Câmera de 570 megapixels capta imagem impressionante de um cometa
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Câmera de 570 megapixels capta imagem impressionante de um cometa

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Eis aí uma imagem que não se vê todo dia — mesmo em um registro fotográfico. Ok, algumas pessoas possuem celulares com densidades monstruosas de pixels, mas é pouco provável que uma imagem tão nítida de um cometa apareça perdida entre as selfies e os pratos de comida do Instagram, certo?

O registro acima mostra o cometa C2014 Q2 “Lovejoy” conforme captado pela supercâmera de 570 megapixels da empreitada Dark Energy Survey, focada no estudo da chamada “matéria escura”. Dado o ângulo relativamente pequeno da lente, a imagem foi formada por várias fotografias justapostas (curiosamente, os 2,2 graus de abertura são considerados acima da média em câmeras desenvolvidas para captar objetos distantes bilhões de quilômetros).

A equipe da Dark Energy Survey admite, entretanto, que a fotografia foi feita ao acaso, durante uma sessão de fotos comum do céu noturno; o cometa “oportunista” simplesmente cruzou a vista no momento do registro. “[O Lovejoy] nos lembra que, antes de olhar através da galaxia aos limites do Universo, nós precisamos dar atenção aos objetos celestes que estão muito mais perto de casa”, postou o site Dark Energy Detectives.

Mais de 80 milhões de quilômetros

Apesar da imagem espetacular obtida pela Dark Energy Survey, o C2014 Q2 está atualmente a mais de 80 milhões de quilômetros da Terra. Não que, a despeito de ter aparecido na foto, exista algo de realmente singular com o “Lovejoy”. Trata-se, afinal, de um núcleo com menos de 5 quilômetros de diâmetro — embora a nuvem de gás gerada pelo derretimento constante forme uma cauda  com aproximadamente 640 mil quilômetros de extensão.

De acordo com os observadores, o brilho característico do cometa é garantido pelo chamado “carbono diatômico” (C2), molécula que “puxa” a tonalidade para o verde — e que também deve ajudar os cientistas a determinar a composição do Lovejoy. De fato, outros cometas tendem a deixar rastros de cores distintas, sempre associadas aos materiais que compõem o centro do corpo celeste.

Ademais, C2014 Q2 também não é o único a ter ganhado o apelido “Lovejoy”. Também cometa C2011 W3 carrega o epíteto, também descoberto pelo mesmo sujeito — e igualmente responsável por algumas imagens astronômicas particularmente incríveis.

Como a matéria se distribui no espaço?

Essa é, basicamente, a questão que a Dark Energy Survey tenta responder. Ou, mais precisamente, trata-se de compreender como a distribuição de matéria é constantemente modificada no espaço — fazendo com que predição e prática ainda se distanciem consideravelmente.

Há, basicamente, dois pontos que, segundo os astrônomos, justificam as discrepâncias. Em primeiro lugar, há a chamada “matéria escura” (que empresto o nome ao projeto), forma hipotética que, em teoria, aceleraria a expansão do Cosmo — por meio da chamada “pressão negativa”. Por outro lado, há ainda a impossibilidade de prever com precisão as consequências dos impactos de substâncias desconhecidas no Universo.

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