O código Morse é muito mais do que uma combinação de pontos e traços
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O código Morse é muito mais do que uma combinação de pontos e traços

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Desde que se tornaram populares, relógios são utilizados como forma padrão de se medir o tempo. Não conseguimos marcar a hora exata como eles, mas estamos mais habituados do que imaginamos a empregar habilidades semelhantes, só que em escala menor.

Para tentar entender melhor, podemos comparar a duração de um som a uma linha em um papel, por mais estranho que possa parecer. Uma música, ou conversa, é o equivalente temporal do reconhecimento de uma imagem. Quando observamos um desenho, podemos separar os seus elementos em traços, que a princípio não fazem sentido algum, mas juntos transmitem uma mensagem.

A diferença entre um som e uma linha é que um conjunto das últimas pode ser examinado como um todo, pelo período que o observador julgar necessário. Com uma conversa o processo é diferente, pois ela precisa ser analisada de forma linear, e é fundamental manter a atenção enquanto ela acontece para compreendê-la. Isso requer um uso maior da nossa memória, porque a ligação entre as diversas partes depende do que lembramos.

O código Morse é uma boa maneira de mostrar como nosso cérebro domina com primor a habilidade de gerenciar esses tipos de padrões. A comunicação através de pontos e traços pode ser realizada de vários jeitos e é regida totalmente pelo tempo de variação, sem sofrer influência do tom que a pronúncia do sinal possui.

O código Morse

A transmissão de uma mensagem por código Morse é a mais simples possível, pois é feita através de um canal de comunicação único, como um som ou uma luz, com emissão regulada de acordo com um padrão de tempo. Até mesmo uma pessoa piscando os olhos consegue se expressar através dele, passando despercebida por quem não está habituado a decodificar os sinais.

Um caso em que ele foi utilizado de forma sutil aconteceu durante a Guerra do Vietnã, com o almirante americano Jeremiah Denton. Ele foi capturado como prisioneiro e, depois de certo tempo, entrevistado por seus carcereiros como forma de gerar propaganda durante o confronto. Enquanto ele dizia “eu recebo roupas e comida adequada, assim como cuidados médicos quando necessito”, piscava os olhos em código Morse, transmitindo a palavra “TORTURA”.

Mas como é possível entender?

Quase da mesma forma como você aprende um novo idioma; no começo todo mundo parece falar rápido demais, e a pausa entre as expressões é imperceptível. A duração do que é um ponto ou um traço depende do número de palavras por minuto. Por exemplo, em uma mensagem enviada a uma taxa de 10 palavras por minuto, o ponto e o traço duram 120 e 360 milissegundos, respectivamente. As pausas também são importantes, durando 3 vezes o tempo de 1 ponto (360 milissegundos, no caso); o intervalo entre palavras dura 7 vezes mais que 1 ponto (840 milissegundos).

Por mais que essa diferença pareça insignificante, ela é suficiente para que uma pessoa com o ouvido treinado consiga perceber até o “sotaque” de quem está enviando a mensagem.

É preciso esforço para ficar craque em código Morse, porém não é uma tarefa impossível. Retomando o paralelo com o aprendizado de línguas, você não vai conseguir entender tudo que é falado logo de cara. Um dos métodos mais recomendados se chama temporização de Farnsworth. Nele, as letras são transmitidas de forma padrão, mas as pausas entre elas e os intervalos entre as palavras ficam maiores. Dessa forma, o iniciante pode identificar os “objetos temporais”, fazendo com que a compreensão se torne mais fácil.

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