Conheça Sona: de oficial da Marinha “machão” a mulher maravilhosa
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Conheça Sona: de oficial da Marinha “machão” a mulher maravilhosa

Equipe MegaCurioso
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Ainda há muita falta de informação quando falamos em identidade de gênero, e o grande problema nesse sentido é que essa falta de informação acaba se transformando em preconceito, que muitas vezes abre as portas à transfobia, o ódio por transgêneros.

Na tentativa de acabar com tanta violência – o Brasil é o país onde mais ocorrem assassinatos por motivos de transfobia –, é sempre bom conhecer histórias de pessoas que não se identificam com seu gênero de nascimento. Hoje vamos contar a história de Sona Avedian, que por muito tempo foi chamada de Matthew.

Foi em novembro de 2012 que Sona decidiu realizar os tratamentos necessários para ser fisicamente mulher. Durante oito meses, passou pela terapia hormonal, emagreceu mais de 40 kg, implantou silicone nos seios, removeu os pelos do corpo e foi submetida a alguns procedimentos cirúrgicos para completar o processo.  

A diferença no visual de Sona, quando comparamos suas fotos antigas com as atuais, é gigantesca. Mas não foi apenas a aparência que mudou, logicamente: “Eu tinha uma ótima esposa, uma filha linda e um trabalho bem remunerado”, revelou Sona ao The Sun.

Ainda que sua vida fosse tradicionalmente heteronormativa, Sona chegou ao ponto em que continuar a viver daquela maneira seria o mesmo que enterrar a própria identidade: “Durante todos esses anos, eu estava vivendo uma mentira e percebi que estava na hora de ser verdadeira comigo mesma”.

Essa noção de que era diferente da maioria das pessoas chegou cedo à vida de Sona, que desde os 7 anos gostava de vestir as roupas de sua irmã e se sentia bem quando fazia isso. De acordo com ela, esse comportamento foi apontado como errado por sua mãe. “Eu fiquei devastada e me senti muito envergonhada. Eu sabia que queria ser uma garota, mas a sociedade não permitiria isso”, desabafa.

Com medo, ela nunca mais experimentou as roupas de sua irmã, e passou a treinar basquete para se encaixar no estereótipo de “garoto normal”. Acontece que não vestir roupas femininas não a deixou sem vontade de fazer exatamente isso, e na adolescência ela começou a comprar roupas femininas escondida – quando chegava em casa, se trancava em seu quarto para vesti-las.

Como tinha trejeitos que são considerados mais femininos, Sona sofreu bastante bullying na escola. Quando precisou escolher uma profissão, ela se juntou à Marinha dos EUA, justamente com a intenção de se forçar a adotar uma imagem masculina: “Eu compensei o meu lado feminino me tornando mais e mais masculinizada”.

Para ter uma aparência de “macho alfa”, como ela mesma definiu, Sona fazia musculação seis vezes por semana. Ela esperava que, dessa forma, sua vontade de ser mulher acabasse desaparecendo. No final das contas, quando seus colegas da Marinha não estavam por perto, ela sempre achava um jeito de se vestir como mulher. Para que ninguém descobrisse seu segredo, acabou construindo uma “vida normal”.

Em 2005, Sona, que ainda era Matthew, se casou com uma neurologista, Lucy. Sona, que não sentia atração sexual por mulheres, se casou com Lucy para tentar amá-la como pessoa, e em 2010 os dois tiveram uma filha. O nascimento do bebê trouxe à Sona a esperança de que, sendo pai, estaria “curada”. Na verdade, o oposto aconteceu, e ela se sentiu cada vez pior.

“Eu imaginava como eu poderia ser um bom pai e ensinar minha filha sobre como aproveitar uma vida honesta e autêntica enquanto eu estava vivendo uma mentira”, declarou ela.

A vida íntima do casal também não ia muito bem, logicamente, e foi apenas em 2012 que Sona conseguiu dizer à então esposa o que estava se passando: “Nós conversamos a noite inteira e ambas choramos. Ao final da noite, Lucy prometeu me dar suporte durante a minha jornada” – quando essa conversa difícil aconteceu, a filha dos dois tinha apenas um ano e meio de idade.

A partir daí, Sona começou os tratamentos: “Eu não queria que a mudança fosse muito drástica para a minha filha, então eu comecei me vestindo como mulher na parte de cima, depois fui deixando o cabelo crescer. Ela estava totalmente despreocupada e apenas contente porque seu papai estava feliz”.

Lucy e Sona se divorciaram em junho de 2013. A essa altura, ela já não trabalhava mais na Marinha, e finalmente começou a se sentir feliz, completa. Sua jornada, no entanto, só será finalizada quando ela passar pela cirurgia de construção de canal vaginal.

Lucy, que ainda é amiga de Sona, diz que nunca a viu tão feliz como agora. A libertação de sua ex é, para ela, um grande motivo de orgulho e felicidade, e a história de Sona é hoje um exemplo para tantas outras pessoas que ainda têm dificuldades de autoaceitação. Todo sucesso para ela! 

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