Muito se fala sobre o Holocausto, a Segunda Guerra e todo o mal que os nazistas causaram a milhões de pessoas, especialmente os judeus. Foram muitos mortos e pouca explicação para tantas atrocidades cometidas nos campos de concentração. Até hoje não se sabe ao certo o que motivou as atitudes tomadas por Hitler e seus aliados, e apenas se lamenta tamanho estrago feito à população judaica. De qualquer forma, infelizmente parece que os males causados não ficaram só entre as pessoas que estiveram presentes nos campos de concentração ou foram perseguidas na época.

Os filhos da geração de judeus também podem sentir algum efeito causado pelo trauma sofrido pelos pais. A constatação é fruto de um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Monte Sinai, de Nova York, que analisaram os genes de um grupo de 32 judeus, homens e mulheres sobreviventes do holocausto, e os filhos dessas pessoas. Entre os integrantes do grupo analisado, todos passaram por campos de concentração, presenciaram algum tipo de tortura ou foram forçados a se esconder dos nazistas.

Na pesquisa, uma informação genética foi encontrada tanto nos pais judeus que enfrentaram o holocausto quanto em seus filhos. Não se sabe como essa transmissão de informações acontece, mas foi concluído que as alterações nos genes existem em função dos traumas sofridos por essas pessoas durante o Holocausto, porque os pesquisadores compararam a informação genética desse grupo com a de outras famílias judias que não estavam presentes na Europa, durante o período da Segunda Guerra Mundial. Essas famílias não sofreram diretamente os efeitos das atrocidades cometidas pelos nazistas.

“As alterações nos genes das crianças só podem ser atribuídas à exposição de seus pais ao Holocausto”, afirma a diretora do Instituto de Estudos de Estresse Traumático, professora Yehuda. Ela também é responsável por um estudo com mulheres grávidas que sobreviveram aos atentados terroristas de 11 de setembro.

A equipe da professora Yehuda analisou uma região dos genes que é conhecida por ser afetada por traumas e tem grande responsabilidade na regulação de hormônios do estresse. Dessa forma, ela ressalta que os estudos constituem fortes evidências da existência de uma “experiência epigenética”, na qual os traumas podem ser transmitidos aos filhos. Nós já publicamos, aqui no Mega Curioso, detalhes sobre um estudo que já levantava essa possibilidade e trazia esclarecimentos sobre o que chamava de “herança epigenética transgeracional”, que você pode conferir clicando aqui.