‘Fantasmas’ seriam motivo para vida noturna de castores, diz estudo
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‘Fantasmas’ seriam motivo para vida noturna de castores, diz estudo

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Os castores-da-eurásia são roedores difundidos no país que lhes dão o nome e que já estiveram à beira da extinção, no início do século XX. O responsável por esse quadro que quase exterminou essa espécie da Terra foram os homens e, somente com campanhas de proteção contra a caça e reintrodução em seu meio natural, aos poucos, os castores-da-eurásia foram se estabelecendo.

A conscientização fez efeito e o número de espécimes desse animal, que chegou a ser somente 1,2 mil, atualmente já tem mais de um milhão de exemplares. De qualquer forma, esse período de caça, que quase levou os castores-da-eurásia à extinção, foi tão marcante para a espécie, que parece “assombrar” esses animais até hoje. Pelo menos, essa é a constatação de um estudo realizado pela bióloga Kristij Swinnen em conjunto com pesquisadores da Universidade da Antuérpia.

Swinnen colocou câmeras espalhadas por 34 territórios de castores dessa espécie na Bélgica, com o objetivo de monitorar os hábitos que eles apresentam. Nesses locais, esses animais possuem proteção contra a caça e não têm predadores naturais. Mas por que todo esse trabalho? A resposta são os hábitos noturnos dos castores.

De maneira geral, já se sabia que os castores-da-eurásia mantém hábitos noturnos, porém os cientistas não conseguiam compreender qual motivo os leva a ter esse comportamento, já que na teoria eles não deveriam manter essa característica. Os animais dessa espécie possuem olhos não adaptados para enxergar em ocasiões mais escuras e se ficassem ativos em momentos mais quentes do dia, seria muito mais fácil de manter a temperatura corporal e conservar energia. Além disso, eles se alimentam de plantas, o que também não justifica a sua “vida noturna”, já que poderiam se alimentar durante o dia facilmente.

Logo, com todos esses fatores que colocavam os cientistas em dúvida, se pensava que o motivo que levavam os castores dessa espécie a manterem hábitos noturnos era a influência sofrida por predadores. Então, para tentar confirmar essa hipótese, Swinnen e os pesquisadores resolveram realizar o estudo e constataram que mesmo os que não possuíam risco iminente de serem caçados, mantinham a mesma vida noturna dos que sofriam com o teórico medo de lobos, ursos e linces, seus predadores naturais. As imagens mostraram ainda que, em noites com maior brilho lunar, que proporcionam uma alimentação mais fácil, eles ficam mais ocupados.

Com isso, pode-se concluir que os castores conseguem alterar o seu comportamento de acordo com o estimulo de fatores externos, mas mesmo com menor risco de predadores, eles não relaxam ao ponto de sair das tocas durante o dia.

Influência do homem

Cientistas já têm ciência de que o comportamento dos animais não é devido somente ao ambiente atual em que vivem, mas também pelas pressões que existiram no subconsciente ao longo de seu passado evolutivo. Se essas influencias forem forte o bastante, elas podem persistir por muitas gerações e longos períodos de tempo.

Os antilocapras americanos, por exemplo, atualmente são mais rápidos que todos os seus predadores. Essa característica, segundo os cientistas, pode ser atribuída aos ancestrais que foram pressionados a desenvolver uma velocidade incrível para vencer os velozes predadores de sua época, há muitos anos. Atualmente, esses predadores estão extintos, mas a adaptação nunca foi deixada de lado na evolução dos antilocapras.

Diante desse fato já conhecido e da constatação do estudo, a bióloga Kristij Swinnen acredita que o que faz com o que os castores mantenham os hábitos noturnos não é a incidência de predadores atuais. Utilizando as palavras dos pesquisadores no próprio estudo, o que influencia os castores-da-eurásia nos dias atuais são os “fantasmas dos predadores do passado”, ou seja, os homens que os caçavam.

Swinnen explica que eles foram caçados durante muitos anos pelos humanos e chegaram à beira da extinção. Se os caçadores atuais usam armadilhas, os antigos utilizavam armas de mão, o que os levou a deixarem de sair da toca durante o dia, adotando hábitos noturnos para evitar o contato com os seres humanos. Mesmo que o mundo atual seja relativamente seguro, são os “fantasmas” dos homens predadores que mantém os hábitos noturnos dos castores-da-eurásia.

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