Por que temos a impressão de a viagem de volta ser mais curta que a de ida?
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Por que temos a impressão de a viagem de volta ser mais curta que a de ida?

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Depois de fazer uma longa viagem até um local em que você nunca havia estado, você já teve a impressão de que o caminho de volta parecia mais curto do que o de ida? E não é necessário que o trajeto tenha sido feito de ônibus ou carro para que esse efeito seja notado. Mesmo quando caminhamos pela primeira vez até um destino mais distante, o retorno igualmente nos parece mais breve.

De acordo com Joseph Stromberg do site Vox, os cientistas também sentem o mesmo efeito — e é claro que eles estão tentando entender a razão de isso acontecer! Assim, uma equipe japonesa conduziu um estudo recentemente e, segundo concluíram, a sensação não está associada unicamente com a forma como percebemos a passagem do tempo.

Experimento

Segundo os pesquisadores, a sensação também depende das memórias que criamos durante a viagem. E mais: o fenômeno só é notado quando pensamos em retrocesso sobre o trajeto que concluímos. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de um experimento no qual eles pediram que alguns participantes assistissem a uma combinação de filmes de 20 minutos mostrando uma pessoa caminhando pelas ruas de uma cidade.

Depois, os cientistas dividiram os participantes em dois grupos, exibiram dois filmes diferentes para cada e pediram que os integrantes dos grupos avisassem cada vez que eles acreditassem que havia se passado três minutos do filme. Além disso, os cientistas também pediram para que os participantes estimassem qual dos vídeos era mais longo.

Um dos grupos assistiu ao caminhante fazendo o mesmo percurso na ida e na volta, enquanto o outro grupo viu o vídeo que mostrava a pessoa fazendo trajetos diferentes para ida e para volta. A intenção dos cientistas era examinar como os participantes percebiam a passagem do tempo conforme o tempo e quando pensavam em retrospectiva sobre determinado período.

Resultados

De acordo com os pesquisadores, os dois grupos estimaram a passagem do tempo de maneira bem parecida durante o experimento. Contudo, depois, quando os grupos reavaliaram o teste em retrospectiva, o que assistiu ao filme do passeio com o mesmo percurso de ida e volta sentiu que a parte da volta era mais curta — enquanto o grupo que acompanhou os trajetos diferentes não percebeu o mesmo efeito.

Os pesquisadores especulam que o fenômeno pode estar associado com as nossas expectativas com respeito ao caminho de ida e com a forma como prestamos atenção no tempo. Afinal, você já percebeu que, quando estamos ansiosos com alguma coisa, tudo parece passar mais lentamente, ao contrário do que acontece quando estamos distraídos e nem vemos as horas passando?

Pois isso parece acontecer até quando pensamos em um período de tempo em retrocesso. A sensação de que a viagem de volta é mais curta do que a de ida pode estar relacionada com a nossa familiaridade com os pontos de referência do trajeto — que já foram vistos na ida —, e que, por sua vez, também afetam a forma como percebemos a passagem do tempo. Tanto que o mesmo efeito não é percebido em caminhos que fazemos todos os dias!

Aliás, segundo Joseph, essa questão também pode ajudar a explicar outro efeito conhecido. Existem evidências de que temos a impressão de que o tempo desacelera quando nos deparamos com novas experiências e que o contrário acontece quando estamos fazendo algo familiar e rotineiro. Essa provavelmente é a razão de termos a impressão de o tempo passar mais depressa conforme vamos envelhecendo — já que enfrentamos menos situações novas.

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