez 16 aplicações ilegais no bumbum. Fonte da imagem: Reprodução/Blogsoestado

O processo logo se tornou popular e não demorou para que médicos em todo o mundo começassem a usar a técnica de injeção de silicone, que logo virou a favorita entre os membros da classe média. Com o passar dos anos, porém, os efeitos apareceram e mulheres aterrorizadas com seus seios deformados, doloridos, inflamados e duros como pedras fizeram com que o método fosse proibido, ainda nos anos de 1960.

Duas décadas depois a técnica arriscada foi recuperada por usuários trangêneros, que não viam outra saída na tentativa aflita de mudar de gênero. Hoje os tratamentos para isso são mais acessíveis e incluem o uso de medicamentos, hormônios e cirurgia, mas ainda assim há quem prefira se arriscar, justamente pela “economia”, que na verdade é apenas financeira e temporária.

Os procedimentos são hoje realizados em diversos lugares do mundo, mas principalmente nos EUA, onde mulheres e transexuais sonham em ter o bumbum “perfeito”. A pergunta é: não está na hora de revermos nossos conceitos a respeito de “perfeição”?

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