Pintar campos de golfe ajuda a provar inocência de homem após quase 30 anos
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Pintar campos de golfe ajuda a provar inocência de homem após quase 30 anos

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Quase 30 anos se passaram desde a condenação de Valentino Dixon pelo crime de assassinato. Graças a sua paixão e seu talento pela pintura, especificamente em telas sobre campos de golfe, seu caso foi revisto e o já não tão jovem Dixon foi inocentado da acusação.

O caso

Em 1991, as ruas de Buffalo, uma cidade no estado de Nova York, apresentavam uma onda de violência cada vez mais crescente. Certo dia, durante uma briga em uma esquina movimentada, vários tiros foram disparados de uma Tec-9 semiautomática. Dentre os muitos envolvidos, dois homens se destacaram por terem levado a arma para a confusão: Dixon e Lammar Scott. As balas acertaram um jovem de 17 anos, Torriano Jackson, que faleceu em seguida.

Dixon foi condenado a 38 anos de prisão, em um julgamento controverso. Isso porque existiam diversas testemunhas afirmando que ele não era o autor dos disparos, porém o advogado de defesa não acionou nenhuma delas. A justificativa para isso foi a de que algumas dessas pessoas já haviam cometido perjúrio (mentido sob juramento), portanto não seriam qualificadas para ajudar.

Também foram ocultadas evidências, como o teste de pólvora nas roupas de Dixon, que deu resultado negativo. Sem mencionar o fato de o verdadeiro assassino, Lammar Scott, ter confessado o crime diversas vezes. Como o irmão da vítima afirmou ter visto Valentino como o homem responsável por puxar o gatilho, todas as outras pistas foram deixadas de lado, levando à condenação do jovem com então 21 anos.

A arte

Na infância, o jovem gostava de desenhar, mas não levou o hábito muito adiante. Já na penitenciária de Attica Correctional Facility, Dixon começou a fazer algumas ilustrações como distração, o que chamou a atenção positivamente dos funcionários. Certo dia, o diretor da instituição entregou uma fotografia do clube de golfe Augusta National, mais especificamente do 12º buraco.

Utilizando apenas lápis de cor, Dixon começou a criar ilustrações magníficas, mesmo sem nunca ter jogado golfe em sua vida. Ele foi capaz de reproduzir diversos desenhos com precisão e talento incríveis, tanto que os desenhos ganharam certa fama, a ponto de a revista Golf Digest publicar um perfil do prisioneiro e suas obras, em uma edição em 2012.

Com a divulgação da matéria, estudantes de Direito da Universidade de Georgetown conheceram o ocorrido e decidiram ajudar a provar a inocência do artista, por meio de um programa que reúne diversos professores e alunos e busca debater casos importantes dentro do sistema judiciário e carcerário local.

Condenação pelo assassinato anulada

A condenação de Dixon pelo assassinato do jovem Torriano foi anulada assim que Scott, que está preso por outro crime, assumiu a responsabilidade no tribunal. A pena por possuir uma arma de fogo ilegalmente ainda permaneceu, mas, como Valentino já havia cumprido o tempo necessário, foi liberado algumas horas após a declaração de Lammar.

Segundo o promotor do caso, John Flyn, no entanto, "O senhor Dixon não é um homem inocente. Não se engane nisso". Ainda, refere-se a Valentino como "um traficante de drogas em ascensão na cidade de Buffalo".

A partir de agora, Dixon afirma que continuará desenhando e pensa em ajudar todos aqueles com quem o sistema judicial falhou. "Se você não tem dinheiro, é difícil obter justiça, porque o sistema não é projetado ou preparado para dar a um pobre um julgamento justo", comenta o recém-liberto. "Então, temos muito trabalho pela frente."

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