Gunner: o cão que se tornou uma 'alarme' na Segunda Guerra Mundial

De pelagem preta e branca, o cão da raça Kelphie Australiano foi encontrado aos 6 meses de vida, em 19 de fevereiro de 1942, sob as ruínas de uma cabana na base militar da Royal Australian Force (RAAF), no Território do Norte (Austrália). Foram soldados do Esquadrão 2 que ouviram os gemidos do animalzinho, que estava com uma das patas dianteiras quebrada devido ao desabamento.

O cão foi levado a um hospital de campanha, onde um oficial médico insistiu que não poderia tratá-lo sem saber seu nome e número de inscrição. Portanto, os soldados deram ao cachorro o nome de Gunner e o número 0000. Ele teve a pata imobilizada com gesso e, a partir desse momento, entrou oficialmente nos registros da RAAF.

Foi o piloto Percy Westcott quem assumiu a responsabilidade de cuidar do pequeno Gunner, tornando-se também o seu adestrador. Levou algum tempo para que o cão se recuperasse de suas más experiências em meio ao cenário de guerra e passasse a responder aos comandos de Westcott.

Olhos de águia

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Cerca de uma semana depois, o piloto percebeu que Gunner apresentava notáveis habilidades de percepção auditiva, de maneira mais incomum do que qualquer outro cachorro – o que poderia ser atribuído às suas experiências. Enquanto os militares da RAAF realizavam sua rotina diária no campo de aviação, Gunner ficou agitado e começou a ganir e pular desesperadamente. Minutos depois, o som dos motores dos aviões japoneses surgiu sobre Darwin e começaram a bombardear e metralhar a cidade.

Dois dias depois, o cachorro repetiu o mesmo comportamento, que foi seguido de outro ataque aéreo inimigo. Esse padrão se repetiu nas semanas seguintes, e foi assim que Westcott foi tendo a certeza de que Gunner tinha uma habilidade incomum de detectar a aproximação dos japoneses e que isso poderia acontecer antes até das sirenes de alerta soarem, provando que ele estava à frente da equipe de inspeção aérea.

A audição do cachorro era tão apurada que ele era capaz de alertar o esquadrão da RAAF até 20 minutos antes de os japoneses chegarem. Por outro lado, Gunner não se comportava igual quando ouvia os aviões aliados se aproximando, mostrando que conseguia distinguir o ronco dos motores de cada um.

(Fonte: The Mirror/Reprodução)(Fonte: The Mirror/Reprodução)

Gunner se tornou tão confiável que Tich McFarlane, comandante do Esquadrão 2, aprovou que Westcott soasse a sirene de ataque aéreo sempre que o cachorro o alertasse. Foi assim que o kelphie se tornou parte da força aérea australiana, tendo a vida de um soldado, podendo tomar banho nos chuveiros, dormir sob o beliche de Westcott, aparecer em fotos oficiais e até participar de treinos de decolagem e pouso.

Depois que Westcott foi enviado para Melbourne, cerca de 18 meses depois que Gunner foi encontrado, não foi mais documentado o destino do animal. Ninguém sabe quando ou como o cão morreu e quais foram suas demais contribuições para o período da Segunda Guerra Mundial.

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