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'Cadeira de Judas': o método de tortura que empalava pelas genitálias

No século XII, entre 1100 e 1200, os cátaros eram um secto religioso medieval do sul da França, marcados por serem os responsáveis pelo movimento de heresia medieval da Baixa Idade Média que fez a Igreja Católica estabelecer o primeiro tribunal da Inquisição, com intuito de punir com "justo juízo" o comportamento desse grupo.

Os cátaros declaravam que a Igreja Católica era imoral, hipócrita, gananciosa e luxuriosa devido ao seu avanço por poder, angariação de terras e riquezas. Eles também não pouparam críticas quanto aos livros da Bíblia, que afirmavam que sua escrita foi inspirada por Satã. Tudo isso despertou a fúria do Papa Lúcio III, que enviou tropas de bispos para o sul da França a fim de rastrear esses hereges.

O esforço foi uma forma de coibir as alegações que poderiam contaminar os pensamentos de mais pessoas, e também uma maneira de afirmar a autoridade do papado. Para isso, os clérigos chegavam nas aldeias sem serem anunciados e submetiam as pessoas a um interrogatório, em que usavam de métodos cruéis para fazê-los responder às perguntas.

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Há mais de 800 anos, o tribunal da Inquisição que se espalhou por toda Europa e nas Américas, durando centenas de anos e perseguindo principalmente judeus e muçulmanos, se destacou pela severidade de suas torturas. A pior manifestação da sua "lei" aconteceu na Espanha, onde uma força dominante que durou mais de 200 anos resultou em cerca de 32 mil execuções.

E foi lá que surgiu o que a Inquisição espanhola gostava de chamar de "cadeira de Judas".

Um procedimento doentio

(Fonte: Imgur/Reprodução)(Fonte: Imgur/Reprodução)

Também chamado de “berço de Judas”, o dispositivo era considerado bem simples e consistia em uma estrutura em forma de pirâmide no qual a vítima era posicionada em seu topo, com mãos e pernas amarradas para que o peso de seu corpo não fosse transferido para outra parte do equipamento, desalinhando o propósito da tortura.

A pessoa era obrigada a se apoiar apenas com as pernas, sendo assim, o topo pontiagudo da pirâmide era inserido lentamente no ânus ou na vagina da pessoa por um período indeterminado, podendo continuar por algumas horas ou dias inteiros, variando conforme o quanto ela aguentava naquela posição.

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Eventualmente, o condenado acabava fraquejando e era empalado por suas genitálias, sofrendo uma ruptura agonizante de todos seus tecidos internos. Embora seu destino fosse determinado por ele mesmo, sua morte dependia apenas do torturador, que podia piorar a situação adicionando pesos, derramando óleo na ponta da pirâmide ou em seu corpo.

O torturador recebia uma quantia específica de dinheiro como taxa para operar o dispositivo, que geralmente precisava de auxiliares, e conseguir extrair as informações necessárias da vítima.

A popularidade

(Fonte: National Gallery of Art/Reprodução)(Fonte: National Gallery of Art/Reprodução)

A cadeira de Judas foi aprimorada ao longo de sua jornada como método de tortura, sendo que uma de suas variações se baseava em um sistema de polias que elevava a vítima através de arnês e a empurrava repetidamente em direção à ponta da pirâmide para aumentar a severidade da punição.

A estrutura nunca era lavada, acumulando restos de fezes, sangue e tecidos apodrecidos, sendo este um fator determinante para os que conseguiam escapar vivos da sala de tortura. Isso porque muitos deles não iam longe na vida com a quantidade de infecções contraídas pelos seus machucados em contato com a máquina imunda.

O sucesso da cadeira de Judas foi tão grande na Espanha que acabou deixando de ser um dispositivo apenas religioso para também ser usado contra oponentes políticos da época. Na Prússia, foi criada uma máquina em formato de cavalo para disciplinar os soldados rebeldes, projetada especificamente para causar danos aos órgãos genitais dos homens.

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