Fragmentos do Alcorão com mais de 1.300 anos são encontrados na Inglaterra
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Fragmentos do Alcorão com mais de 1.300 anos são encontrados na Inglaterra

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Se você é cristão, imagine que incrível seria se alguém de repente descobrisse textos bíblicos da época de Jesus. Pois muçulmanos de todo o mundo se surpreenderam recentemente quando uma equipe de pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, encontrou dois pergaminhos com textos do alcorão que provavelmente foram escritos na época em que Maomé ainda estava vivo.

Profeta

De acordo com Elizabeth Goldbaum do portal Live Science, segundo as tradições muçulmanas, estima-se que o Profeta viveu entre os anos 570 e 632, e ele teria recebido as revelações compiladas no alcorão entre os anos de 610 e 632. No entanto, até onde se sabe, os ensinamentos não foram redigidos imediatamente — mas sim guardados nas memórias dos seguidores de Maomé.

Quando o islamismo começou a se popularizar, em vez de as revelações serem reunidas em um único livro, os antigos muçulmanos muitas vezes transcreviam os ensinamentos de Maomé em pedras, folhas de tamareira ou nas omoplatas de camelos. As escrituras só foram ser compiladas em conjunto depois que o terceiro califa islâmico, Uthman ibn Affan, ordenou que o texto oficial fosse estruturado no ano 651, e posteriormente distribuído.

Descoberta

Os fragmentos identificados agora fazem parte de uma coleção chamada Mingana Collection que inclui documentos, manuscritos e livros reunidos por Alphonse Mingana na década de 20. No entanto, os manuscritos haviam sido erroneamente armazenados com outros textos parecidos do século 7.

Os pesquisadores submeteram o material à datação por radiocarbono — que possui um índice de precisão de 95% —, descobrindo que o animal (possivelmente uma ovelha, cabra ou bezerro) a partir do qual os pergaminhos foram produzidos viveu entre os anos de 568 e 645. Isso significa que o bichinho era contemporâneo do Profeta e que os textos podem ter sido escritos na época de Maomé ou em um período inferior a 20 anos após sua morte.

Segundo os cientistas, os manuscritos foram redigidos na escrita Hijazi, que é considerada uma das formas mais belas do árabe antigo, e se encontram incrivelmente bem preservados. O texto ocupa duas páginas e, de acordo com as análises, compreende partes das suras (ou capítulos) 18 a 20 — e o conteúdo é muito semelhante às escrituras presentes nos alcorões atuais.

Alguns historiadores acreditam que os textos podem ter sido redigidos por alguém que ouviu os ensinamentos do Profeta ou que inclusive o conheceu pessoalmente. Outra implicação relevante é que existe a possibilidade de que os textos tenham sido escritos enquanto o Profeta ainda recebia suas revelações, e estes manuscritos do alcorão são os mais antigos de que se tem notícia.

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