Exercício Tigre: o treinamento para o Dia D que matou 750 soldados aliados
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Exercício Tigre: o treinamento para o Dia D que matou 750 soldados aliados

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A Segunda Guerra Mundial foi um marco na História. Vários fatos se tornaram emblemáticos, e a Batalha da Normandia, conhecida popularmente como Dia D, talvez tenha sido um dos principais, junto com o lançamento das bombas atômicas sobre o Japão.

No dia 6 de junho de 1944, centenas de aliados desembarcaram na costa norte da França, no que seria a maior invasão pelo mar da História. A Operação Overlord, nome utilizado pelos militares na época, foi responsável por colocar, no período de um dia, 180 mil soldados em território inimigo  sendo decisiva para a vitória aliada.

A criação desse acesso possibilitou que mais de 3 milhões de soldados conseguissem chegar às regiões invadidas pela Alemanha Nazista, e uma operação com tamanha magnitude não é realizada do dia para a noite.

Treinamento realista

Nos meses que antecederam a fatídica data, foram realizados uma série de treinamentos; um deles aconteceu na pacata Slapton, costa sul da Inglaterra. As praias da região foram escolhidas por se assemelharem muito a uma das áreas onde os soldados iriam invadir o território inimigo.

O local foi evacuado, e aproximadamente 3 mil pessoas foram realocadas com a explicação de que ali ocorreria o “Exercício Tigre”. As tropas americanas que utilizaram o local para treinamento foram chamadas de “Força U”, pois na missão definitiva desembarcariam na praia com codinome “Utah”.

O comandante supremo dos Aliados e futuro presidente dos EUA, General Dwight D. Eisenhower, exigiu que o treinamento fosse o mais realista possível. Foi utilizada munição real, para que os soldados sentissem de todas as formas como a missão aconteceria. Até mesmo o processo de transporte foi simulado, com os barcos fazendo um percurso em alto-mar para se acostumarem às náuseas geradas pela movimentação.

A praia era bombardeada antes da chegada dos soldados, para que fosse criado um campo de batalha com a forma mais realista possível. Até mesmo os inimigos fictícios atiravam com munição real; a única diferença é que sempre faziam isso acima de seus companheiros.

Acidentes acontecem

Tudo correu como planejado nos primeiros dias, de 22 a 25 de abril de 1944. A fatalidade se deu no dia 27 de abril, quando alguns navios que participariam do exercício se atrasaram muito, fazendo com que todos os horários combinados previamente fossem adiados em 1 hora.

O grande erro foi que certos barcos não foram alertados sobre as mudanças, e as tropas desembarcaram na praia 1 hora antes do combinado. Isso fez com que os homens enfrentassem fogo amigo, proporcionado pelo bombardeio da praia feito para simular a área de combate no momento do ataque. Dando sequência a uma sucessão de erros, os inimigos fictícios começaram a disparar suas armas diretamente nos soldados.

O engenheiro Jim Cory viu tudo de um posto de observação, e a imagem do acontecimento se manteve em sua memória até seu último dia de vida, segundo sua esposa. O comportamento absurdo dos inimigos falsos nunca foi explicado.

Aproximadamente 450 soldados morreram naquele dia, não houve nenhuma menção oficial sobre o problema, e os sobreviventes juraram segredos a seus superiores. Os corpos foram queimados nas proximidades e transferidos para uma localização desconhecida meses depois. O massacre só começou a ser questionado 40 anos após ter acontecido, quando moradores da região passaram a encontrar ossos humanos e equipamentos militares trazidos pelo mar.

Cruzando com o inimigo, de verdade

E esse não foi o único imprevisto do exercício. No dia seguinte ao massacre, oito navios que levavam soldados para treinamento de desembarque na praia cruzaram com nove navios alemães, os E-Boats. Justamente nesse dia, uma das embarcações responsáveis por escoltar os navios de treinamento estava em manutenção. O saldo final da batalha naval foi de 300 soldados aliados a menos, mortos pela explosão de torpedos lançados pelos inimigos.

O mais impressionante é que, no dia da invasão, as tropas que desembarcaram na praia com codinome Utah, e treinaram na região, perderam somente 197 soldados. Apesar da incoerência do número de mortes nessa divisão específica, as falhas que causaram os acidentes foram corrigidas para que os mesmos problemas não ocorressem no dia decisivo.

Após a guerra, o exército dos EUA montou um memorial em homenagem aos moradores da região de Slapton. Eles agradeceram o esforço pela evacuação, que proporcionou um ambiente realista de batalha e foi determinante no sucesso da missão.

Em 1984, os próprios moradores retiraram da água um tanque Sherman e montaram um memorial, homenageando os que morreram durante o treinamento.

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