Será que a esquizofrenia tem cura?
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Será que a esquizofrenia tem cura?

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Não é fácil entender uma doença mental e, em casos como os da esquizofrenia, o que se sabe é que ela é, talvez, uma das formas mais cruéis de perder a saúde, quando o que vai embora é justamente tudo aquilo que entendemos por realidade.

O paciente passa a ter uma percepção distorcida do que é real e do que não é. Em muitos casos, começa a ouvir vozes, ter alucinações, dificuldades de se relacionar e se comunicar com outras pessoas. Há também os pacientes que se tornam apáticos, fechados em seu próprio mundo, assim como existem aqueles que têm certeza de que são o alvo de complôs e perseguições diabólicas.

Nessas situações, de nada adianta conversar com a pessoa e tentar fazer com que ela entenda que está passando por um momento de delírio. Só no Brasil, a estimativa é de que 800 mil pessoas sofram com essa doença, que ocorre geralmente entre os 16 e 30 anos. Felizmente, já há tratamentos e medicamentos psiquiátricos que conseguem controlar quase todos os casos, mas será que a esquizofrenia tem cura?

Boas notícias

De acordo com o Mother Nature Network, há cerca de 80 anos, antes do primeiro medicamento para a doença, diversos estudos haviam sugerido que 20% dos pacientes acabavam se recuperando sozinhos, com o passar do tempo. Atualmente essa porcentagem subiu, e novos estudos sugerem que a recuperação é possível para até 60% dos pacientes em tratamento.

É preciso entender que, quando se trata de esquizofrenia, a palavra “recuperação” tem outro sentido. Para os médicos, a recuperação de um paciente esquizofrênico significa a apresentação de sintomas mínimos da doença em um período de 6 meses, pelo menos. Não significa, portanto, que a esquizofrenia deixa de existir e some, como se fosse uma dor de garganta.

Como lembrou a Dra. Gilda Moreno, psicóloga do Hospital Infantil Nicklaus, em Miami, as chances de recuperação são muito maiores em pacientes que não demoraram a descobrir que tinham a doença.

Além disso, pessoas que se recuperam da doença geralmente têm bons círculos sociais, trabalham, contam com a ajuda dos amigos, da comunidade onde vivem e podem contar também com o suporte familiar. Todos esses quesitos são absolutamente importantes.

Questões de recuperação

O Dr. Richard Warner, diretor do Centro de Recuperação do Colorado, publicou alguns estudos a respeito da recuperação de pacientes esquizofrênicos. De acordo com ele, aqueles que trabalham conseguem se recuperar de maneira mais eficaz. No caso de pacientes de países com mais oportunidades de trabalho, o que se sabe é que essas pessoas apresentam ótimos resultados quando passam por um processo de recuperação vocacional.

Warner acredita também que é preciso retirar o estigma intimidador das doenças mentais. Nesse sentido, denominações como “louco”, “fora da casinha” e “doente” poderiam deixar de ser utilizadas de uma vez por todas, afinal não são nada esclarecedoras e só contribuem com o preconceito.

Há relatos também de pacientes que se recuperaram melhor e mais rapidamente quando não consumiam álcool e outros tipos de drogas. 

Avanço

E o tempo, realmente, parece ser um bom aliado no processo de recuperação. Envelhecer, de fato, ajuda a diminuir os sintomas. O próprio John Nash, matemático ganhador de um Nobel, esquizofrênico e cuja história foi contada no filme “Uma Mente Brilhante”, certa vez revelou a um amigo, em uma carta, que as mudanças mais significativas com relação à doença vieram com o envelhecimento.

Quando o que está em pauta é algum tipo de doença mental, a medicina ainda não tem todas as respostas. Felizmente, com os avanços em terapias e medicamentos, o modus operandi, digamos assim, da esquizofrenia é mais bem conhecido e detalhado. Ainda não há como afirmar que todos os pacientes podem se curar, mas é possível dizer que, na maioria dos casos, a doença tem controle. E isso, por si só, já é um grande avanço.

Se você tem mais curiosidades a respeito dos sintomas, tipos e tratamentos da esquizofrenia, talvez seja bom conferir esta entrevista aqui, com uma conversa entre o Dr. Drauzio Varella e o médico psiquiatra Dr. Wagner Gattaz.

*Publicado em 2/7/2015

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