Madre Teresa de Calcutá: santa ou mito?
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Madre Teresa de Calcutá: santa ou mito?

Equipe MegaCurioso
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Conforme explicamos em uma matéria anterior aqui do Mega Curioso, para que uma pessoa seja santificada, ela precisa passar pelo processo de canonização — que envolve várias etapas, entre as quais está a comprovação de que o candidato realizou pelo menos dois milagres. Pois, no final do ano passado, o Papa Francisco reconheceu o segundo milagre realizado por Madre Teresa de Calcutá, o que significa que ela se tornará santa em breve.

No entanto, apesar de a missionária ser conhecida pelo mundo como “Santa das Sarjetas”, e inclusive ter sido reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz em 1979 por suas ações, o anúncio feito pelo Vaticano também despertou bastante polêmica. Isso porque, enquanto que por um lado muitos vibraram com a notícia, outros tantos não gostaram nada de saber que a Madre Teresa será santificada.

Santa das Sarjetas

Madre Teresa — ou Anjezë Gonxhe Bojaxhiu —, sem dúvida nenhuma é uma das missionárias mais ilustres do mundo, se tornando famosa por seus trabalhos de caridade, sempre fundamentados nos preceitos do cristianismo. Antes de se dedicar à caridade, ela dava aulas de História e Geografia na cidade de Calcutá até que, em 1946, ouviu um chamado interior e declarou que, a partir de então, passaria a viver entre os pobres.

A religiosa dedicou sua vida aos menos favorecidos e fundou sua primeira congregação — chamada “Missionárias da Caridade” — na década de 50 na Índia. Outras centenas foram sendo criadas pelo mundo ao longo dos anos e, graças às suas ações, Madre Teresa ficou conhecida como uma das maiores altruístas da História e recebeu milhões e milhões de dólares em doações destinadas a ajudar aos mais necessitados.

Ela morreu aos 87 anos de uma parada cardíaca em 1997, e foi beatificada em 2003, depois que o Papa João Paulo II reconheceu o primeiro milagre realizado pela missionária. O segundo milagre, conforme mencionamos no início da matéria, foi reconhecido em 2015, e ambos estariam associados com a cura de doentes de câncer.

Controvérsias

O problema com a “santidade” de Madre Teresa é que, apesar dos pesares, sua trajetória é mais complexa do que parece. Embora ela tenha tido o privilégio de ser considerada como santa ainda em vida, pessoas que trabalharam como voluntárias em suas congregações revelaram detalhes pra lá de sórdidos que foram mantidos em segredo durante anos.

Segundo os relatos, as congregações foram descritas como sendo esquálidas e extremamente sujas, e chegaram a ser comparadas por alguns com campos de concentração. As instituições eram administradas com autoritarismo e violência e, em 2005, a equipe de um canal de TV britânico capturou imagens de crianças amarradas às suas camas — e existem relatos de que as surras eram comuns.

Dizem, ainda, que maquinários antigos e equipamentos médicos raramente eram substituídos e, inclusive, que agulhas eram lavadas em água corrente e reutilizadas até literalmente ficarem sem ponta, mesmo em países com alta incidência de casos de HIV. Além disso, materiais e medicamentos eram armazenados por meses a fio, e era frequente que remédios com o prazo de validade vencido fossem administrados aos doentes.

As instituições obedeciam à crença de Madre Teresa de que os pacientes apenas precisavam se sentir amados — e morrer em paz com Deus. Assim, não é de se estranhar que o índice de mortalidade em suas instituições fosse superior a 40% ou que elas fossem chamadas pelos médicos de “casas para os moribundos”.

No início dos anos 90, uma publicação alemã revelou que apenas 7% de todas as doações feitas à organização de Madre Teresa eram destinadas à caridade. Detalhe... até hoje ninguém sabe onde todo o dinheiro foi parar e, de acordo com Nirmala Joshi, a atual líder da congregação, “Deus é o banqueiro”. Existem informações de que as missões sequer compravam alimentos para os residentes — dependendo apenas de doações de comida.

Mais controvérsias

Em 2003, uma série de cartas escritas pela religiosa foi publicada e, nelas, Madre Teresa confessa que, durante décadas sofreu com uma crise de fé — algo praticamente inaceitável quando consideramos o processo de canonização. Além disso, outro fato que provoca desconforto entre os críticos da missionária eram suas alianças com sujeitos inescrupulosos.

Embora parte das doações em dinheiro viesse de “bons samaritanos” preocupados com os pobres, o maior montante vinha do bolso de algumas das pessoas mais malignas que já existiram na face da Terra, como o ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, responsável por implantar um governo de terror que resultou na tortura e morte de dezenas de milhares de haitianos.

Os fins justificam os meios?

Por mais “errado” que possa soar, a sobrevivência dos mais diversos grupos religiosos depende do número de fiéis. Portanto, uma das principais funções dos missionários é a de estabelecer templos e igrejas para converter a maior quantidade possível de pessoas. Pois, no caso de Madre Teresa, que era uma cristã obstinada, esse era o seu maior objetivo — angariar fiéis para a Igreja Católica.

Assim, há quem acredite que, no fundo, a missionária estava muito mais interessada em trabalhar na expansão de suas crenças do que em ajudar os pobres, e que ela — deliberadamente ou não — os teria usado para conseguir o que queria. E no fim, à sua maneira e independente de sua motivação, ela fez o que acreditava ser o melhor para os mais necessitados.

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