Estudo diz que o leite não é tão bom para os ossos como se acreditava antes
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Estudo diz que o leite não é tão bom para os ossos como se acreditava antes

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Se você é literalmente um “bezerro” e toma muito leite todos os dias por achar saudável ou mesmo pelo simples fato de achar gostoso — puro, com café, achocolatado ou em vitaminas —, pode ser que você fique um pouquinho chateado com uma nova pesquisa.

Os resultados, que foram divulgados no jornal The Washington Post (por Abby Phillip), apontam que o leite não é tão bom para os ossos como muita gente acreditava (devido ao seu alto teor de cálcio) e pode até ser ruim para eles.

Como se isso já não bastasse, o estudo mostrou que a bebida ainda pode diminuir o nosso tempo de vida! Mas, antes que uma lágrima escorra do seu olho, saiba que esses resultados valem para quem toma três copos ou mais de leite por dia. Portanto, um copo ou menos pode não levar a esses efeitos.

E tem uma boa notícia também: os derivados de leite não causam esse efeito. Por isso, produtos como queijo, iogurte, coalhada e outros derivados lácteos fermentados estão liberados. O estudo, que foi realizado pela Universidade de Uppsala, na Suécia, mostrou que o alto consumo de leite pode estar associado com maior ocorrência de fraturas ósseas em mulheres e maior mortalidade em homens.

"Eu observei casos de fraturas durante os últimos 25 anos e fiquei intrigado porque tem havido a tendência de um maior risco de fratura com uma maior ingestão de leite", disse o principal autor do estudo Karl Michaelsson, professor da Universidade de Uppsala, ao The Washington Post.

Processo de estudo

De acordo com o The Washington Post, a pesquisa utilizou dados de dois outros grandes estudos anteriores de longo prazo com homens e mulheres da Suécia, que foram questionados sobre os seus hábitos alimentares — com perguntas como quanto e que tipo de leite e produtos lácteos consumiam.

Os resultados mostraram que as mulheres que consumiam três ou mais copos de leite por dia tinham um risco maior de fratura e também um maior risco de morte. Na parcela dos homens, aqueles que bebiam três ou mais copos de leite por dia também tinham um risco ligeiramente maior de morte — principalmente associada a problemas cardiovasculares — em comparação com aqueles que bebiam menos de um copo por dia.

E a questão que todo mundo pensava (e a própria comunidade médica) que os ossos ficavam mais fortes devido ao leite foi colocada abaixo, pois não houve redução do risco de fratura com o consumo elevado da bebida. E os níveis de stress também foram analisados nesse estudo pela equipe do professor Michaelsson.

Tanto nos participantes homens quanto nas mulheres, a quantidade de leite que consumiram também foi associada com níveis mais elevados de um marcador biológico de estresse oxidativo, que tem sido associado com o envelhecimento, câncer e doenças cardiovasculares.

Possibilidades

De acordo com o The Washington Post, outros estudos observaram uma similar relação entre o consumo de leite rico em cálcio e fraturas ósseas. Mas por que o consumo de leite pode estar associado com a mortalidade é uma questão muito mais difícil de responder.

Segundo o professor Michaelsson, os resultados sugerem que mais pesquisas serão necessárias para entender se um componente específico de leite — um açúcar chamado D-galactose — pode desempenhar um papel em suas descobertas. Esse açúcar é conhecido por induzir o envelhecimento em animais, sendo associado ao aumento do estresse oxidativo e inflamação.

Conforme dissemos anteriormente, o consumo de produtos como os queijos e iogurtes não mostram os resultados de fraturas e mortalidade como o leite. De acordo com o líder do estudo, isso deve acontecer porque no queijo fermentado o nível de galactose é muito baixo. Não é tão alto como no leite. Em se tratando do iogurte, ele ainda tem o efeito probiótico das bactérias boas.

Pesquisas e diminuição do consumo

Infelizmente (principalmente para quem adora leite), esse estudo é apenas o mais recente de uma longa série de conclusões que põem em cheque os benefícios para a saúde de uma das bebidas mais populares que a natureza tem para nos oferecer. Além de o consumo ser ligado a várias condições, incluindo a acne, observa-se o problema em cerca de 65% da população mundial que não é capaz de digerir a lactose após a infância.

Nos Estados Unidos, a população tem diminuído o consumo do leite a cada ano. Desde 1970, o consumo de leite dos norte-americanos caiu de cerca de 1,5 xícaras por dia para uma média de 0,8 xícaras por dia nos dias de hoje. E isso vem acontecendo também no Brasil e em várias partes do mundo.

O que está acontecendo ainda é a substituição do leite por sucos, bebidas esportivas ou mesmo a boa e sempre saudável água. Além disso, os leites vegetais ganham cada vez mais espaço, como os de soja, amêndoas, arroz e coco.

Há um grande debate mundial sobre as recomendações de governo sobre o consumo do leite, principalmente entre as crianças. Em um artigo de 2013, o pesquisador David S. Ludwig sugeriu que não há evidências científicas suficientes para apoiar as recomendações federais norte-americanas de consumo de leite.

Ele acrescentou ainda que há mais evidências de que os seres humanos não precisam da bebida, visto que o consumo dela é razoavelmente recente em nossa existência. "Até muito recentemente, a partir de uma perspectiva evolucionária, os seres humanos não teriam consumido produtos lácteos e teria consumido cálcio de outras fontes. As populações que não bebem leite têm ossos perfeitamente bons", disse Ludwig.

Mas o pesquisador esclarece que isso tudo não quer dizer também que o leite seja uma bebida inútil, mas, para ele, o que falta são boas evidências para a recomendação de níveis altos do leite. Ele afirma ainda que o efeito dos hormônios contidos no leite podem ser causadores do aumento da incidência de alguns tipos de câncer.

O líder do estudo sueco, professor Michaelsson, disse que está ciente de que sua pesquisa lança dúvidas sobre os benefícios de antigas crenças sobre o leite. "Isto é como nós expandimos nosso conhecimento. Mas eu estou plenamente consciente de que muitos não estão dispostos a ouvir estes resultados”, completou.

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