Projeto fotográfico mostra toda a extravagância suburbana de Tóquio
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Projeto fotográfico mostra toda a extravagância suburbana de Tóquio

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As primeiras imagem de Tóquio (Japão) que vêm à cabeça de um ocidental normalmente trazem enormes arranha-céus, por entre os quais multidões conectadas a todo tipo de tecnologia portátil se acotovelam. Isso é um sem-número de propagandas que não pedem permissão para entrar no seu consciente — e também no seu inconsciente.

Bem, mas será toda a capital japonesa assim, uma muvuca hi-tech eternamente apressada? É melhor olhar novamente.

Uma cidade horizontal

De fato, foi o que fez o fotógrafo francês Jérémie Souteyrat. Em seu projeto “Tokyo No Le” (Casas de Tóquio), Souteyrat abandonou alegremente os conglomerados fervilhantes de centros como Shinjuku e Shinbuya para provar que, ao contrário do que pensa o senso-comum, Tóquio ainda é uma cidade eminentemente “horizontal” e com estilo arquitetônico até bastante liberal.

“No que se refere a Tóquio, os ocidentais normalmente sabem muito pouco além das altas construções de Shibuya e Shinjuku e das multidões empacotadas dos distritos comerciais. Mas Tóquio é, na verdade, uma cidade horizontal, com menos densidade populacional por metro quadrado do que Paris”, explica o autor do projeto em seu sita oficial.

Ele continua: “Vizinhanças inteiras de moradias familiares se espalham além do horizonte. Em vias tranquilas, às vezes em ruelas, cada família tenta construir o seu ninho, normalmente em espaços mínimos, produzindo um casulo aberto aos elementos, embora escondido dos olhares indiscretos”.

Arquitetura liberal

Conforme o sujeito explica, as casas das imagens foram projetadas por diversos arquitetos renomados de Tóquio. Entretanto, talvez mais chamativo do que as assinaturas dos “experts” seja a imensa variedade de influências culturais disputando cada metro quadrado. “No Japão, as noções de arquitetura são liberais até o ponto da quase inexistência de um legado de edifícios sobreviventes do passado, permitindo aos arquitetos que expressem suas próprias ideias.”

“Dessa forma”, ele continua, “Tóquio pode ser encarada como um teatro a céu aberto, com seu parque imobiliário proporcionando um conjunto teatral único, no qual seus habitantes são, simultaneamente, atores e audiência”.

Composições fotográficas

Ademais, Souteyrat reforçao que, para o projeto “Tokyo No Le”, a ideia foi registrar tudo a título de “composição fotográfica”, de maneira que os conjuntos normalmente ganham contextos para além das próprias construções — explorando também os arredores.

“A fim de mostrar o papel de cada construção na cidade, eu tentei reconciliar a humanidade subjacente das fotografias urbanas ao rigor das representações arquitetônicas”, explica o fotógrafo. “Uma construção é projetada como algo vivo, tanto de dentro como de fora. A arquitetura ganha o seu significado maior em seu relacionamento com os habitantes humanos”, ele conclui.

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