500 anos da Reforma Protestante: ato de Lutero pode ter sido BEM diferente
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500 anos da Reforma Protestante: ato de Lutero pode ter sido BEM diferente

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Nesta terça-feira (31), o mundo vai comemorar os 500 anos da Reforma Protestante: em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero pregou, na porta de uma igreja em Wittenberg, as 95 teses que desestruturaram a Igreja Católica e criou uma nova forma de ver o cristianismo. Acontece, porém, que nem todos estão convencidos de que a história foi realmente assim... Inclusive, muita gente acha que Lutero sequer pregou as teses na porta da tal igreja! Mas vamos começar do começo.

No século 16, a Igreja Católica vivia sob intensa corrupção. Na época, a prática da venda de indulgências, isto é, do perdão divino, crescia de vento em popa. E quanto mais dinheiro o pecador tinha para pagar, maior era o “terreno no Céu” que ele poderia comprar. Claro que, uma hora ou outra, isso iria encontrar opositores.

O alemão Martinho Lutero, nascido em 10 de novembro de 1483, foi um desses caras que questionaram a Igreja Católica. Isso desde que entrou na Universidade de Erfurt, em 1501, onde estudou a filosofia nominalista, que prega, diferente do realismo e do conceitualismo, que as ideias gerais não passam de simples “nomes”, ou seja, o universal não existe por si, sendo apenas um termo.

Martinho LuteroMartinho Lutero questionou as práticas da Igreja Católica

Em 1505, Lutero quase foi atingido por um raio e passou a temer ainda mais a Deus, por isso acabou entrando em um convento. Ele rezava muito, praticava o jejum e andava na linha, mas nada disso foi capaz de diminuir o medo do julgamento divino, até que ele teve uma epifania: “É a fé, e não as obras boas, que salva o homem”. Assim, o pecado era inerente ao ser humano desde o pecado original, mas a fé podia libertá-lo do castigo de Deus.

No versículo 17 do primeiro capítulo de Romanos, a frase “O justo viverá pela fé” se tornou o mote da vida de Lutero. Dessa maneira, ele passou a rejeitar outras doutrinas da Igreja Católica, como os sacramentos, o sacerdócio ministerial, a missa e a hierarquia católica. Não é difícil imaginar o quanto isso ia de encontro a tudo o que a Igreja Católica pregava naquela época.

O descontentamento com o catolicismo foi tamanho que ele formulou as 95 teses em latim que questionavam as indulgências. A história conta que ele as fixou na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, mas alguns historiadores acreditam que esse fato na realidade nunca ocorreu.

Martinho LuteroLenda conta que as 95 teses foram pregadas na porta da igreja, mas historiadores acreditam que história foi um pouco menos escancarada

Segundo a historiadora religiosa Joan Acocella, em um artigo publicado no The New Yorker, quem estuda essa época está convicto de que Lutero jamais pregou as teses na igreja, mas elas de fato existiram. Só que, em vez de ficarem expostas na porta do templo religioso para toda a população ler, as teses teriam sido enviadas diretamente ao arcebispo de Main – nessa mesma data histórica de 31 de outubro de 1517 –, gerando uma crise interna dentro da Igreja Católica.

Apesar disso, o impacto da ação de Lutero foi decisivo na Reforma Protestante que se seguiu na Alemanha e se espalhou pelo resto do mundo. Em 1521, depois de uma série de ameaças, o papa Leão X excomungou Lutero, que acabou criando uma igreja própria, a Protestante, que renunciava boa parte dos ensinamentos católicos – algumas tradições como o batismo e ceia permaneceram, mas foram poucas.

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