Fósseis de pegadas indicam que homens caçavam preguiças-gigantes
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Fósseis de pegadas indicam que homens caçavam preguiças-gigantes

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Coincidência ou não, um dos maiores mamíferos que já habitaram essa região, hoje chamada de Brasil, foi o bicho-preguiça-gigante (ou megatério), que viveu há mais de 15 mil anos por aqui. Apesar do apelido, eles eram bastante ativos, e suas pegadas foram encontradas também na América do Norte, onde fósseis parecem indicar um comportamento até então desconhecido. O enorme animal era perseguido por caçadores muito menores que ele: os humanos. 

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Em abril de 2017, escavações realizadas no deserto de White Sands, no Novo México, encontraram centenas de pegadas fossilizadas do mamífero já extinto. Até aí, nada de muito novo, mas o mais surpreendente foi achado dentro dessas marcas do passado: pegadas humanas. Várias delas. 

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O responsável pela descoberta foi Matthew Bennett, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido. Segundo o pesquisador, os fósseis apontam para uma perseguição de homens a uma preguiça-gigante. De acordo com o estudo, humanos acompanharam de perto a movimentação do mamífero pré-histórico, tanto que seus pés pisaram nos mesmos pedaços de terra pouco depois da passagem do animal. 

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Ao contrário dos bichos-preguiça que conhecemos atualmente, a preguiça-gigante, como o nome já diz, era realmente gigantesca  — muito maior e mais forte que o homem. Por isso mesmo, caçar uma delas parecia uma tarefa improvável para os nossos antepassados. Porém, a nova teoria afirma que isso não só era possível, como está registrado eternamente nas rochas. 

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Além da estranha sobreposição de pegadas, o conjunto de fósseis indica até uma movimentação que pode ser comparada a uma estratégia de caça. Enquanto outras pegadas encontradas ao longo da história mostraram caminhadas constantes do animal, as do Novo México evidenciaram uma espécie de “cerco fechado” ao mamífero, que se deslocou em zigue-zague naquele dia. 

A análise feita foi a seguinte: um grupo de homens perseguiu uma preguiça-gigante de perto. O animal, que podia chegar aos 4 metros de altura em pé, tentou fugir, mas foi bloqueado por outros caçadores do bando e seguiu para a direção contrária, sem sucesso. Em certo momento, o bicho se movimentou em círculos, e suas patas de baixo foram fincadas no solo, sugerindo que ele, encurralado, ficou de pé para tentar assustar os destemidos caçadores. 

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Não é possível saber quem levou a melhor nessa batalha nem mesmo afirmar com toda a certeza do mundo que essa cena realmente aconteceu há milhares de anos. Alguns acreditam que tal padrão de movimentos poderia ser simplesmente obra de algum homem das cavernas brincando de comparar tamanhos de pés, por exemplo. O próprio Bennett sabe que não pode provar sua teoria, mas confia nos seus estudos. 

“É muito difícil confirmar alguma coisa, mas uma simples brincadeira não parece muito provável naquele cenário. Esses animais eram temidos. Tinham garras como as do Wolverine. Seria muita estupidez correr o risco de entrar em uma briga com um deles se não fosse por uma questão de sobrevivência”, concluiu o cientista britânico. 

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Herbívoro, um megatério adulto pesava cerca de 4 toneladas, mais que os grandes rinocerontes que vemos (sendo extintos) hoje em dia, por exemplo. Sem a armadura dos nossos mamíferos contemporâneos, as preguiças-gigantes podiam oferecer um gigantesco banquete àqueles homens que, na época, caçavam e coletavam alimentos para sobreviver. 

Ou seja, por essas e outras, estamos aqui. E os bichos-preguiça, assim como os conhecemos e gostamos, também. 

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