O fim de um relacionamento e o dia em que Gregório falou por todos nós
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O fim de um relacionamento e o dia em que Gregório falou por todos nós

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Eu sei, só de ler o nome “Gregório Duvivier” muita gente já vai querer discordar do texto – ou achá-lo incrível. Mas esqueça todas as opiniões e, principalmente, o mundo da política. Não vamos falar de direita ou esquerda, apenas de uma coisa: relacionamentos – e os fins impactantes deles.

É difícil conhecer alguém que não tenha passado por todas aquelas fases clichês: o início da paixão e as descobertas sobre o outro – e até sobre você mesmo –, e o namoro que vai nos tornando um pouco dependentes demais daquela outra pessoa na nossa rotina...

Tem também uma das melhores partes, ou piores, depende de você: a calmaria. É quando você já conhece bem as manias e preferências do outro, quando já faz parte aceitar algumas pisadas na bola e discordar sem medo de pontos de vista ou da escolha do próximo filme a que vão assistir naquele fim de domingo.

É nessa etapa que, normalmente, os amigos e familiares estão tão acostumados a verem vocês dois juntos que um rompimento parece impossível, mas, às vezes, é inevitável.

Deve ter sido essa a sensação quando Gregório e Clarice Falcão terminaram. Na sua coluna de hoje, na Folha de S.Paulo, ele conta em poucos parágrafos como se conheceram e, principalmente, como se completaram. Foi bom enquanto durou.

Já deixo um aviso: ler isso vai te fazer pensar no seu relacionamento atual e nos antigos também, mas tudo bem. Isso também é legal e mostra que, mesmo com posicionamentos tão diferentes, no fundo, a gente é bem igual.

Clarice e Gregório

Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice

“Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.

“Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

“Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.

Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs.

“Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.

“Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.

“Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.”

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