Zahra Joya: a afegã que se fez passar por menino para poder ir à escola
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Zahra Joya: a afegã que se fez passar por menino para poder ir à escola

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Se você é fã de histórias de coragem e superação, prepare-se para se surpreender com o caso de Zahra Joya, uma jovem que, para poder frequentar a escola em sua aldeia natal, no Afeganistão, se fez passar por menino durante seis anos — correndo o risco de ser severamente punida caso fosse descoberta.

Zahra, que vivia no vilarejo afegão de Waras, nasceu em 1993, época em que o regime Talibã comandava o país. Segundo ela, o grupo não tinha uma presença direta na aldeia, mas suas leis foram estritamente implementadas e seguidas pela população — o que significa que as mulheres e meninas que viviam no local tiveram vários direitos banidos, entre eles o de frequentar a escola e receber uma educação formal.

Disfarce arriscado

Enquanto as meninas foram proibidas de ir à escola, o imam — líder religioso da mesquita local — se ocupava da educação dos meninos. Zahra, que na época tinha 5 anos de idade, via dois de seus tios irem à aula todos os dias, e alimentava um profundo desejo de ir também. Aliás, foi graças à ajuda de um deles que a jovem afegã conseguiu traçar seu plano mirabolante e convencer a sua família a permitir que ele fosse posto em prática.

Zahra disfarçada de Mohammed

Para poder estudar como qualquer criança de sua idade, Zahra abandonou os tradicionais trajes femininos e passou a se vestir como menino. Ela também adotou o nome Mohammed e foi obrigada a aprender a se comportar como um típico garoto afegão — ou seja, Zahra teve que se adaptar à vida em um ambiente exclusivamente masculino.

As demais meninas de seu vilarejo não tiveram acesso à educação

A jovem aprendeu a controlar suas emoções, a falar e a caminhar como um menino, e a fazer coisas como jogar futebol e brincar nas montanhas. E ela conseguiu manter o disfarce durante seis longos anos, em parte porque a escola ficava a mais de 1 hora de caminhada de sua aldeia. Isso até o regime Talibã ser derrubado, quando Zahra tinha 11 anos, e o novo governo suspender a proibição de as meninas frequentarem a escola.

Novos desafios

Curiosamente, de acordo com Zahra, na verdade, apesar das dificuldades de passar seis anos vivendo como Mohammed, seus maiores desafios chegaram quando, finalmente, ela assumiu sua verdadeira identidade diante dos colegas de escola. Segundo contou, como era de se esperar, todos ficaram chocados e ela sofreu discriminação tanto por parte dos garotos como das garotas.

Esta é Zahra hoje, aos 23 anos de idade

Isso porque, por um lado, os meninos tiravam sarro de Zahra por ela ter “mudado de sexo” e, por outro, as meninas se recusavam a aceitá-la entre elas. Contudo, apesar dos pesares, como Zahra havia frequentado a escola durante seis anos, ao contrário das garotas de seu vilarejo, que sequer eram alfabetizadas, ela tinha inúmeras vantagens sobre os demais.

Afinal, além de ter acesso à educação, Zahra teve a oportunidade única de fazer parte de um ambiente proibido às demais mulheres. A jovem afegã decidiu seguir adiante e concluir os estudos. Entretanto, sua maior vitória foi ter convencido o pai a permitir que ela fosse a Cabul para frequentar a universidade.

Além de ter se formado em Direito, Zahra é jornalista e sustenta toda a sua família

A jovem enfrentou um sem fim de obstáculos — como a falta de apoio, de dinheiro e de amigos —, mas conseguiu se formar em Direito. Hoje Zahra tem 23 anos de idade e se tornou jornalista. Além disso, ela não só sustenta sua família inteira, como custeia a educação de suas irmãs, e sente um imenso orgulho de todas as suas conquistas.

Mas Zahra também admite que sente saudades de sua vida como Mohammed às vezes — de quando podia rir alto, de quando tinha oportunidades e direitos iguais aos dos meninos. Sendo mulher no Afeganistão, ela ainda teme a opressão e tem total consciência de que existem limites que ela infelizmente ainda não pode atravessar.

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