Matelotage: conheça a união civil entre piratas

Matelotage: conheça a união civil entre piratas

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Embora o casamento homoafetivo ainda seja proibido em muitos lugares do mundo, a união entre pessoas do mesmo gênero acontece há mais tempo do que se pode imaginar. Um exemplo disso é que, durante os séculos XVII e XVIII, muitos piratas se comprometiam com o matelotage, uma espécie de união civil. 

Seja de natureza fraternal ou romântica, os laços dessa união eram bastante respeitados entre os piratas. Vale lembrar que, durante a Era de Ouro da Pirataria, os navios eram compostos majoritariamente por homens e tinham suas próprias regras. 

Como funcionava a matelotage?

Gravura de uma batalha de soldados ingleses e franceses contra piratas. (Fonte: Wikimedia Commons)Gravura de uma batalha de soldados ingleses e franceses contra piratas. (Fonte: Wikimedia Commons)

É provável que a prática tenha começado como uma parceria econômica. De acordo com o livro The Invisible Hook, de Peter T. Leeson, os piratas poderiam fazer um acordo em que um herdaria parte da fortuna do outro depois de partilhar o valor com os amigos do falecido e também com a esposa. 

Por outro lado, a união também podia significar uma relação sexual entre os homens. Os matelots mais jovens podiam trocar sexo por uma chance de subir na hierarquia ou até por dinheiro. 

No livro Sodomy and the Pirate Tradition: English Sea Rovers in the Seventeenth Century Caribbean, o autor Barry Richard Burg afirma que a sexualidade bucaneira não pode ser comparada com a de outras instituições masculinas — como prisões, por exemplo.

Muito pelo contrário, Burg afirma que a realidade dos piratas era tolerante ao relacionamento homoafetivo.

Matelotage nos registros da época

Gravura do Capitão Bartholomew Roberts. (Fonte: Wikimedia Commons)Gravura do Capitão Bartholomew Roberts. (Fonte: Wikimedia Commons)

É sabido que o Capitão Robert Culliford tinha uma união de matelotage. De acordo com o Calendar of State Papers: Colonial Series, John Swann era conhecido como o "consorte de Culliford", o que pode ser uma expressão ambígua, mas que indica algum tipo de relacionamento entre os dois. 

Outros registros apontam para acontecimentos dramáticos. Ao ser insultado por um marinheiro, o Capitão Bartholomew Roberts o matou com a espada, o que despertou a ira do matelot do falecido, que confrontou o capitão e se envolveu em uma briga com ele, recebendo uma punição depois.

Ainda que a prática não tenha sido muito registrada, a matelotage é uma forma de entender mais sobre os homens que desafiavam os mares. 

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