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Quando alguém sai para correr, geralmente começa com aquela preguiça, o corpo todo dói, os músculos pedem socorro e parece que os pulmões vão explodir. Mas, depois de algum tempo, todo esse desconforto desaparece e a pessoa se sente estranhamente eufórica.

O que você experimenta, na verdade, é o que os pesquisadores chamam de Runner’s High, ou seja, uma espécie de euforia provocada pela liberação de neurotransmissores no organismo. Uma pesquisa conduzida pelas universidades do Texas e do Arizona demonstrou que essa sensação faz parte de uma característica evolutiva que nos “programou” para que nos sintamos mais animados durante as atividades físicas que exigem resistência.

A química dos exercícios

Quando nos exercitamos, o nosso organismo libera um tipo de neurotransmissor — os endocanabinoides — no cérebro, que ativa os receptores canabinoides. Estes são responsáveis pela sensação de euforia que sentimos durante e depois dos exercícios, e são os mesmos estimulados quando um indivíduo consome maconha, por exemplo.

Para chegar à conclusão de que essa se trata de uma característica evolutiva, os pesquisadores avaliaram as concentrações desses receptores em vários animais, que foram submetidos a meia hora de exercícios físicos.

Melhor desempenho

Os cientistas descobriram que, tanto nos humanos como nos cães — duas espécies que evoluíram para apresentar um melhor desempenho durante as atividades de resistência —, as concentraçõe de canabinoides aumentaram drasticamente, enquanto que os animais que evoluíram para se tornar sedentários não sofreram alterações.

Os pesquisadores afirmam que a habilidade de correr por longas distâncias nos tornou melhores caçadores e coletores, capazes de conseguir mais comida. Hoje em dia, entretanto, pode até ser que a sensação de prazer permaneça, mas correr só faz a maioria de nós se sentir dolorida no dia seguinte.