Sombra e Escuridão: a história dos leões comedores de pessoas na África
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Sombra e Escuridão: a história dos leões comedores de pessoas na África

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Você já deve ter ouvido aquele ditado “olho por olho, dente por dente”, não é mesmo? Ele é aplicado quando alguém resolve se vingar de outra pessoa na mesma moeda. Também pode ser usada para explicar uma terrível história que assustou os habitantes do Quênia no final do século 19.

Tudo começou em 1898, quando uma equipe de trabalhadores indianos chegou ao país africano para construir uma ponte sobre o rio Tsavo. Eles eram liderados por um tenente-coronel britânico, chamado John Henry Patterson. Porém, o que seria uma evolução para a região acabou se tornando uma das maiores carnificinas da história – “premedita” pela Mãe Natureza.

E não se pode dizer que os trabalhadores não foram, de certa forma, “alertados”: a palavra “tsavo”, no idioma local, se refere a um “local de abate”. Inicialmente, a história fazia referência à tribo Maasai – um grupo de nômades que vivia no Quênia e na Tanzânia e que se tornou popular por massacrar outras tribos mais fracas.

História de massacre africano virou filme, em 1996, com Michael Douglas e Val Kilmer nos papéis principais

Sombra e Escuridão

Só que o massacre que aconteceu em 1898 não foi executado por nenhuma cultura tribal: dois ferozes leões, apelidados de Sombra e de Escuridão, mataram 135 pessoas naquele ano. A matança aconteceu entre março e dezembro, quando, finalmente, as duas feras foram mortas pelo responsável pela construção.

A fama dos Leões de Tsavos é muito grande, pois eles conseguiram fugir de várias armadilhas colocadas para capturá-los. Pior: os dois animais também eram especialistas em dizimar expedições que tentavam localizá-los e matá-los. Muitos dos trabalhadores, inclusive, fugiram da região e abandonaram a construção da ponte com medo dos “monstros”.

O que torna sua história ainda mais incrível é o fato de que os dois leões caçavam em dupla – um comportamento atípico para a espécie. Os habitantes da região os chamavam de Shaitini, ou “demônios da noite” – daí a origem de seus nomes britânicos, que fazem referência ao mundo da noite e das sombras.

John Patterson conseguiu matar o primeiro dos leões em 9 de dezembro de 1898, precisando de mais três semanas para aniquilar o seu “parceiro”. Seus corpos foram empalhados e hoje se encontram expostos no Museu de História Natural de Chicago, nos EUA. Sua história já virou livro e filme. “A Sombra e a Escuridão”, de 1996, foi dirigido por Stephen Hopkins e colocou Val Kilmer e Michael Douglas para enfrentar os dois leões lendários de Tsavos.

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John Patterson posa ao lado do primeiro leão abatido

Um dia é da caça...

Só que a história não para por aí: apesar de John Patterson jurar que 135 trabalhadores foram mortos durante a construção da ponte ferroviária, a empresa responsável diz que apenas 28 pessoas morreram nos ataques dos leões.

Pesquisas posteriores de biólogos mostram que um dos leões foi responsável por 11 mortes e o outro por 24. No total, “apenas” 35 pessoas teriam sido “caçadas” pelas feras africanas – um número pouco maior do que o divulgado pela companhia ferroviária, mas bem abaixo do especulado por Patterson.

Pesquisas indicam, também, que um dos leões tinha doenças odontológicas, mandíbula desalinha e danos no crânio. Isso levou os pesquisadores a concluir que ele só atacou os humanos por puro desespero. Além disso, os ataques foram justamente em uma época de expansão territorial na África, e diversas das presas naturais dos leões tinham sido aniquiladas pela própria ação do homem – principalmente os elefantes. No fim, voltamos a um outro ditado: “aqui se faz, aqui se paga”.

Até hoje a história de Sombra e de Escuridão permeia as lendas locais, e os leões ainda se mostram como um dos maiores símbolo do poder da natureza sobre o homem. Afinal, o dia pode até ser o do caçador; mas, até lá, é a caça quem vai reinar.

Sombra e Escuridão foram empalhados e estão expostos no Museu de História Natural de Chicago

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