Mafioso foragido é preso após postar vídeo de receita no YouTube

Um mafioso considerado foragido desde 2014 e procurado pela Interpol foi preso na República Dominicana no final de março deste ano após um deslize incomum: ele foi reconhecido porque publicou vídeos de culinária italiana em um canal no YouTube.

Marc Feren Claude Biart, de 53 anos, é acusado de ser um membro influente do clã Cacciola, parte da 'Ndrangheta, uma das mais poderosas organizações criminosas do sul da Itália.

Entre as alegações, estão a de que ele comandou negociações de drogas durante anos no país, além de encomendar assassinatos de rivais e desafetos na região de Nápoles.

Muito cuidadoso

Biart foi condenado em 2014 por ligações com a máfia e, desde aquele ano, foi considerado foragido.

Ainda é incerto como ele conseguiu escapar para a Costa Rica depois da condenação, mas o mafioso posteriormente alternou a residência entre Milão e a região de Boca Chica, na República Dominicana. O país no Caribe divide o território de uma ilha com o Haiti e tem a segunda maior população da região.

O mafioso foi preso no aeroporto de Malpensa, em Milão, depois de ser monitorado pelas autoridades após ter a identidade descoberta.

Quase despercebido

A República Dominicana é um destino caribenho de relativa tradição para italianos, com uma comunidade já de longa data estabelecida no país. Só que Biart era considerado recluso — talvez com medo de ser reconhecido por um de seus conterrâneos.

Só que a sua paixão pela cozinha não o manteve tão discreto. Em uma série de vídeos publicados no YouTube, ele e a esposa preparavam receitas típicas italianas sem mostrar o rosto. O problema? As tatuagens no braço do suspeito ficaram visíveis e eram uma das formas de identificá-lo.

Os clipes não foram divulgados pela Interpol, que também não detalhou como ou quem realizou a identificação.

Outro criminoso ligado à Ndrangheta, Francesco Pelle, também foi preso no final de março, em Lisboa. Ele estava em uma clínica se recuperando de covid-19 e deve ser julgado juntamente com o antigo colega. A dupla se junta a outros 355 suspeitos de serem mafiosos, desde criminosos até oficiais de polícia, com participação nas operações comandadas pelo chefe Luigi Mancuso, conhecido pelo apelido de "O Tio". A ação judicial é a maior envolvendo a máfia italiana nas últimas décadas.

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