(Fonte da imagem: Reprodução/Flickr)

Dmirti Krioukov, um físico da Universidade da Califórnia, encontrou uma forma audaciosa e incontestável de recorrer a uma multa de trânsito. Após ser acusado de não parar diante de uma placa de “Pare”, o cientista conseguiu provar fisicamente — com uma defesa de quatro páginas repletas de gráficos e cálculos — que a acusação feita contra ele era um equívoco.

Em sua “Prova da Inocência”, forma como batizou a defesa, Krioukov descreve como uma série de coincidências levou um guarda a ter a impressão de que ele não parou o carro:

“Um observador — o guarda —, localizado a uma distância determinada e perpendicular à trajetória do carro, pode ter tido a impressão de que este não parou no caso de terem ocorrido as seguintes coincidências: (1) o observador está medindo a velocidade angular do veículo, e não a linear; (2) o carro desacelera e volta a acelerar em um espaço de tempo relativamente curto; (3) um objeto — outro carro — causa uma curta obstrução no campo de visão do observador justo no momento em que os dois veículos se encontram diante da placa”.

Velocidade angular x velocidade linear

Krioukov continua, explicando a diferença entre velocidade angular e linear, usando como exemplo a trajetória de um trem: “Se nos posicionamos próximos a uma linha férrea, primeiramente temos a impressão de que o trem não está se movendo; entretanto, conforme este se aproxima, temos a impressão de que ele se move cada vez mais depressa e, quando finalmente passa por nós, sua velocidade visual é maximizada.” Este foi o pilar da prova de inocência de Krioukov.

De acordo com o físico, o policial cometeu um erro — “totalmente justificável” —, pois devido à série de coincidências apresentada em sua defesa, sua percepção da realidade não refletiu o acontecimento de forma correta.

Krioukov ganhou o recurso, mas tudo teria sido evitado caso ele tivesse parado por tempo suficiente diante da placa, em vez de ter esperado apenas um segundo para arrancar o carro e seguir adiante. De qualquer maneira, ele merece crédito por sua astúcia e audácia.