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O que mudou na Igreja Católica nos 10 anos do papa Francisco?

No dia 13 de março, o papa Francisco completa 10 anos em que está no posto mais alto da Igreja Católica. O papa - que se chama Jorge Mario Bergoglio e nasceu na Argentina, no ano de 1936 - é o 266º representante mais importante da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano, e o primeiro oriundo da América Latina.

Papa Francisco tem sido reconhecido por levar várias mudanças à Igreja ao longo de seu pontificado. Neste texto, listamos 5 dessas novidades, que por vezes causam alguma polêmica entre os fiéis.

1. Nunca tantas mulheres trabalharam no Vaticano

(Fonte: Vatican News)(Fonte: Vatican News)

Atualmente, há 1.165 mulheres empregadas pelo Vaticano. Este é o número de funcionárias mais alto que já foi registrado, e muitas delas estão em cargos de liderança.

Quando o papa Francisco assumiu, em 2013, este número era de 846. Ou seja, de todos os funcionários, a porcentagem de mulheres saltou de 19,2% para 23,4%. O número se refere às duas unidades administrativas, Santa Sé e a Cidade do Vaticano.

2. A entrada de mulheres em cargos altos da Igreja

(Fonte: The New York Times)(Fonte: The New York Times)

Em março de 2022, o papa Francisco soltou uma nova Constituição da Cúria Romana, chamada “Praedicate Evangelium”, em que autoriza qualquer católico leigo batizado, incluindo as mulheres, a chefiar os escritórios do Vaticano.

A constituição, que tem 54 páginas, levou mais de nove anos para ser publicada, e substituiu a "Pastor Bonus", promulgada por João Paulo II em 1988. Na nova Cúria, lê-se que "o papa, os bispos e outros ministros ordenados não são os únicos evangelizadores na Igreja", e que leigos e leigas “devem ter funções de governo e responsabilidade”.

No texto, Francisco ainda institui que as escolhas para estes cargos devem se basear na competência profissional, na experiência pastoral, na vida espiritual, no senso de comunidade e no amor aos pobres, além da "capacidade de reconhecer os sinais dos tempos".

3. Fortalecimento do acolhimento da Igreja à comunidade LGBTQIA+

(Fonte: Conexão Planeta)(Fonte: Conexão Planeta)

Desde o começou de seu papado, Francisco reitera o que deve ser o caráter misericordioso da Igreja Católica. Na Missa do Galo em 2019, ele disse na Homilia: “Deus não ama você porque pensa certo e se comporta bem. Ele te ama, e isso basta!” 

Em 2018, contudo, ele já havia chamado a atenção quando se dirigiu a um fiel do Chile e disse: “Juan Carlos, que você é gay não importa. Deus te fez assim e te ama assim, e eu não me importo. O papa te ama assim. Você precisa estar feliz com quem você é”, afirmou.

Em janeiro deste ano, papa Francisco foi ainda mais enfático. Ele veio a público para criticar e categorizar como "injustas" as leis de alguns países que criminalizam a homossexualidade. No seu argumento, disse que Deus ama todos os seus filhos assim como eles são. Francisco ainda solicitou que os bispos católicos se posicionem contra essas leis e que acolham a comunidade LGBTQIA+ na Igreja.

 4. O esforço para expor escândalos do passado da Igreja

(Fonte: Exame)(Fonte: Exame)

Diferente de outros papas que o antecederam, Francisco tem mantido uma postura mais firme em relação aos crimes da Igreja Católica, como os escândalos sexuais. Em 2021, quando foi divulgado um relatório revelando que, desde 1950, mais de 216 mil crianças e adolescentes foram vítimas de abusos pela Igreja na França, o papa se manifestou duramente.

Ele se posicionou dizendo: "desejo expressar às vítimas a minha tristeza e minha dor pelos traumas sofridos, e também minha vergonha, nossa vergonha, pela incapacidade da Igreja, durante muito tempo, para colocá-las no centro de suas preocupações. É o momento da vergonha". 

Francisco ainda ordenou que os líderes católicos mantenham esforços para que esses casos nunca se repitam, e cobrou das autoridades francesas que os casos sejam punidos.

5. Estabelecimento de laços com líderes indígenas e defesa do meio ambiente

(Fonte: G1)(Fonte: G1)

O papa Francisco também colocou entre suas pautas a defesa da natureza e a preservação do território e da população indígena. Por conta disso, em 2019, foi realizado o Sínodo da Amazônia, reconhecido como uma resposta do papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia (da qual fazem parte Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guiana Inglesa, Guiana Francesa, Suriname, além do Brasil).

Em maio deste mesmo ano, papa Francisco encontrou o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire, um dos nomes mais atuantes na defesa da Amazônia. O líder caiapó viajou para a Europa acompanhado de três outros líderes indígenas do Xingu, e foi recebido pelo papa.

Antes disso, em 2015, Francisco havia publicado a encíclica "Laudato Si" (Louvado Seja), em que convoca os católicos a tomarem ações para frear a exploração do meio ambiente. Com  estas posições, foi a primeira vez que o Vaticano se manifestou sobre questões de preservação ambiental.

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