A verdade sobre a cantora que morreu no palco ao ser picada por uma cobra
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A verdade sobre a cantora que morreu no palco ao ser picada por uma cobra

Equipe MegaCurioso
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A história da cantora Irma Bule, que morreu na semana passada aos 29 anos depois de ter sido picada por uma cobra enquanto fazia uma apresentação, agora ganhou uma nova versão. Yenni Kworkk, em uma publicação na revista Time, revelou alguns aspectos delicados a respeito desse tipo de apresentação artística, tão comum na Indonésia.

Kworkk critica o fato de que muitas pessoas e veículos de comunicação anunciaram o fato como se a culpa fosse da cantora, como se ela fosse “burra” por se apresentar em palco com uma cobra venenosa e, de fato, para quem não conhece a cultura local, é realmente espantoso imaginar que uma cantora subisse ao palco ao lado de um animal venenoso.

A verdade é que Irma não era uma cantora tão famosa assim em seu país, mas era bem conhecida na região de Karawang justamente por fazer a gayang ular, que nada mais é do que a dança com a cobra. Desde a adolescência, porém, ela já cantava dangdut, um gênero musical bastante popular em seu país, e geralmente conhecido por atrair multidões, especialmente em períodos eleitorais.

Cantar para sobreviver

Irma Bule.

Irma era apenas mais uma das cantoras que apostavam na dangdut como uma forma de ganhar dinheiro para ajudar a sustentar sua família – enquanto isso, obviamente, sonhava em conseguir uma colocação de maior prestígio dentro do universo musical da Indonésia.

Enquanto não conseguem o sucesso que tanto esperam, cantoras como Irma vivem com pagamentos equivalem a menos de R$ 70,00 por uma apresentação normal. Se aceitam se apresentar com uma cobra, o valor sobe para o equivalente a R$ 87,00 e, basicamente por isso, há mais e mais cantoras aceitando fazer suas apresentações ao lado desses animais.

A apresentação é geralmente por conta delas, que precisam criar as danças e tentar atrair o maior número de pessoas possível, afinal, se ganharem algum tipo de gorjeta, o dinheiro fica com elas. Foi assim com a hoje famosa cantora e dançarina Inul Daratista, cujas danças provocativas acabaram sendo divulgadas na internet e chamaram a atenção de executivos de entretenimento indonésios.

Repercussão

Irma Bule em uma de suas apresentações.

Depois da morte de Irma, a mãe da artista deu uma entrevista dizendo que a filha começou a dançar com cobras há três anos, embora tenha sempre cantado ao lado de pítons não venenosas, que geralmente tinham suas bocas presas para evitar acidentes. Ela acredita que a filha não sabia que aquela era uma cobra venenosa – talvez por isso não tenha aceitado o socorro médico.

De acordo com o jornalista indonésio Made Supriatma, as cobras podem ter ainda mais um significado para essas cantoras e, especialmente, para Irma: prevenir assédio enquanto dançam no palco. Para ele, Irma é uma representante da mulher pobre que lutou como pôde para ter como sobreviver. Infelizmente, em jornais de todo o mundo, sua morte foi comentada como sendo uma estupidez.

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