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Olga de Kiev: a viking assassina e vingadora que virou santa católica

Muitos santos da Igreja Católica tem histórias inusitadas, que fogem do estereótipo de figuras serenas e benevolentes que podemos associar a eles. Olga de Kiev, padroeira das viúvas e dos convertidos, bastante venerada na Ucrânia, é um dos maiores exemplos disso. Antes de ser canonizada, ela protagonizou uma vingança sangrenta, digna de Game of Thrones.

Ainda adolescente, Olga se casou com Igor, herdeiro do primeiro mandatário do Rus de Kiev, Rurik. Esse reino medieval tinha alianças com a tribo dos drevlianos, no que hoje é o norte da Ucrânia. Mas, quando Rurik morreu, estes pararam de pagar seus impostos — e Igor foi até lá para cobrar a dívida. Então, foi brutalmente assassinado. 

Os drevlianos ainda propuseram casamento entre seu príncipe e a viúva, Olga, então com 20 anos. O filho dela, Sviatoslav, tinha apenas três anos e era jovem demais para ser o novo rei.

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Eu aceito... só que não

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Para formalizar sua "proposta indecente", os drevlianos mandaram 20 diplomatas — que Olga fingiu que receberia bem. Porém, ela conduziu a delegação para a beira de um grande buraco e ordenou que seus soldados jogassem todos lá dentro, para depois enterrá-los vivos. 

Antes que as notícias da recepção pouco calorosa chegassem aos drevlianos, Olga mandou uma mensagem, dizendo que aceitaria a oferta de casamento do príncipe. Mas só com uma condição: que ele enviasse seus chefes mais leais para buscá-la, como forma de mostrar boa vontade ao povo dela, em Kiev. 

Mais uma vez, Olga fingiu receber todos bem e até ofereceu sua casa de banhos para que os chefes se refrescassem após a longa viagem. Quando eles estavam lá, "de boas", ela mandou queimar a casa com todos dentro. 

A vingança final

(Fonte: Album/Alamy Stock)(Fonte: Album/Alamy Stock)

Entre os drevlianos, ninguém ficou sabendo da morte dos emissários em Kiev — as notícias não corriam tão rápido nos tempos medievais, né? Assim, deu tempo de Olga correr até a capital drevliana, ainda fingindo aceitar a oferta de casamento. Ela apenas pediu para dar um banquete em honra ao seu marido morto. 

Quando os convidados já estavam bêbados, os soldados de Olga começaram uma chacina, matando cerca de 5 mil pessoas. Em seguida, os soldados do Rus de Kiev sitiaram a cidade com um cerco que durou mais de um ano. Observando que os drevlianos estavam resistindo mais do que o planejado, Olga fez uma "oferta de paz". 

Ela disse que aceitaria os drevlianos de volta ao reino, pagando os tributos devidos, se eles mandassem três pombas e mais uma pomba de cada casa. Claro que a oferta era repleta de segundas intenções: os soldados de Olga amarram panos com enxofre e ácido sulfúrico nas aves e as enviaram de volta para a cidade. Então, toda a capital drevliana queimou. 

Todas as pessoas que tentaram escapar foram mortas pelos soldados do Rus de Kiev e quem sobreviveu precisou se submeter a Olga. 

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A santidade de Olga

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Depois dessa vingança sangrenta, como Olga se tornou uma santa católica? Acontece que ela foi à Constantinopla a convite do imperador Constantino. Ele era um cristão fervoroso e, nessa visita, convenceu Olga a se converter. 

Ela voltou para Kiev, convertida, e pregou para seu povo até o fim da vida. Os esforços tiveram resistência de seu filho, já rei, mas foram continuados pelo neto, Vladimir I. Ele foi quem iniciou o culto a avó, que se tornaria santa séculos depois. Por influência de Olga, o Rus de Kiev e os países que nasceram dele, como Rússia e Ucrânia, são majoritariamente cristãos.

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