Holi: o que você precisa saber sobre o Festival das Cores hindu
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Holi: o que você precisa saber sobre o Festival das Cores hindu

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Você já deve ter visto imagens de multidões de pessoas de, literalmente, todas as cores se divertindo em grandes eventos cheios de alegria e tintas. Talvez você até já tenha participado de um deles, seja na Índia, seja aqui no Brasil, onde algumas versões inspiradas na festa hindu são realizadas de vez em quando. Mas você sabe quais são os significados do Holi, popularmente conhecido como Festival das Cores? 

Realizada todos os anos para comemorar a chegada da Primavera, a tradição elimina, pelo menos por alguns momentos, as grandes diferenças entre castas e classes sociais existentes, por exemplo, entre os povos hindus, deixando toda a população no mesmo nível: igualmente colorida. 

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Separamos 9 curiosidades para você entender melhor o que está por trás (ou por baixo) de todas aquelas cores: 

1 – Antes das tintas vem o cocô 

As cenas que estamos acostumados a ver representam apenas uma parte do festival. Na noite anterior, os participantes acendem fogueiras com madeira e esterco (sim, cocô!) para simbolizar a morte de Holika, uma semideusa que tinha o poder de resistir ao fogo, mas teve seu “dom” anulado quando entrou em uma fogueira para matar seu próprio sobrinho a pedido do seu irmão, o rei Hiranyakashyap. 

Antes das tintas vem o cocô

2 – O bem vence o mal 

Mas como uma “briga familiar” chegou a esse ponto? Bom, o rei Hiranyakashyap se achava a última bolacha do pacote e queria que toda a população subordinada a ele o considerasse o único deus a ser adorado. Acontece que nem seu filho Prahlad concordava com essa regra e frequentemente prestava tributos a Vishnu, um dos três principais deuses do hinduísmo, ao lado de Shiva e Brahma. Assim, o rei ordenou que sua irmã Holika matasse seu filho (como você viu no item 1), mas os poderes de Vishnu protegeram Prahlad do fogo, enquanto Holika acabou carbonizada. 

O bem vence o mal

3 – É preciso estar de barriga cheia 

Como acontece em grande parte das festividades por todo o planeta, a comida é parte essencial no caminho para encontrar a felicidade. Na Índia, um prato muito popular durante o Holi é o gujiya, uma espécie de pastelzinho feito por lá recheado com frutas, castanhas e temperado com cardamomo, um tipo de gengibre produzido na região. Outros ingredientes, como coco, pistache, uva-passa e castanhas de caju, podem ser acrescentados à receita. 

barriga cheia

4 – E também beber “leite de maconha” 

Algumas pessoas seguem uma tradição que já existe há mais de 3 mil anos. Uma pasta feita a partir de folhas e flores de cannabis cultivadas na região do Himalaia é misturada com leite, dando origem a esse exótico milk-shake hindu conhecido como bhang. Segundo a cultura local, a planta era uma das favoritas de Shiva e ainda é capaz de estabelecer conexão entre o deus e seus seguidores. 

“leite de maconha”

5 – Por que tantas cores? 

Segundo a mitologia hindu, Krishna, que é um dos avatares de Vishnu, quando ainda criança, estava com ciúmes de sua “irmã” Radha por causa das diferenças de cores de suas peles. Ele era azul-claro, enquanto ela tinha uma tonalidade comum em relação à população daquela região. Para acabar com a birra, a mãe adotiva de ambos mandou que Krishna pintasse o rosto de Radha com a cor que ele bem entendesse. E foi dessa história que vieram os inúmeros pigmentos utilizados no festival até hoje. 

Por que tantas cores?

6 – Cada cor com o seu valor 

Hoje em dia, todos os pigmentos podem ser feitos artificialmente, mas durante a maior parte da história da festividade eles eram produzidos de maneira natural, por meio da extração de diferentes plantas conhecidas por aqueles povos. Cada cor tem um significado, como o vermelho, que simboliza amor, fertilidade e matrimônio, o verde, que leva a ideia de recomeço, e o azul, que homenageia o tom de pele de Krishna. 

Cada cor com o seu valor

7 – O barato pode sair caro 

Apesar de o governo indiano incentivar o uso de corantes naturais, desde meados do século XIX são os sintéticos que ganham mais espaço entre os participantes do Holi, principalmente por serem mais fáceis de produzir e, consequentemente, mais baratos para comprar. Em 2012, cerca de 200 pessoas deram entrada em um hospital de Mumbai por conta de um “envenenamento” causado pelos pigmentos de baixa qualidade. 

O barato pode sair caro

8 – Haja sabão em pó 

E para limpar toda essa tinta depois? Bom, parece que é bem complicado. Caso você participe de um Festival das Cores, provavelmente vai desistir de tentar tirar as manchas das suas roupas, que vão acabar indo para o lixo. É recomendado o uso de peças velhas que possam estragar, além de muita água para o cabelo e para a pele, evitando possíveis irritações causadas pelo excesso de pigmentos. 

Haja sabão em pó

9 – Festival globalizado 

Apesar de suas origens em terras indianas, o Holi já se espalhou por diversas partes do planeta. Países como Paquistão, Bangladesh, Suriname, África do Sul, Malásia, Reino Unido e Estados Unidos possuem grandes populações de hindus em seus territórios e realizam as celebrações. No Brasil também existem eventos semelhantes, mas normalmente o fator comercial se sobressai ao cultural. 

Festival globalizado

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