Por que as pessoas têm mais vontade de fumar depois de beber?

Frases como “só fumo quando bebo” e “sinto uma vontade louca de fumar quando tomo cerveja”, entre outras tipos do tipo, parecem soar como desculpa para não largar o cigarro. No entanto, a relação entre bebida e nicotina existe, sim, e pode ser explicada quimicamente.

Nos últimos anos, foram publicados diversos estudos abordando o álcool como gatilho para o cigarro, afetando tanto as pessoas que fumam ocasionalmente como aquelas que são dependentes do tabaco. Um deles é de autoria do neurocientista e especialista em mecanismos de dependência da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos), John Dani.

De acordo com Dani, o álcool e a nicotina reforçam a produção da dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer. Dessa forma, o consumo simultâneo de cervejas (ou outras bebidas alcoólicas) e cigarros deixa o indivíduo ainda mais eufórico e feliz, efeitos que têm curta duração.

Mas as duas substâncias também funcionam de forma antagônica, já que o álcool atua como depressor do sistema nervoso, causando relaxamento e sonolência, enquanto a nicotina possui poder estimulante. Por causa disso, a vontade de fumar aumenta ao beber, como forma de neutralizar o sono induzido pelas doses consumidas, em um ciclo viciante.

Fatores sociais e culturais

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Além do aspecto químico, fatores sociais e culturais também ajudam a explicar por que beber aumenta a vontade de fumar. Muitas pessoas têm o hábito de usar os dois produtos em situações de socialização e para interagir, como em festas, shows, bares e outras situações, e assim eles acabam sendo associados às memórias afetivas.

E a nicotina exerce um papel fundamental nesta associação. Segundo o neurocientista americano, a substância presente no cigarro é capaz de fortalecer as conexões neuronais em até 200% quando um sinal de dopamina é enviado pelos “centros de recompensa”.

Com isso, as lembranças de fumar e beber em momentos de lazer com amigos e familiares ficam gravadas no cérebro, aproveitando os caminhos de memória reforçados pela nicotina, conforme o estudo. Assim como em relação a outras atividades prazerosas, a pessoa vai querer repetir a mistura ao se deparar com um gatilho.

Devido a todas essas associações, parar de fumar costuma se tornar uma tarefa ainda mais complicada para quem bebe, pois a vontade de acender um cigarro surgirá assim que entrar em um bar. Neste caso, pode ser necessário buscar ajuda profissional.

Efeitos da ressaca aumentados

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Como sugerem os estudos, é bem provável que você beberá muito mais após as primeiras tragadas, assim como serão necessários mais cigarros para acompanhar os drinques que virão na sequência. O resultado disso pode ser uma ressaca maior do que o esperado.

A culpa não é somente do consumo exagerado do álcool, já que algumas substâncias contidas na fumaça causam dores de cabeça e potencializam outros sintomas desagradáveis da bebedeira.

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