Reprodução entre iguais: técnica pode permitir a fertilização sem um óvulo
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Reprodução entre iguais: técnica pode permitir a fertilização sem um óvulo

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Senta que lá vem treta: os cientistas estão desenvolvendo uma técnica em que será possível a reprodução das espécies sem a necessidade de um gameta feminino. Hoje em dia, mesmo para técnicas de clonagem, o óvulo é uma parte fundamental do processo. Entretanto, pesquisadores estão tentando criar um novo ser através da união de um espermatozoide com qualquer outra célula, como a da pele, por exemplo.

Dessa maneira, dois indivíduos homossexuais poderiam gerar um ser geneticamente descendente deles próprios. E o que pode ser uma faísca de esperança no universo LGBT também pode ser a solução para mulheres que nasceram ou se tornaram inférteis depois de tratamentos invasivos.

O caminho até isso se tornar realidade ainda é longo: os cientistas começaram agora os experimentos com ratos. Muitos especialistas ainda consideram a ideia uma mera especulação fantasiosa, mas a possibilidade está rondando a ciência há algum tempo. Essa técnica também poderia ser a salvação de espécies ameaçadas de extinção, cuja reprodução em cativeiro é bastante complicada. Em 2012, uma das variações de tartarugas-gigantes do arquipélago de Galápagos viu seu último macho falecer sem ter cruzado com nenhuma das fêmeas, dando fim à espécie.

Técnica permitiria (ou permitirá?) que espermatozoides se fundam a células normais, que não sejam um óvulo, e, mesmo assim, gerem embriões saudáveis

Partenogênese laboratorial

“Nosso trabalho desafia vários dogmas. Desde que os primeiros embriologistas observaram os gametas dos mamíferos, por volta de 1827, e a fertilização, 50 anos depois, só um óvulo fertilizado por um espermatozoide pode resultar em nascimento dos mamíferos”, explicou Tony Perry, embriologista molecular da Universidade de Bath, na Inglaterra, que está por trás dessa pesquisa.

A partenogênese se refere ao crescimento de embriões sem fertilização. Ela ocorre naturalmente em plantas agamospérmicas, alguns invertebrados (como as pulgas) e poucos vertebrados (lagartos, salamandras e peixes). Para mamíferos, a técnica ainda está no começo, já que os embriões gerados dessa forma morreram pouco tempo depois.

Agora, isso parece estar mudando: cientistas acreditam ser possível manipular esses embriões com o espermatozoide, transformando-os em embriões normais, capazes de gerar uma prole. Até o momento, essa técnica resultou em 24% de taxa de sucesso – bem superior, por exemplo, à taxa de menos de 2% nos casos de clonagem.

O dragão-de-komodo é uma das espécies capazes de se reproduzirem por partenogênese de forma natural

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