A modelo trans que está revolucionando o mundo da moda
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A modelo trans que está revolucionando o mundo da moda

Equipe MegaCurioso
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Avie Acosta. Este é o nome que está dominando os cenários da moda internacional atualmente. Além de ter um rosto realmente incrível, Acosta chama a atenção por onde passa por uma questão de gênero.

Tudo começou quando ela decidiu seguir modelos transexuais no Instagram, como Hari Nef, que foi a primeira modelo transexual a assinar um contrato com a gigante IMG. As postagens de Nef eram sempre inspiradoras e, além do mais, com elas e com o trabalho da modelo, Acosta finalmente encontrou representatividade e começou a entender melhor algumas questões sobre identidade de gênero.

Acosta nasceu com as características biológicas do gênero masculino e, aos poucos, começou a usar roupas consideradas femininas, como saias, e percebeu que seus amigos não fizeram grandes comentários a respeito. A partir daí, sentia que havia algo de diferente na forma como se sentia e no jeito como queria ser, agir e se vestir.

Guinada

Avie Acosta

Aos 19 anos, após trabalhar em um bar em Oklahoma City, Acosta conseguiu poupar dinheiro suficiente para se mudar para Nova York. Na época, tudo o que tinha eram três malas – para piorar a situação, Acosta não conhecida ninguém na Grande Maçã. Lá, mudou seu nome para Avie e começou a tomar hormônios femininos, e o fato de ser chamada de “ele” todos os dias é algo que realmente a incomoda.

Empenhada a mudar de vida, ela começou a se integrar à comunidade transexual e acabou conhecendo Gogo Graham, uma designer especialista em criar roupas para a comunidade trans. Depois disso, conseguiu participar da Nova York Fashion Week em fevereiro deste ano e, a partir daí, garantiu seu espaço no universo da moda.

Foi durante um evento da Marc Jacobs que Acosta conheceu Kendall Werts, seu agente hoje pela Wilhelmina Models. Depois de conseguir uma boa representação no universo da moda, a modelo já vestiu marcas como Gucci e Diesel. Daí para ser convidada a participar de grandes eventos, como a estreia de “Capitão América”, tudo foi acontecendo naturalmente, e as coisas começaram a se encaixar como “peças de dominó”, segundo a modelo.

Sucesso

Avie Acosta

Sua carreira decolou exponencialmente em questão de meses: de repente, ela tinha uma agente, vários trabalhos e um grande círculo de amigos em Nova York, o que era basicamente um sonho distante quando ainda vivia em Oklahoma.

O fato é que as passarelas das maiores grifes do mundo têm apresentado looks cada vez mais sem gênero definido, o que tem se tornado uma tendência e, ao mesmo tempo, uma ótima oportunidade de trabalho para modelos trans ou que se consideram não binários. Em termos sociais, ainda que o mercado da moda seja restrito, é fundamental reconhecer outras oportunidades de trabalho para essas pessoas, vítimas de tanto preconceito.

Acosta conta que, devido ao momento unissex da moda, não apenas usa roupas desenhadas para todos os gêneros, mas também as específicas para cada um e, apesar de ser mulher trans, desfila também com roupas masculinas e, para isso, tem aprendido a caminhar “de modo masculino” nos últimos tempos. Tudo isso será visto em breve na sua primeira viagem internacional – Acosta deve participar de grandes desfiles na Europa nos próximos meses.

Vida pessoal

Avie Acosta

Sobre suas roupas pessoais, Acosta diz preferir as peças que não são identificadas nem como femininas nem como masculinas e, com criatividade e muito estilo, ela parece desfilar também fora das passarelas, criando visuais diferentes, marcantes e cheios de personalidade.

Com relação à família, a modelo explica que nunca teve uma boa relação com os pais, mas que, aos poucos, eles começaram a demonstrar interesse em saber mais sobre a vida da filha, que manda links para eles de matérias e publicações que são divulgadas a respeito do seu trabalho – o irmão mais novo, que tem 13 anos, já sabe que, assim que a irmã estiver estabelecida de vez, ele terá a quem visitar em Nova York.

Representatividade

Avie Acosta

Conhecer um pouco da vida e do trabalho de pessoas como Acosta, além de nos ajudar a enterrar alguns preconceitos, é fundamental para que outras pessoas trans encontrem representatividade positiva, afinal as opções de trabalho para transgêneros sempre foram reduzidas e, na maioria das vezes, conduzidas à prostituição – ou você acha que uma pessoa trans consegue se candidatar a uma vaga de emprego sem sofrer preconceito e sem ouvir um “não” como resposta na maioria das vezes?

Roupas feitas para todos os gêneros, exibidas por modelos trans, não binários, andrógenos podem ser uma maneira de, finalmente, deixarmos de confundir aspectos de competência profissional e caráter pessoal, por exemplo, com identidade de gênero. Já está mais do que na hora. Conte para a gente o que você achou das fotos de Acosta!

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