A história de Desmond Doss, o herói que salvou 75 vidas na 2ª Grande Guerra
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A história de Desmond Doss, o herói que salvou 75 vidas na 2ª Grande Guerra

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Sempre que assistimos a filmes inspirados em fatos reais, bate aquela dúvida a respeito do que é realmente verdade e o que foi colocado no roteiro apenas para criar um apelo comercial. Em 2016, por exemplo, foi lançado “Até o Último Homem” (“Hacksaw Ridge”, no original em inglês), que conta as aventuras do soldado Desmond Doss — que se recusou a tocar em uma arma ao longo do conflito —  durante a Segunda Guerra Mundial.

A obra foi indicada a dezenas e ganhou vários prêmios acadêmicos (incluindo Melhor Filme no AACTA Awards e Melhor Filme de Ação no Critics' Choice Awards), mas será que a história de Desmond é realmente tão tocante quanto a retratada no longa-metragem? A resposta curta é: sim. O militar ficou conhecido por se dedicar como médico e salvar 75 de seus companheiros em uma única batalha, o que fez seu nome entrar para a História.

Pacato desde a infância

Desmond nasceu no dia 7 de fevereiro de 1919 na cidade de Lynchburg, na Virgínia (EUA). Desde cedo ele já demonstrava ser extremamente empático; ainda na infância, andou 9 quilômetros para doar sangue a uma vítima de um acidente. Sua repulsa em relação a armas de fogo começou quando seu pai, bêbado, sacou uma arma durante uma discussão com seu tio.

Nessa ocasião, a mãe de Desmond lhe pediu para pegar a pistola (uma calibre .45) e escondê-la em algum lugar seguro. Visto que naquela época o norte-americano já frequentava a Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele prometeu para si mesmo que jamais tocaria em uma arma novamente — promessa que, por mais incrível que possa parecer para alguém que serviu ao Exército, foi cumprida com êxito.

A carreira militar

Ao completar 18 anos de idade, Desmond se alistou às Forças Armadas e passou a trabalhar nos estaleiros de Newport News. Com a explosão da Segunda Guerra Mundial, foi convocado para lutar — mas sua insistência em não carregar armas ou matar pessoas causou estranheza em seu esquadrão, que passou a tratá-lo de forma agressiva, apelidando-o de “objetor de consciência”.

Desmond não tinha amigos. Seus colegas no campo de treinamento o consideravam inútil, arremessavam botas enquanto ele rezava em seu bunker e o sobrecarregavam com tarefas ingratas aos domingos, visto que, aos sábados, ele se recusava a trabalhar para respeitar o descanso sagrado previsto em sua religião. Mesmo com tantos obstáculos, Desmond continuava firme e forte em suas convicções.

Batalha sangrenta

Foi no dia 5 de maio de 1945 que Desmond se tornaria o herói que todos conhecem. Na batalha da Escarpa de Maeda, como ficou conhecido o conflito ocorrido em Okinawa (Japão), o exército japonês esperou até que toda a tropa ocidental estivesse cruzando a planície para iniciar seu ataque, atirando e lançando morteiros contra os soldados. Os militares estadunidenses foram massacrados em poucos segundos.

Felizmente, eles tinham Desmond. O médico, em pleno campo de batalha, tratou das feridas de seus colegas enquanto arriscava sua própria vida. Banhado em sangue alheio, ele fez torniquetes, aplicou técnicas de primeiros socorros e carregou seus amigos até as bordas do cume, deslizando-os cuidadosamente para um lugar seguro. Em aproximadamente 12 horas de trabalho ininterrupto, Desmond salvou 75 vidas.

Além de uma medalha de honra, Desmond ganhou um presente curioso de seus oficiais após a conquista americana naquele território: sua Bíblia, que carregava consigo desde o seu ingresso no Exército e havia sido perdida durante uma das batalhas. Seus amigos vasculharam toda a área até encontrar o tomo, que foi devidamente devolvido ao herói. Desmond morreu em 2006 aos 87 anos, após ser internado com problemas respiratórios.

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