Mudança de sexo: como funciona a terapia hormonal
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Mudança de sexo: como funciona a terapia hormonal

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Demorou pouco entre o anúncio de que Bruce Jenner realizaria uma cirurgia para mudança de sexo até a divulgação da primeira foto de Jenner como mulher, agora com o nome de Caitlyn. Esse tipo de procedimento, embora esteja cada vez mais difundido, não é simples e requer uma preparação complexa, que inclui tratamentos hormonais e psicológicos.

Um vídeo divulgado pela American Chemical Society (ACS) explicou alguns fatos sobre os hormônios no corpo humano e as alterações hormonais feitas em transgêneros. Você pode assistir ao conteúdo abaixo – ainda sem legendas em português.

Primeiro é importante entender que, independente do gênero, todas as pessoas produzem os hormônios estrogênio e testosterona, componentes fundamentais do corpo humano. Essas moléculas são as responsáveis por deixar uma pessoa com traços masculinos ou femininos – o que muda é a contagem de cada um desses hormônios em homens e mulheres.

Produção e quantidade

Nas mulheres, os ovários e as glândulas suprarrenais são responsáveis pela produção do estrogênio e da testosterona. Esse último hormônio, que é conhecido por ser um “hormônio masculino”, é importante para o corpo feminino na hora de garantir força muscular e também apetite sexual.

Com relação à quantidade, os homens produzem 10 vezes mais testosterona do que as mulheres – testes recentes revelaram que os cuecas produzem esse hormônio 20 vezes mais rapidamente. No corpo masculino, a própria testosterona se converte em estrogênio, o “hormônio feminino”. Para eles, o estrogênio é importante para regular a qualidade do esperma e também o desejo sexual.

A terapia hormonal realizada em pessoas que buscam mudar de gênero consiste em reajustar os níveis desses dois hormônios, de modo que o paciente passe a adquirir as características físicas do gênero com o qual se identifica.

Em termos comparativos, é quase como se o paciente passasse por uma segunda puberdade, alterando o desenvolvimento sexual da pessoa até que, com a ajuda de cirurgias, ela alcance o seu objetivo. Esse tratamento hormonal deve ser realizado para o resto da vida.

Fases da vida

Tanto a testosterona quanto o estrogênio desempenham papéis importantes no corpo humano. Esses dois hormônios estão presentes em níveis diferentes na puberdade, na fase adulta e na velhice.

O início da adolescência é marcado pelo desenvolvimento do que a ciência chama de características sexuais secundárias, conforme explica este artigo, publicado em um site irlandês dedicado ao combate ao preconceito e empenhado em informar a respeito do universo transgênero.

Essas características sexuais secundárias são, nas mulheres, o surgimento dos seios, da menstruação e os traços adultos que o corpo adquire. Nos homens, a barba começa a crescer, o pomo de adão fica proeminente, o tamanho do pênis e dos testículos aumenta. Durante a fase adulta, esses hormônios servem para dar suporte ao sistema reprodutivo, principalmente. Quando envelhecemos, a quantidade de hormônios diminui.

A mudança hormonal

Se uma pessoa nascida biologicamente homem muda de gênero, ela precisa também de antiandrógenos, que são substâncias capazes de inibir a produção de testosterona e também de controlar a função desse hormônio no corpo. Dessa maneira, os traços masculinos começam a desaparecer: a massa muscular diminui, a gordura é redistribuída pelo corpo, o tecido mamário cresce e os pelos ficam mais finos e claros.

Na sequência, a paciente recebe doses de estrogênio (por meio de pílulas ou injeções), que ajudam a desenvolver as características femininas. Ao todo, o corpo pode levar até três anos para completar o processo de mudança.

Quando pessoas nascidas como mulheres mudam de gênero, elas recebem doses de testosterona, que alteram a voz, aumentam o número de pelos no rosto e no corpo todo, provocam a diminuição do tamanho dos seios, deixam os ombros mais largos, interrompem o ciclo menstrual e diminuem o tamanho dos quadris. Nesse caso, o processo demora de um a dois anos.

É óbvio, mas vale sempre lembrar que esses processos precisam ter acompanhamento médico contínuo, não sendo recomendável buscar meios de dar início ao tratamento de forma independente. No Brasil, esse procedimento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde agosto de 2008.

Sintomas, riscos e recomendações

Depois do início do tratamento hormonal, alguns pacientes trans mulheres – que nasceram homens, mas se identificam como mulheres – podem enfrentar dificuldades em ter ereção e orgasmos.

Já os pacientes trans homens sentem que o clitóris está aumentando de tamanho e que a voz começa a engrossar. A menstruação é interrompida, mas, em alguns casos, alguns sangramentos podem acontecer. Há também relatos de trans homens que desenvolveram acne.

Ainda há pouco estudo científico acerca dos riscos desse tipo de alteração. O que se sabe é que, quando nas dosagens certas, esses hormônios não representam perigo, afinal são muito parecidos com os hormônios que o próprio corpo produz.

Os riscos de desenvolver alguma complicação por causa do tratamento hormonal são realmente pequenos, e o paciente precisa ter um cuidado extra com a saúde: ter uma alimentação balanceada, praticar exercícios, não usar drogas, evitar o consumo excessivo de álcool e, definitivamente, não fumar. É preciso avisar o médico sempre a respeito de casos de câncer na família ou em caso de o paciente ter o vírus da AIDS – o HIV não impede, no entanto, que o processo seja realizado.

O tratamento cirúrgico

Toda essa alteração hormonal é realizada antes dos procedimentos cirúrgicos. No caso de quem nasceu como homem, os testículos são retirados e uma estrutura chamada “neovagina” é criada a partir da pele do pênis ou de um pedaço da mucosa do intestino grosso.

No processo contrário, tanto útero como ovários e mamas são removidos. O clitóris, em alguns casos, chega a crescer devido ao uso da testosterona e atinge o tamanho de um pênis pequeno.

Na maioria dos casos, porém, é preciso que o paciente passe por um procedimento cirúrgico chamado de metoidioplastia, que alonga o clitóris e o transforma em pênis, preservando a ereção do órgão e garantindo também que o paciente consiga fazer xixi em pé. Ainda nesse caso, a bolsa escrotal é feita com a pele dos grandes lábios, que receberão próteses de testículos.

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Agora conte para a gente: você já conhecia todo esse processo para a mudança de sexo? Independente de qual seja a sua resposta, o mais importante de tudo é aprender a respeitar todas as pessoas, sem preconceito, sem intolerância e sem violência.  

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