Homem passa 44 anos na prisão e se assusta com a tecnologia do mundo atual
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Homem passa 44 anos na prisão e se assusta com a tecnologia do mundo atual

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Pense em quanto o mundo mudou nas últimas duas ou três décadas. Caso você queira refrescar um pouco a memória, neste link você pode encontrar uma seleção de itens que fizeram sucesso entre os anos 80 e 90, e aqui você assistir a vários comerciais da mesma época. Neste link você ainda pode conferir diversas capas antigas da Playboy, neste aqui temos super-heróis do passado e aqui uma variedade de guloseimas que fizeram a alegria da molecada.

Agora, imagine o choque que um indivíduo que passou mais de quatro décadas “removido” da sociedade teria ao sair pelas ruas hoje e perambulasse por um mundo tomado por sujeitos apressados, cartazes luminosos, milhares de carros circulando pra lá e pra cá, computadores em todos os cantos e pessoas encerradas em seus próprios universos — com os rostos colados nas telas de seus smartphones e com fones nos ouvidos.

Admirável mundo novo

Foi com esse mundo que Otis Johnson se deparou ao sair da prisão — depois de passar nada menos do que 44 anos encarcerado! De acordo com um interessante artigo de Jenna Belhumeur, do portal de notícias Al Jazeera, Otis foi preso em 1975, acusado de tentativa de assassinato de um policial, o que significa que, quando ele foi retirado da sociedade, muitas das coisas que fazem parte do nosso dia a dia não existiam.

Otis tinha apenas 25 anos quando foi para a cadeia, saindo de lá com 69, e o pessoal do Al Jazeera acompanhou o ex-presidiário a um passeio pela Times Square, em Nova York, que é um dos lugares mais agitados da cidade. Você pode assistir ao vídeo a seguir — que está em inglês —, e o relato cativante de Otis sobre suas impressões é fascinante.  

Durante o passeio pela Times Square, o ex-presidiário revelou que nunca havia visto luzes como aquelas antes, apontando para os cartazes luminosos de alta definição situados nas janelas de lojas e edifícios, achando toda a movimentação uma loucura. Outra observação interessante de Otis foi que ele notou que as pessoas não conversam mais umas com as outras, e a maioria anda por aí falando sozinha.

Otis contou que, em um primeiro momento, a sensação que teve foi de que todos pareciam ter se transformado em agentes secretos ou da CIA, já que boa parte das pessoas que ele viu contava com “fios” saindo de suas orelhas — se referindo aos fones de ouvido que ele observava em quase todo mundo, mas não reconhecia.

Então, olhando mais de perto, o ex-presidiário percebeu que os dispositivos com os quais todo mundo conversa são, na verdade, telefones — e coisas chamadas iPhone “ou algo assim”. Além disso, algo que surpreendeu Otis foi ver que muitos sequer olham por onde estão andando, e ele disse que ainda está tentando entender como é que as pessoas conseguem fazer isso — controlar seu deslocamento enquanto falam ao celular.

Mas não foram apenas os dispositivos eletrônicos que surpreenderam Otis. Uma simples visita ao supermercado o deixou maravilhado, já que a variedade de opções o deixa muito indeciso sobre o que escolher. Segundo disse, atualmente existe uma porção de produtos malucos à disposição, como refeições estranhas e bebidas muito coloridas que parecem divertidas para ele — e aos poucos Otis está tentando experimentar coisas diferentes.

Difícil adaptação

Otis terminou de cumprir sua pena no ano passado e, segundo disse, a vida na prisão o afetou profundamente. Depois de sair da cadeia, a adaptação à liberdade foi difícil, já que tudo havia mudado muito durante esses anos todos e ele se acostumou a passar a maior parte do tempo sozinho. Além disso, Otis perdeu o contato com a família no final da década de 90, portanto, ele não tem mais laços com as pessoas de seu passado — o que o deixa muito triste.

Entretanto, o ex-presidiário disse que gosta de andar de ônibus e de ver coisas diferentes, bem como de se comunicar com as pessoas. Afinal, esse tipo de transporte público, ao contrário do metrô, não é tão lotado e permite que ele tenha a oportunidade de conversar com alguém ou ouvir o que está acontecendo ao seu redor.

Reintegração

Segundo Jenna, presidiários como Otis, que ganham a liberdade após passar décadas em isolamento, se deparam com obstáculos enormes. Afinal, enquanto estão atrás das grades, não são eles quem decidem quando é hora de comer, de sair para tomar sol ou de que as luzes se apaguem, e ,quando eles voltam a viver em sociedade — depois de passar a maior parte da vida na prisão —, mesmo as coisas mais simples se transformam em grandes desafios.

Portanto, além das questões relacionadas com os danos psicológicos de passar tanto tempo na cadeia, esses indivíduos precisam ser “apresentados” às tecnologias modernas e aprender como lidar com questões cotidianas — como abrir uma conta bancária, decidir o que comprar no supermercado e como usar o transporte público.

No caso de Otis, a sensação de estar novamente se reintegrando à sociedade é muito boa. Segundo disse, na prisão, os detentos só tinham permissão de sair ao pátio durante intervalos reduzidos, e ele gosta de estar ao sol e observar as pessoas. De acordo com suas próprias palavras, é muito bom estar em liberdade.

Você conhece histórias sobre pessoas que passaram a maior parte de suas vidas na cadeia e que conseguiram se adaptar à liberdade? Comente no Fórum do Mega Curioso

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