Você está mais propenso a ver um disco voador se um amigo te contar que viu
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Você está mais propenso a ver um disco voador se um amigo te contar que viu

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Você já ouviu falar em apofenia? Esse termo foi proposto no final dos anos 1950, por Klaus Conrad, para o fenômeno cognitivo de vermos padrões em dados completamente aleatórios. Ele explicaria, por exemplo, nossas crenças supersticiosas e paranormais, mas também pode estar por trás de nossa genialidade artística.

Vejamos uma historinha: um amigo te conta sobre a vez em que ele viu um disco voador. Nos dias que se seguem, não apenas você também acredita enxergar uma nave espacial como pode achar que os alienígenas estão atrás de você caso surja uma mancha redonda no quintal da sua casa – afinal, o disco voador pousou por ali.

A ciência, entretanto, consegue explicar esse tipo de comportamento. Nossos ancestrais já eram “programados” para enxergar padrões no ambiente. Isso permitiu o “surgimento” e o estudo das estações do ano, dos movimentos migratórios dos animais, dos fenômenos da natureza e a da geolocalização.

Você realmente quer acreditar que viu um disco voador quando seu cérebro é estimulado a pensar desse jeito

Pareidolia e falácia do apostador

Acontece que esses padrões podem enganar os nossos cérebros: ao sermos predispostos a vê-los na natureza, às vezes enxergamos coisas que não são o que queríamos que fosse. Voltemos ao caso da nave espacial: se o seu amigo não te falasse de um avistamento alienígena dias antes, você seque daria atenção à luz vista no céu. Porém, seu cérebro ficou pré-disposto a acreditar que aquilo existe de verdade.

Muitos exemplos de apofenia são inofensivos. A pareidolia é um deles e consiste em enxergamos imagens ou rostos em lugares que não existem, como nas nuvens ou em uma torrada. Entretanto, esse último caso pode criar teorias conspiratórias e místicas que fazem sucesso entre os fãs mais hardcores de histórias sobrenaturais.

Outro modelo de apofenia é chamado de falácia do apostador: a crença de que você irá ganhar apenas por eliminação das possibilidades. Isto é, se você tem 50% de chance de acertar qual o lado da moeda que vai cair para cima, mas errou na primeira tentativa, a crença absurda de que na próxima vez que você jogá-la você estará certo.

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Você enxerga o rosto de um índio nesta formação rochosa da Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa (PR)? Este é um exemplo de pareidolia

O problema científico

Para os cientistas, a apofenia pode ser um grande problema. Ela pode induzir os pesquisadores a chegarem a resultados esperados apenas por conta de uma visão tendenciosa dos processos analisados. Um estudo mostra que até 40% das pesquisas relacionadas a gestões estratégicas podem obter resultados diferentes se forem repetidas.

Agora pense em algo mais importante, como a medicina. Alguém analisa uma nova droga contra o câncer e pensa que ela é perfeita para acabar com a doença, sendo que os resultados foram “manipulados”, mesmo sem essa intenção, para serem aquilo que os pesquisadores gostariam que fosse. Isso pode levar a uma comoção em massa por algo que não se tem comprovação de uma eficácia real.

Pesquisas psicológicas sugerem que pessoas com esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno pós-traumáticos são mais propensas a ver padrões em lugares que não existem. Entretanto, a explicação também pode estar em uma atividade acima do normal no lado direito do cérebro, responsável pela criatividade e pelo senso artístico.

O seu cérebro pode criar falsas informações para chegar ao resultado que você deseja

Mente aberta

Muitos acreditam que as doenças mentais e a criatividade possuem um caminho “comum” dentro do cérebro. Portanto, a apofenia não deve ser encarada como algo negativo – até mesmo porque sua relação com distúrbios psicológicos é uma mera especulação ainda não comprovada. Quantos gênios nas mais diversas áreas não foram chamados de loucos por seus contemporâneos?

Agora, para evitar que a apofenia seja algo prejudicial na sua vida, tente manter a mente aberta para outras possibilidades e explicações sobre assuntos que você tem plena convicção de estar correto. Aquela luz que você viu no céu pode ser um disco voador? Pode. Mas também pode ser apenas uma estrela cadente, um reflexo ou mera imaginação de seu cérebro querendo lhe pregar uma peça.

E se aquele disco voador for apenas um drone?

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